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21 outubro, 2011
Líbia
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18 março, 2010
Sistema de Cotas Raciais II
O texto sobre "as cotas" ainda não saiu.
Enquanto isso, mais uma repostagem: Razões.
O poema não fora escrito sob a "inspiração da imagem". Eu nunca faço isso [nada contra]. Escrevo e busco a imagem depois. Nem tampouco sob a inspiração do tema desta postagem. Contudo me pareceu apropriado, pois argumentos - favoráveis ou desfavoráveis - faltam para sustentar discussões e até pensamentos...
Enquanto isso, mais uma repostagem: Razões.
O poema não fora escrito sob a "inspiração da imagem". Eu nunca faço isso [nada contra]. Escrevo e busco a imagem depois. Nem tampouco sob a inspiração do tema desta postagem. Contudo me pareceu apropriado, pois argumentos - favoráveis ou desfavoráveis - faltam para sustentar discussões e até pensamentos...
Razões
Em cada ser, suas razões.
Sendo estas a empreender-lhe ações.
Isto, por fim, explica quase tudo.
Isto, por fim, explica quase tudo.
O que resta - de inexplicável -
está na opção por não se perceber
está na opção por não se perceber
as razões alheias.
Estas, então, menores,
fazem toda a diferença.
A isto chamamos balança.
Ou justiça.
Taninha Nascimento
07 novembro, 2009
Algumas falas...
[Depois, lamentou-se...]
José Mariano Beltrame secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro
“Que bom companheiro Arruda que a gente tenha uma polícia ganhando um salário razoável, que a gente tenha uma polícia ganhando aquilo que merece e uma polícia do ponto de vista da sua formação profissional muito mais qualificada. Para que a gente tenha a certeza que a única hipótese de a gente não ter um policial levando propina da bandidagem é o policial ganhar o suficiente para cuidar da sua família”
Luiz Inácio Lula da Silva - Presidente.
Imagem disponível no Google
23 setembro, 2009
A ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA NA ILHA DA UTOPIA
Tomas More (1478-1535), mais conhecido pelo nome latino Thomas Morus, nasceu em Londres, quando já predominava o Renascimento nos países desenvolvidos da Europa. Com o retorno da cultura clássica, as ideias de Platão e Aristóteles passaram a dominar. Na Idade Média, os religiosos, principalmente Santo Agostinho (mais platônico) e São Tomás de Aquino (mais aristotélico) já haviam fundido o pensamento desses dois filósofos numa espécie de síntese filosófica e pedagógica, a Escolástica. Assim, o caminho se encontrava aplainado para que o pensamento dos dois filósofos pagãos fosse absorvido pela Igreja Católica.
Thomas More estudou latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática e teologia. Frequentou as principais escolas da Inglaterra, inclusive Oxford, que era a mais avançada das universidades da época. De espírito religioso, vivia em orações e, inclusive pensou ingressar no sacerdócio. Frequentou algumas ordens religiosas, mas, ao final, decidiu-se por continuar a serviço da Igreja como leigo.
Recebeu o título de Sir e exerceu cargos na Corte de Henrique VIII. Conviveu com grandes pensadores, principalmente com Erasmo de Roterdam, autor de Elogio da Loucura. More, Maquiavel e Erasmo têm sido considerados os pioneiros da Filosofia Política.
Entrou em desgraça por não haver concordado com o divórcio de Henrique III. Foi preso e torturado. Morreu como mártir da Igreja e, mais tarde, em 1935, foi canonizado. É o santo padroeiro dos políticos e governantes, festejado no dia 22 de junho.
2. A obra
Thomas Morus escreveu prosa e poesia, em inglês e em latim. É autor de uma série de poemas - os English Poems; de obras históricas - História do rei Ricardo III; de textos religiosos - Diálogo do conforto na tribulação. Fez traduções, inclusive uma com Erasmo, Diálogos de Luciano. Foi, porém, no campo da Filosofia que produziu a sua obra-prima, a Utopia. Planejada em 1511, aos 32 anos de idade, só foi iniciada no ano de 1514, quando Morus esteve ausente de Londres. No ano seguinte, 1515, já em Londres, é que concluiu a obra que viria torná-lo famoso como filósofo, humanista e literato. Foi publicada em 1516.
