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13 fevereiro, 2009

HF nas "Cordas de Correspondência (releitura)"


Hercília Fernandes
.



Autora de versos, imagens e canções. Professora no curso de Pedagogia (CERES / UFRN); Mestra em Educação (PPGED / UFRN) e Especialista em Ed. Infantil (UFRN).
É, resumindo, uma grande educadora e poetisa desse Brasilzão de meu Deus. De Caicó – RN . Cidade onde nasceu e passou sua infância, adolescência e mocidade; lugar onde vive.
Hercília é uma dessas gratas surpresas que a internet nos reserva. Somos amigas. Aprendo muito com ela sobre Literatura, Poesia e Educação. Nunca nos encontramos pessoalmente, mas nutrimos um carinho enorme, uma pela outra, como se fôssemos duas irmãs. Carinho e respeito.
Sou fã de carteirinha de HF e tenho todos os seus livros já publicados e ainda um CD com seus poemas traduzidos em canções. Lindo demais! Poemas em canções que falam com delicadeza e beleza das coisas do nosso lindo Nordeste.
Esta breve Biografia é para falar de sua postagem “Cordas de Correspondência (releitura); que se encontra em seu blog HF diante do espelho.
Em conversa informal, Hercília fala que o poema discute "paradigmas e liberdade de expressão na criação", através de uma abordagem histórica e da adoção de uma linguagem poética, cujo objetivo é levar o leitor à reflexão dos consensos e preconceitos existentes nos valores dos escritores. Já a linguagem, no poema, busca unir formalidade e ruptura a qual - exatamente - pretende acentuar que ambas não são divergentes, porém os valores sobre como se pensam os padrões de criação é que precisam e devem ser repensados; como, por exemplo, no tocante à formalidade da linguagem e à métrica, no uso de rimas e à valorização da oralidade. A ruptura, por sua vez, acontece na irregularidade dos versos, na ausência de vírgulas, letras maiúsculas, etc... Sobretudo na apresentação de um flexível olhar sob o processo criativo aliado a antigas fórmulas de composição, como o uso de aliterações que causa movimento, ritmo e leveza lúdica ao poema.
Na exposição poética do tema, o canal de comunicação é o próprio fazer metalinguístico, já que os versos pontuam, historicamente, os valores inerentes à criação literária, estabelecendo analogias com algumas características existentes nas correntes literárias brasileiras.
Convém ressaltar que essas cordas de correspondência é uma síntese de diálogos travados com Fernando Cisco Zappa - no blog Novidades & Velharias. Zappa é formado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, reside em Belo Horizonte, e difunde sua prosa e poesia no blog Cisco Zappa. Passemos ao poema:

Cordas de Correspondência (releitura)
(Para todos os leitores e poetas que por essas águas repousam os olhos).
nessas cordas de correspondência
fervilha formalidade em padrões de literariedade
seja de ruptura ou de tradição
desde que não se reprimam possibilidades
e se afirmem ditaduras com normas obscuras
de uma entulhada convenção


o que se busca é a existência da palavra
com letras alvas / obtusas ou à bastão
na voz do lírico / do filósofo / do telúrico /
do profeta ou do pagão


pois que venham os aluísios / os machados / os fabrícios
e os freis da santa rita durão

os simbolistas com chumaços de fumaça / de sumos /
de uma amálgama ou dulcíssima digestão

os modernistas / os regionalistas / com seus travos e desagravos
nas espingardas / nas alpargatas da Revolução

e os neoconcretistas com ausência de verso / de metro
e anuência de berro de significação


pois que nessas cordas de correspondência...
só se nega a linearidade
da opressão!

(Hercília Fernandes)








Bem, eu enquanto educadora, fiquei maravilhada com essa "prosa" entre os dois poetas e, comentei o seguinte:

"Oi, amiga Hercília. Diante de um texto assim, só me resta aplaudir e, de pé... Você simplesmente conseguiu reunir num só poema tantos e tantos temas e conceitos acerca da LINGUAGEM que, um bom seminário, em um só dia, não daria conta. É um hipertexto sem links. Uma associação de idéias e analogias em versos. Transmitir conhecimento usando a poesia é espetacular. O texto é riquíssimo. Brilhante, amiga. Dá orgulho ser Educadora e saber que no Brasil há profissionais assim. Parabéns! Grande abraço, Taninha."


Não posso deixar de parabenizar também o poeta Fernando Cisco Zappa pela visão de linguagem e ludicidade de seus poemas.


Abraços fraternos a ambos,
Taninha Nascimento.

29 novembro, 2008

Arte e Poesia.



