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22 janeiro, 2009

A PRODUÇÃO DE TEXTO NA ESCOLA
















Prof. Jayme Ferreira Bueno



Como docente em cursos de Letras, tive a oportunidade de acompanhar em sala de aula a produção de texto, desde os mais simples aos mais complexos. O que se observa é a extrema dificuldade que todos nós, alunos e professores, temos quando nos propomos a redigir um texto.
Esta dificuldade, ao menos em parte, deve-se principalmente à ausência de tradição no ensino do país de práticas docentes que levem a essa produção de textos. Só atualmente, por iniciativa de alguns professores isoladamente ou na proposta de alguns cursos específicos procura-se romper essa situação e suprir tal deficiência.
A escola não tendo oferecido aos estudantes dos níveis anteriores ao ensino superior as técnicas e a oportunidade de produzir textos, não proporciona as condições necessárias de conhecimento e de incentivo para uma prática que deveria ser comum na vida universitária, a produção de um texto de relativa qualidade. Entende-se por texto com razoável qualidade aquele que se apresenta com as características de legibilidade fluente e atrativa e de entendimento claro. A coesão e a coerência são fundamentais para a organização de um bom texto.
Uma proposta de trabalho pode ser analisar textos produzidos inicialmente sem orientação do professor Numa segunda fase, esses textos seriam refeitos pelo aluno após a intervenção docente. Assim, poderia conseguir-se um texto que apresentasse evolução qualitativa quanto à estruturação.
Proposta como a apresentada poderá mostrar que o aluno que redige com conhecimento teórico dos principais elementos da lingüística textual e que recebe o acompanhamento de um docente especializado na teoria e na prática da produção de textos, poderá produzir um texto com melhor qualidade, aquele que se torna de leitura fluente e compreensível.
O texto que se busca com ações docentes como a relatada deve ser um texto que se diferencie daquele texto desestruturado que o estudante geralmente apresenta antes de ingressar no ensino superior. Geralmente os alunos redigem um texto ilegível e ilógico por completa falta de coesão e de coerência, como se lê em muitas redações dos vestibulares. Esse texto, por não apresentar coesão e coerência, não consegue sustentar-se como estrutura lingüística capaz de transmitir alguma informação ao leitor.
Textos assim estruturados geralmente reproduzem chavões, fórmulas feitas, um discurso preestabelecido. Nesse caso, pelo fato de o aluno não dominar as técnicas de produção de texto e de não ter informação sobre o que está redigindo, o texto soa falso e desligado da realidade.
Escrever é uma prática que depende de outra, que é ler. A leitura e a escrita se complementam numa relação de interdependência. Uma necessita da outra, apóia-se na outra. Na prática textual escolar, a partir, ao menos do ensino médio, o exercício de produção de texto devia sempre vir antecedido da leitura de bons textos. Só se pode comunicar aquilo que, primeiro, sabemos ou que passamos a saber por fontes de informação, como, por exemplo, com a leitura de bons textos.
Conclui-se, portanto, que a leitura e a escrita deveriam constituir práticas privilegiadas na escola do ensino médio e continuar a ser no ensino universitário, em especial nos cursos da área humanística. Portanto, a busca por bons textos na escola deve ser tarefa permanente.