3. A Utopia
O nome completo em latim é De optimo statu reipublicae deque nova insula Utopia (Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia). Nela, Thomas Morus descreve uma ilha imaginária com base em histórias sobre os novos mundos que vinham sendo descobertos. A fonte principal foi o relato que lhe fez um viajante português, Rafael Hitlodeu. Nessa época, pelas muitas navegações empreendidas, eram comuns as narrativas de viagem, geralmente cheias de aventuras fantasiosas.
Thomas Morus, pelo contrário, procurou deixar bem claro que o que escreve é imaginário. Para tanto, emprega o recurso conhecido por ouvre à clef, obra em que as palavras são como chave para o entendimento do texto. Assim, o nome do narrador é Hitlodeu, algo como língua solta. A palavra utopia tem origem no grego (ou, não; topos, lugar, portanto, o não-lugar). Amaurota, o nome da capital, provém do latim Amaurotum, miragem. O rio que a banha é Anidra, o sem água. Os cidadãos da Ilha são chamados alopolitas, cidadãos sem cidade. Um dos príncipes é Ademos, aquele sem povo. Há, ainda, outras palavras que indicam esse caráter de não-existência.
Estruturalmente, Morus empregou o recurso do diálogo, muito comum na época do Renascimento. Dividiu a obra em duas partes, às quais denominou Livro I e Livro II. No primeiro, narra como, em Antuérpia, encontrou Pedro Gil, morador da cidade, pessoa muito afável. Foi ele que um dia lhe apresentou um velho viajante português da esquadra de Américo Vespúcio, que havia permanecido no Novo Mundo. Ali, conhecera muitos lugares e muitos povos. Dentre esses lugares, estava a ilha de Utopia. No segundo. o autor passa a narrativa para o próprio Rafael Hitlodeu. Transferindo a um outro a responsabilidade da narrativa, Morus, como pensador, fica livre para emitir opiniões sobre o relato, principalmente quando discorda de algumas coisas narradas.
4. A ilha da Utopia - cidades e população
Ao iniciar a sua narrativa, Hitlodeu descreve a dimensão e o formato da ilha. Avisa que a entrada do porto é muito perigosa, porque há abrolhos e bancos de areia. No meio da ilha, há um grande rochedo que pode ser avistado de longe. Por tal descrição, muitos aproximam a Utopia à ilha principal do arquipélago de Fernando de Noronha. Era por aí que os navegadores portugueses e espanhóis passavam ao se dirigirem para o Novo Mundo.
A Ilha foi descoberta e conquistada por Utopos, que humanizou os silvícolas e deu-lhes uma educação capaz de torná-la o lugar mais civilizado de todos. Os indígenas, devidamente motivados, tinham orgulho de participar da obra de construção de um novo país.
A ilha de Utopia tem cinquenta e quatro cidades. Cada uma delas está dividida em 4 quarteirões, uma espécie dos quartiers parisienses. Cada quarteirão tem um representante junto à administração central da cidade.
Nos arredores de cada cidade, localizam-se quatro hospitais, um para cada quarteirão. Encontram-se afastados para que seja mais fácil o atendimento a todos. São limpos, bem organizados e espaçosos o suficiente para o atendimento de todos que possam necessitar de cuidados médicos ou mesmo de isolamento.
A capital é Amaurota, não por ser a mais importante, mas porque se situa ao centro da Ilha e, portanto, mais fácil ao acesso para os representantes das demais cidades. São espaçosas e muito bem construídas com praças e jardins bem localizados. As casas são edifícios elegantes de três andares, com paredes externas de pedra ou de tijolo, e as internas de estuque. As janelas estão vedadas por vidros e por cortinas de fina seda. As casas estão sempre muito bem conservadas por quem habita nelas. Na Utopia, os moradores são apenas usuários e não proprietários.
Todas as cidades possuem os mesmos edifícios públicos, construídos de forma a melhor se adaptar ao local. Têm mais ou menos a mesma população, porque há um sistema de migração que supre aquelas, que, por qualquer motivo, estejam perdendo habitantes. As cidadessão médias, com 6.000 famílias cada.
5. A organização social da Ilha
Socialmente, a Ilha é muito bem organizada. A população é especialmente ordeira e trabalhadora. Como são estimuladas todas as profissões, os utopianos praticam aquela para a qual demonstram mais aptidão. Há, porém, prioridade para a agricultura, por ser ela a fonte de alimentação de um povo. Assim, todos os habitantes da Ilha têm de exercer essa atividade por algum tempo.
