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26 abril, 2010

A Ignorância e a Burrice - Por Antonio Caetano

"As constelações servem para esclarecer a noite". Bela frase, não? A mim, soa como Guimarães Rosa, o uso ambíguo do verbo esclarecer sugerindo algo de arcaico e místico. Um astrólogo certamente enxergaria nela vestígios simbólicos, as constelações servindo para aclarar a obscuridade de nossos destinos. Um marinheiro, por outro lado, veria na frase a expressão de uma verdade empírica: à noite, navegamos orientados pelas estrelas — conhecimento indispensável quando nos faltam instrumentos. Eu fico com a ressonância lírica — me basta.

Juro: se pudesse, roubava a frase para dizê-la como um comentário displicente depois de observar longamente o céu salpicado de estrelas numa noite de lua nova, lá no alto da serra. Sim, depois de um longo silêncio eu sussurraria ao teu ouvido num tom grave e sorrateiro: "As constelações servem para esclarecer a noite", e certamente mais duas estrelas se acenderiam no teu rosto, cheias de admiração pela sabedoria que eu teria se a frase fosse minha...

E nem seria difícil me apropriar da frase, visto que ela talvez hoje envergonhe seu autor anônimo, depois de ter sido enjeitada pelos bedéis do senso comum que julgaram as redações da galera que prestou vestibular para UFRJ este ano. Eles não só não gostaram da frase como a incluíram em uma mensagem eletrônica que fizeram circular pela Internet (eu só recebi agora) reunindo o que consideraram ironicamente como "pérolas": frases que continham erros mais ou menos crassos — fosse de informação, sintaxe ou grafia.

[Continue a leitura em Projeto Releituras / textos para relaxar  -
crônica escrita em 5 de fevereiro de 2001]













Taninha Nascimento

31 março, 2009

A questão da observação.


Todas as pessoas sensíveis, não apenas os Educadores, sabem que a observação é a chave da "avaliação". Esta avaliação está entre aspas porque não diz respeito a uma avaliação crítica apenas. Mas a uma avaliação que busca conhecer, saber melhor dos detalhes, que fazem toda a diferença entre uma e outra criatura humana. Seja ela criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso.
A observação, especificamente das crianças, num momento de lazer; num momento lúdico - principalmente por serem crianças - as revelam tais como são, sem artifício algum; inibidas, desinibidas, arredias, sociaveis, com espírito de liderança, apáticas e, também, com suas genialidades que, sem uma observação atenta, tais peculiaridades passam desapercebidas ...
O autor da crônica que vou postar captou toda uma questão Educacional Pedagógica - importantíssima - sem nem se dar conta, pois sendo um cronista, seu olhar é observador por natureza.
Não existe ensino aprendizagem sem o recurso da observação. O professor pode errar feio em sua avaliação, planejamento e estratégias.
Tal assunto me remete ao texto de Mark Twain : "O camelo extraviado" - que postei no meu outro blog; No rastro da Poesia... http://norastrodapoesia.blogspot.com/2008/07/o-camelo-extraviado.html
Vamos, então, a Crônica da Semana do Café Impresso - do Cronista Antonio Caetano.
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Domingo, 29 de Março de 2009
O show do Artur
O Artur é uma figuraça! Deve ter uns três anos, mas o seu prazer não é andar nessas máquinas infantis que se espalham pelos shoppings. Não! Ele gosta é de vê-las funcionando. A mãe coloca a ficha e o Artur começa a correr em volta da máquina sob o olhar preocupado da mãe, temerosa que o menino acabe sofrendo um acidente. Mas ele parece atento aos riscos pois, ao mesmo tempo que se curva e agacha e espicha todo para acompanhar os detalhes do movimento da nave espacial que sobe e desce e vai e vem, esquerda e direita, para cima e pra baixo, olhando-a por todos os ângulos possíveis, o Artur também foge dela e se desvia e esquiva, enquanto comenta com a mãe numa linguagem muito expressiva, cheia de exclamações de surpresa e êxtase, mas que só eles dois entendem. Quem passa e calha de prestar atenção na cena ou não entende nada ou pára discretamente para assistir o show do Artur. Outro guri chega com o pai e os dois parecem dispostos a esperar pacientemente a sua vez, mas a mãe do Artur logo oferece: - Se você quiser, pode colocar o seu filho no brinquedo... O que o meu gosta mesmo é de ficar olhando... Penso sentir certo tom de resignada estranheza na voz da mãe de Artur, como se o gosto do menino fosse de uma bizarrice incompreensível... Talvez seja só um pouco de enfado por ter de novamente repetir a mesma oferta e a mesma explicação, o espírito já pronto para responder a alguma réplica cheia de ironia ou espanto. Mas o pai do outro menino simplesmente atende a sugestão da mãe do Artur e coloca o filho na cabine da nave - para alegria redobrada do Artur que agora também se dirige ao piloto em sua linguagem alienígena! O outro menino está visivelmente constrangido com a quebra da ordem previsível e olha para o pai com a expressão universal de quem não está entendendo nada. E eu, ali ao lado, tirando uma xerox, encantado por ter o privilégio de testemunhar os primeiros passos de um gênio. Porque [...]
Você pode continuar a leitura no Café Impresso :
Podem comentar aqui ou lá, tanto faz.
Para os educadores ou interessados no assunto, este texto dá um "bom caldo".
Grande beijo,
Taninha