A agricultura da ilha é a mais desenvolvida de todas as regiões conhecidas. Os habitantes plantam de tudo, cereais, frutas. Criam as aves e os animais domésticos. Transformam os cereais em alimento; as frutas, em bebidas; tecem a lã e tiram o maior proveito possível da produção de ovos e de pintos. Eles chocam os ovos por um meio de calefação artificial. Quando os pintainhos rompem a casca são os homens que cuidam deles. Assim, as galinhas se tornam mais produtivas.
Os habitantes só são agricultores eventualmente, embora toda a população receba lições de agricultura. De tempo em tempo, os agricultores temporários são substituídos por outros que virão das cidades. Só permanecem aqueles que pedirem, por que gostaram da profissão e preferem viver no campo.
Aqueles que são intelectualmente afeito aos estudos, não são enviados para o campo. Ficarão estudando nas cidades, a não ser que queiram também participar, simultaneamente, das duas atividades. E aqueles do campo que se destacarem nos estudos poderão ser levados de volta à cidade, para aí continuarem os estudos.
Pelo fato de que todos trabalham, produzem sempre o necessário para todos os habitantes. Eles, porém, continuam a produzir bens para repassar aos que necessitem, ou mesmo a outros povos. Como não há moeda, o comércio é feito à base de trocas.
Os utopianos dividem muito bem o tempo de trabalho. As 24 horas do dia se repartem em seis horas para o trabalho utilitário, três horas antes e três depois do almoço; duas horas para descanso depois do almoço; e à noite, depois do jantar, ocupam o tempo com conversas sobre temas importantes e educativos. Reservam nove horas para um sono reparador. É assegurada a todas as pessoas uma justa distribuição de trabalho, para que o esforço não se torne estafante. Se tal acontecesse, seria uma forma de escravidão. Assim como deve haver tempo para os trabalhos materiais, deve haver também para as ocupações do espírito.
Os habitantes não se apegam aos bens materiais. O ouro e a prata se tornam materiais para ferramentas e outros objetos úteis, como argolas para prender os prisioneiros. As pedras preciosas não possuem valor, porque, argumentam eles, se é necessário consultar um especialista para saber se uma pedra é verdadeira ou falsa, tanto faz ser um diamante, como um pedaço de vidro. Esses materiais, porém, são guardados como tesouro para reserva em caso de necessidade. Em tempo de guerra, são empregados para contratar mercenários, ou então para subornar o inimigo.
A religião é livre na Ilha, mas grande parte aderiu ao Cristianismo. Buscam o batismo e os outros sacramentos. Ninguém, porém, pode ser castigado ou discriminado por motivo de credo religioso. Os padres da Utopia são de uma perfeita santidade. Em caso de guerra, sete deles acompanham os exércitos. Para substituí-los são nomeados outros sete. Os padres se casam e, para tanto, escolhem suas esposas entre as moças mais prendadas da população. As mulheres também podem exercer o sacerdócio, desde que viúvas e idosas.
Sobre a educação, ela é pública e totalmente gratuita. Os cursos começam a funcionar antes de o sol nascer, e é grande o número dos que frequentam, mesmo sendo obrigatórios apenas àqueles que se dedicam às letras. As aulas são dadas na língua do próprio povo, que é muito rica, harmoniosa e elegante. É bastante parecida com o grego, mas também com o persa.
Os habitantes da Ilha estão dentre os mais cultos. Mesmo sem conhecer os grandes filósofos gregos, chegaram aos mesmos resultados. São inventivos e criam máquinas capazes de facilitar a vida e defendê-los do inimigo. Ironicamente, o narrador comenta que, quanto ao conceito de homem geral e universal, um dos temas preferidos da gíria metafísica, ninguém na Utopia pôde ainda perceber.
Como a Utopia tem seus fundamentos em filósofos adotados pela Igreja Católica - Platão principalmente -, o sexo só é permitido após o casamento. O adultério é punido com a servidão e se houver reincidência, a punição é a morte.
Os utopianos quando necessitam viajar, justificam os motivos e solicitam uma licença ao príncipe, que emite um documento no qual se estipula o tempo da viagem e o dia de regresso. Antecipavam-se assim aos atuais passaportes.
6 . A organização política da Ilha
A organização política da Utopia é mais simples e racional possível. As leis são poucas e muito claras. Tanto assim que não existem advogados. São os próprios interessados que se apresentam diante do juiz e sem rodeios apresentam sua defesa. Dessa forma, tornam-se críveis e honestos, o que facilita a decisão judicial.
Para reger politicamente a Ilha, todos os anos, cada cidade nomeia três velhos experientes e capazes – honestos todos são - como seus deputados. Eles se deslocarão para Amaurota, onde irão tratar dos assuntos de interesse de suas cidades e de todo o país.
Para os habitantes do campo também há uma forma de representação. As famílias agrícolas, que se compõem de pelo menos 40 pessoas, homens, mulheres e dois escravos, são governadas por um dos pais, geralmente o mais idoso. Trinta famílias formam uma unidade, que é dirigida por um filarca (grego filos, aquele que ama). Esses filarcas, também chamados sifograntes, são os magistrados. Dez sifograntes e as trezentas famílias por ele representadas obedecem a um protofilarca.
São os 1.200 sifograntes que, após um juramento no qual se comprometem a dar o voto ao mais capaz e mais virtuoso, escolhem por voto secreto o príncipe. A indicação inicial parte da própria população, que envia à corte uma lista com quatro nomes. O principado é vitalício, a não ser que o príncipe tente tornar-se um tirano.
Os príncipes sempre procuram pautar-se pela mais completa honestidade. Cada vez mais se preparam para melhor exercer a mais alta e a mais digna das funções do estado. Procuram seguir o que Platão disse: “A humanidade será feliz um dia, quando os filósofos forem reis, ou quando os reis forem filósofos” (p. 191).
Os protofilarcas são eleitos todos os anos, mas, a não ser que haja motivo justo, eles são reconduzidos. Dificilmente há mudança. São eles que se reúnem três dias por semana com o príncipe para tratarem dos assuntos de estado e para despacharem com a maior brevidade os pleitos apresentados. Os processos são raros, considerando-se que todos vivem em paz e harmonia.
Os sifograntes, como alguns outros, são isentos por lei do trabalho pesado. Porém, para darem o exemplo, eles preferem engajar-se em toda forma de serviço executado pelos demais trabalhadores. São dispensados do trabalho também aqueles estudantes aptos às atividades intelectuais e que estão dedicados apenas ao estudo por indicação de padres e dos sifograntes. Se algum deles, porém, não fizer bom uso do tempo e iludir a esperança do povo e de quem o indicou, será imediatamente transferido para a classe dos operários.
Os governantes são todos bem intencionados a ponto de preferirem ser como aquele general romano, Fabrício, que morreu tão pobre, que o estado teve de providenciar o seu funeral. Dizia ele: “prefiro governar ricos a eu mesmo ser rico” (p. 198). Considerando também que os habitantes da Ilha são todos politicamente educados, a Utopia pode desenvolver-se sempre em paz.
7. O destino da obra
A obra, produto do pensamento renascentista e, portanto, com fundo altamente humanístico, retrata o pensamento expresso por grandes pensadores que influenciaram a época. De modo geral, a filosofia é a de Platão, mas há também muito de Epicuro e de outros neo-platônicos. O pensamento religioso de Santo Agostinho (A Cidade de Deus) também se faz presente. Por outro lado, as idéias de como se deve governar têm muito do pensamento do contemporâneo Maquiavel.
Quando a obra de Morus surgiu, imediatamente alcançou enorme sucesso. Foi traduzida para as várias línguas culturais de então. Foi lida e comentada por todos. Ao lado de O Elogio da Loucura, de Erasmo, e de O Príncipe, de Maquiavel, a Utopia desfila entre as grandes obras do Renascimento europeu.
Teve, dentre outros, o mérito de exercer influência em várias obras, principalmente A Cidade do Sol de Dominico Campanella, publicada em 1602. Influenciou também muitas das doutrinas socialistas dos séculos seguintes.
Pode-se concluir, que, seja uma obra de crítica aos costumes de países desenvolvidos, principalmente Itália, Inglaterra e França. Pode também ser vista como uma obra de pensamento elevado. O certo é que Utopia não é uma simples obra, mas, uma tomada de posição diante dos acontecimentos políticos e sociais da época.
A obra trouxe um repensar sobre temas, como trabalho, honestidade, pureza de espírito, o que sem dúvida passou a exercer influência sobre os costumes e sobre organização social e política dos diferentes povos. Esse tem sido o destino de Utopia, de Thomas Morus.
17 agosto, 2009
Andanças, Fazanças e Recordanças...
Por Viviane de Souza
Sei não, sei não... Mas mesmo não sabendo direito por onde iniciar esse “conversê” vou contrariar as duas frasinhas antes das reticências pra tentar “arengar” com voces, pois com essa missão de “futucar” em blog, só mesmo tirando a paciência de quem é curioso. Agora quero me apresentar. Sabem, desde que quis cursar jornalismo, me identifiquei com o pior de mim mesma: a bisbilhotice. E, evidentemente, tem sido o que mais gosto de exercer: fofoqueirismo! mas profissional. Apesar de nenhuma novidade nessa declaração, visto que o jornalismo brasileiro é de fazer vergonha até ao menos tímido avestruz, tenho que enaltecer algumas características da colega que vos enche o saco. Sou de ética e não de estética, embora seja fã dos que a desenvolve em sua identidade literária ou artística. Meu povo, sabe o que é? É que não foi inteiramente na faculdade que apreendi... Sim, apreendi o valor da palavra ética. Afinal, quando faço algo que preste, não me baseio apenas nos raríssimos colegas de trabalho e professores aclamados que me orientaram a partir dos próprios exemplos. O que ocorre pra mim é a palavra educação. Sim, a “batidinha” palavra que nem todos receberam ao longa da vida em casa. A casa... ô recinto importante da gota serena!
Vez por outra, ao analisar o meu balaio de ideias, avisto minha família. É o que dela recebi e ainda recebo, que me mantém procurando optar pelo o que é prudente. E olhem que ainda assim, confesso, titubeio, e opto pelo errado na minha profissão. Jornalismo é para a maioria dos que o utilizam como meio profissional, maneira de aparecer e sentir-se glamourizado vinte e quatro horas por dia. Mas quem não ficaria todo “ancho” e satisfeito caso pudesse conversar e saber mais de pessoas admiráveis. Um homem inspirador como o educador Paulo Freire, o inusitado escritor Ariano Suassuna, e as sensibilíssimas e espetaculares Clarice Lispector e Cora Coralina paralisaram de emoção muito jornalista experiente. No caso de Ariano continua paralisando. É compreensível, mas existe muita gente anônima por aí que vale quilates de diamantes, ou não têm preço algum, já que suas estórias de vida são históricas e provocadoras de mudanças e atitudes em nós. E então, me veio agora a lembrança de dois livros encantadores: O Segredo de Joe Gold, escrito pelo jornalista americano Joseph Mitchell. E As Boas Mulheres da china, fruto de uma pesquisa realizada pela radialista Xinran Xue. No primeiro, fatos reais analisados em um mendigo inteligente e cativante. No outro, narrativas contundentes da vida feminina na China, sob um regime socialista.
Bom, mudando de alhos para bugalhos, mas seguindo a mesma linha, queria lembrar-lhes que de pouco tempo para cá vi meu diploma valer menos que o “dinheiro” utilizado num programa apresentado por Angélica na Rede Globo. Nele, os participantes do jogo compram seus prêmios através das MERRECAS. Pode? Pooode! E todo mundo me pergunta como me sinto. Olhem mesmo que frase linda: “Eu me sinto com a obrigação de continuar estudando”. Clichê total, não? E aí, para explicar a voces a minha consternação, faço um ctrl C, e um ctrl V de uma carta escrita pela jornalista pernambucana Silvia Bessa. Esta jovem, com um caminho muito bem percorrido e premiado, diz através do jornal Diário de Pernambuco em reportagem publicada em 19/06/2009:
“Sou jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco há 12 anos. Em todo esse tempo não fui outra coisa a não ser repórter - aquele que tem a tarefa diária de caçar notícias. Já fiz milhares de entrevistas e sei o quanto as técnicas de abordagem, de redação e as noções de ética me valeram. Por esse motivo, me indignei com a decisão do STF de dispensar o diploma para o exercício da minha profissão. Usei cada lição aprendida e tento aprimorar uma a uma ao longo dos anos. Procuro isso em conversas com presidentes, governadores, deputados no Recife e em Brasília ou com anônimos dos confins do Nordeste. Do presidente Lula da Silva à dona de casa Lucimar da Silva, que passa fome no Ceará, foi assim. Com o pé na estrada, descobri que a prática do ofício de um jornalista não se limita à discussão em torno da liberdade de expressão.
Opinião todo mundo tem, pode e deve expressar, mas o jornalismo está alicerçado em informação de qualidade. E, para chegar até ela, é necessário mais que uma opinião. Tive a certeza disso nessa quarta-feira, quando soube da votação do STF e lembrei do quanto difícil foi produzir reportagens sobre uso da internet nos grotões nordestinos, sobre o impacto do aquecimento global ou mesmo sobre a malversação de subvenções sociais por deputados. Fiquei imaginando se, mesmo com a capacidade que devem ter para chegar ao Supremo, os ministros teriam condições de fazer qualquer uma delas. Talvez pudessem comentar os temas; testemunhar ou revelar uma realidade vista de vários ângulos, tenho cá minhas dúvidas. E é para isso que jornalistas são formados.
Para ser jornalista é preciso talento com as letras, habilidade para coleta de múltiplas informações, disposição para pesquisa, abertura para ouvir o engravatado, o professor e o descamisado e equilíbrio para narrar os fatos. Reunir essas e outras características independem do diploma, mas o aprendizado acadêmico pode ser decisivo na conquista. A escola é o ponto de partida para o bom jornalismo. Eu não vejo médicos, advogados, professores e outros profissionais com didática suficiente para enviar mais de cem e-mails para conseguir mapear os municípios do Nordeste que possuem lan houses com discagem rápida, para buscar e cruzar dados para entender fenômenos sociais e para entrevistar dezenas de adolescentes e entender o que eles buscam na rede - algumas das tarefas que cumpri para realizar a reportagem sobre o fenômeno das lan houses no interior do Nordeste. Não vejo. Só consigo ver estudantes recém-saídos das faculdades tentando acertar esse caminho e dispostos a seguir o preceito da informação democrática. O resto, para mim, é vaidade de muitos que não conseguem perceber que o fim do diploma para jornalistas compromete o futuro de uma geração nova de profissionais da imprensa. E tem a ver com a confiabilidade do que será escrito por eles.”
Pois é gente, eu sou uma jornalista apaixonadamente pernambucana, com sangue brasileiríssimo, e que a partir de agora colabora com esse blog super nutritivo da professora e poetisa Taninha Nascimento – que confiou num bom bate-papo entre nós. Na próxima postagem prometo deixar de tanto blábláblá, e a gente se aproxima mais da educação, da política e da cultura, tá certo?
Um forte abraço, e até breve!
15 julho, 2009
Um caso de corrupção na universidade - Urariano Mota

O professor, de quem copio as palavras a seguir, não quer nem pode ser identificado. Adianto apenas que ele é Doutor em importante universidade brasileira.
"Eu fui nomeado para ser relator de uma dissertação de mestrado. Nada de mais, isso faz parte do meu trabalho. Por experiência eu sei que não devo esperar teses que revolucionem o mundo da ciência. Para dizer a verdade, eu não devo esperar a mínima contribuição para qualquer coisa, a mínima que seja. Com franqueza, eu lhe digo que se este fosse o critério, eu próprio não estaria no lugar onde estou. Pois bem.
Quando eu havia corrigido cerca de 2/3 da tese, umas 60 páginas, eu tinha computado cerca de 150 erros de português. Eu não sou exatamente um cultor do português, a minha especialidade é outra. Mas havia erros crassos, clamorosos, gritantes até para um indivíduo como eu. O que o trabalho não sabia de português, melhor ainda não sabia da ciência biológica. Que maravilhosa coerência, não é? Havia antagonismos, buracos, hiatos, saltos... O que faço então? Chamei o aluno à minha presença, contei-lhe o estado deplorável da sua tese.
O aluno, um jovem astuto, muito vivo, me respondeu então, na minha cara, pois a que cara ele haveria de falar, não é?... na minha cara ele me disse que não teria tempo de fazer as correções antes da defesa, e que viria um outro doutor de Brasília para a banca examinadora, etc, etc. Então eu disse a ele: 'Escute, você me fez perder um tempo grande nesta correção. Mas, se a data da defesa já está marcada e seu orientador acha que o seu trabalho está apresentável, eu não vou criar problemas. Agora, tem uma coisa: Retire o meu nome na qualidade de relator, está certo assim?'
Não sei por que cargas d'água o novo cientista achou que a comissão examinadora
poderia criar problemas se ele não recebesse 'o apto a ser julgado' do relator, no caso, eu. Por conta dessa dúvida, ele apareceu lá em minha casa, acompanhado dos seguintes fundamentos teóricos e experiências de laboratório: o seu poderoso e importante pai, com mostras de riqueza nas roupas, nos sapatos, a mencionar de passagem o carro importado, e mais importantes citações científicas, todas de nomes de políticos e de pessoas influentes da sociedade. Claro, como a visita era de amizade, como era uma política de boa vizinhança, eles vieram, a título de apresentação, com um lítro de uísque antigo, cujo preço é o meu salário.... É claro, eu não só dispensei o 'presente' como voltei a explicar tudo de novo: 'O problema é seu e de seu orientador. O que vocês acordarem, para mim estará ótimo. Agora, não coloque o meu nome nessa história. Só isso.'
Bem, o jovem cientista defendeu o indefensável, não fez as modificações sugeridas nem
por mim nem pela banca examinadora, e quando imprimiu os seis exemplares da dissertação colocou o meu nome como relator. Eu fiquei furioso, e só não chamei o cara de santo. Então, fiz uma reclamação por escrito ao coordenador da Pós-graduação e lhe disse que já era a segunda vez que me faziam de palhaço. Por fim, e numa atitude radical, consegui apagar com corretivo o meu nome em quatro dos seis exemplares impressos. O pai do aluno, quando soube dessa minha atitude, que fez? Imagine, o pai do farsante me ameaçou com um processo. Eu era o delinquente! Ainda bem que para a minha felicidade, para que o pai indignado não levasse adiante o processo, não havia prova de que eu fosse o executor de haver borrado o meu próprio nome. E para maior prova de minha boa vontade, ainda havia dois exemplares com o nome legível do relator: o meu.
Agora, vem a melhor parte: contando isso aos colegas professores em uma reunião do Departamento de Biologia, em vez de receber apoio integral pela minha atitude, eu
fui acusado de estar com excesso de 'preciosismo' nas minhas correções. Os professores mais corruptos disseram que eu havia sido imbecil, idiota, metido a Robespierre em não ter aceitado o litro de uísque do cara. Em nome até da presente marcha de valores, eu nada respondi a quem me chamou de Robespierre barato. Minha cabeça poderia ir para a guilhotina.
Para encerrar, eu lhe peço que não mencione o meu nome, pelo amor de Deus. Pelo amor da ciência, eu preciso deste meu emprego para viver".
02 maio, 2009
Geir Campos e a geração de 45 [link de atalho]
Amigos,
O Prof. Jayme Bueno postou em seu blog um espetacular texto sobre o poeta Geir Campos.
O texto nos ajuda a contextualizar ainda mais o post que coloquei sobre POETAS DE 45.
Vale a pena conferir!!Link: http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/geir-campos-e-geracao-de-45.html
O Prof. Jayme Bueno postou em seu blog um espetacular texto sobre o poeta Geir Campos.
O texto nos ajuda a contextualizar ainda mais o post que coloquei sobre POETAS DE 45.
Vale a pena conferir!!Link: http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/geir-campos-e-geracao-de-45.html
13 fevereiro, 2009
HF nas "Cordas de Correspondência (releitura)"
Hercília Fernandes.
Autora de versos, imagens e canções. Professora no curso de Pedagogia (CERES / UFRN); Mestra em Educação (PPGED / UFRN) e Especialista em Ed. Infantil (UFRN).
É, resumindo, uma grande educadora e poetisa desse Brasilzão de meu Deus. De Caicó – RN . Cidade onde nasceu e passou sua infância, adolescência e mocidade; lugar onde vive.
Hercília é uma dessas gratas surpresas que a internet nos reserva. Somos amigas. Aprendo muito com ela sobre Literatura, Poesia e Educação. Nunca nos encontramos pessoalmente, mas nutrimos um carinho enorme, uma pela outra, como se fôssemos duas irmãs. Carinho e respeito.
Sou fã de carteirinha de HF e tenho todos os seus livros já publicados e ainda um CD com seus poemas traduzidos em canções. Lindo demais! Poemas em canções que falam com delicadeza e beleza das coisas do nosso lindo Nordeste.
Esta breve Biografia é para falar de sua postagem “Cordas de Correspondência (releitura); que se encontra em seu blog HF diante do espelho.
Em conversa informal, Hercília fala que o poema discute "paradigmas e liberdade de expressão na criação", através de uma abordagem histórica e da adoção de uma linguagem poética, cujo objetivo é levar o leitor à reflexão dos consensos e preconceitos existentes nos valores dos escritores. Já a linguagem, no poema, busca unir formalidade e ruptura a qual - exatamente - pretende acentuar que ambas não são divergentes, porém os valores sobre como se pensam os padrões de criação é que precisam e devem ser repensados; como, por exemplo, no tocante à formalidade da linguagem e à métrica, no uso de rimas e à valorização da oralidade. A ruptura, por sua vez, acontece na irregularidade dos versos, na ausência de vírgulas, letras maiúsculas, etc... Sobretudo na apresentação de um flexível olhar sob o processo criativo aliado a antigas fórmulas de composição, como o uso de aliterações que causa movimento, ritmo e leveza lúdica ao poema.
Na exposição poética do tema, o canal de comunicação é o próprio fazer metalinguístico, já que os versos pontuam, historicamente, os valores inerentes à criação literária, estabelecendo analogias com algumas características existentes nas correntes literárias brasileiras.
Convém ressaltar que essas cordas de correspondência é uma síntese de diálogos travados com Fernando Cisco Zappa - no blog Novidades & Velharias. Zappa é formado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, reside em Belo Horizonte, e difunde sua prosa e poesia no blog Cisco Zappa. Passemos ao poema:
(Para todos os leitores e poetas que por essas águas repousam os olhos).
Arte: Fá Duarte
nessas cordas de correspondência
fervilha formalidade em padrões de literariedade
seja de ruptura ou de tradição
desde que não se reprimam possibilidades
e se afirmem ditaduras com normas obscuras
de uma entulhada convenção
fervilha formalidade em padrões de literariedade
seja de ruptura ou de tradição
desde que não se reprimam possibilidades
e se afirmem ditaduras com normas obscuras
de uma entulhada convenção
o que se busca é a existência da palavra
com letras alvas / obtusas ou à bastão
na voz do lírico / do filósofo / do telúrico /
do profeta ou do pagão
com letras alvas / obtusas ou à bastão
na voz do lírico / do filósofo / do telúrico /
do profeta ou do pagão
pois que venham os aluísios / os machados / os fabrícios
e os freis da santa rita durão
e os freis da santa rita durão
os simbolistas com chumaços de fumaça / de sumos /
de uma amálgama ou dulcíssima digestão
de uma amálgama ou dulcíssima digestão
os modernistas / os regionalistas / com seus travos e desagravos
nas espingardas / nas alpargatas da Revolução
nas espingardas / nas alpargatas da Revolução
e os neoconcretistas com ausência de verso / de metro
e anuência de berro de significação
e anuência de berro de significação
pois que nessas cordas de correspondência...
só se nega a linearidade
da opressão!
só se nega a linearidade
da opressão!
(Hercília Fernandes)
Bem, eu enquanto educadora, fiquei maravilhada com essa "prosa" entre os dois poetas e, comentei o seguinte:
"Oi, amiga Hercília. Diante de um texto assim, só me resta aplaudir e, de pé... Você simplesmente conseguiu reunir num só poema tantos e tantos temas e conceitos acerca da LINGUAGEM que, um bom seminário, em um só dia, não daria conta. É um hipertexto sem links. Uma associação de idéias e analogias em versos. Transmitir conhecimento usando a poesia é espetacular. O texto é riquíssimo. Brilhante, amiga. Dá orgulho ser Educadora e saber que no Brasil há profissionais assim. Parabéns! Grande abraço, Taninha."
Não posso deixar de parabenizar também o poeta Fernando Cisco Zappa pela visão de linguagem e ludicidade de seus poemas.
Abraços fraternos a ambos,
Taninha Nascimento.
Taninha Nascimento.
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