A arte da poesia e a poesia da arte.

[por Taninha Nascimento]

Sempre que trato desse assunto me pergunto: mas... O que vem a ser arte?

Podemos voltar ao início da civilização e pensarmos sobre nossos antepassados mais remotos e, tentarmos focar nosso olhar em toda a ação humana sobre aquele mundo; aquela realidade. E... Pronto! Eis a arte! Esta, caminhando junto aos primeiros passos da linguagem e do conhecimento, formou e continua a formar o que vem a ser o nosso acervo cultural. Acervo este, para sempre inacabado. Resultado de nossas mais simples e complexas necessidades de seres pensantes e vivos - resultantes e envoltos nas mais diversas circunstâncias sociais, físicas e emocionais.

Para mim, o que pode distinguir um ser racional de um irracional é a arte – que está diretamente ligada à inteligência e à sensibilidade. Arte, inteligência e sensibilidade, “os três pilares da humanidade”. Penso até, que um não dependa totalmente do outro, entretanto, a ausência de um deles, empobrece qualquer ação humana.

Experimente tirar de um Van Gogh, a arte ou a inteligência, ou ainda, a sensibilidade... Impossível, não? Tente agora, com Shakespeare; com Bach; com Einstein; com Freud; com Nietzsche; Machado de Assis; Aleijadinho; Niemayer; Chico Buarque; Ronaldinho [gaúcho ou carioca]; Airton Sena... E, por aí vai... Você acha possível? Simplesmente, não seriam eles... Óbvio e claro.

Tente agora, acrescentar a arte, a sensibilidade e a inteligência a Hitler... Pois é... Você dirá: “Inteligente, ele foi...”. Porém, será que lhe faltou a arte aliada à sensibilidade? Pois artista, ele também o foi e , conversando com um amigo, ele me acrescentou que Hitler amava a arte "clássica e neoclássica", mas sem as emoções trazidas pelo expressionismo, por exemplo... [ o que , com certeza, um bom psicólogo saberia explicar...] . Arraigada estava nele, a arte criminosa aliada à inteligência...

Pois é... Por isso, eu digo que são os três pilares, posto que na ausência de um, modifica-se todo o perfil desse alguém. Mas nada disso [sobre estes "três pilares"] pesquisei, hein! É uma “tese” apenas. Nem isso. É algo intuitivo. É um “pensar alto”...

Bem, voltando ao assunto, vamos falar especificamente da poesia. Afinal, o que vem a ser poesia e onde ela se encontra?Alguns podem responder precipitada e equivocadamente: “Ora, a poesia encontra-se nos versos e prosas”... “Nas rimas”... Sim, claro! Mas, não apenas nestes. A poesia está nas mais simples ações cotidianas, as quais nem precisam, em minha opinião, de palavras para expressa-las... Quem não vê poesia na natureza? Nas telas, esculturas, nas sinfonias, nos aviões?E numa simples pipa no céu?...Enfim... E nos Homens e nas suas ações ?[crianças, jovens, moços e velhos]... Ah... A poesia está em nosso dia-a dia. Que, muitas vezes é cruel... Triste... Amargo... Sofrido... Sim! Há poesia na morte, na loucura, na doença, na dor, na raiva, no ódio e na repulsa... Qualquer um que diga que não, a meu ver, está equivocado. Pois é por conta dessa poesia toda - que há no mundo e submundo - que os artistas, não se agüentam e precisam expressa-la. Alguns o fazem através dos versos e prosas para serem sentidos, lidos declamados, dramatizados... Toda doçura, azedume, alegria, tristeza, beleza e feiúra, amor e desamor, se farão presentes. Claro!! Outros mostram sua arte poética através das canções. Temos as mais variadas, entre estas, Hip hop, Rap, Funk... Aí, possível leitor, você me dirá : “Isso não é poesia!”. Ora... Claro que é...

Então, podemos resumir a poesia assim: “um jogo”, cujas peças são as palavras que se movimentam nas mãos hábeis e olhos atentos. O objetivo do “jogo” é despertar formas e formas de interpretar o mundo, de senti-lo [pincipalmente], de lê-lo – ousando, ou não - tentar entende-lo... Ganha o “jogo” quem o fizer melhor –“construindo as regras, ou jogando”.

Sim, “jogando”, pois na fruição ou, contemplação, movemos as peças e podemos “recriar as regras do jogo enquanto se joga”. O que tento dizer é que participamos, também, do ato de criação do autor , quando nos envolvemos, contemplando, fruindo... Tornando-nos co-autores numa atitude ativa e, não meramente passiva – como possa parecer. Onde tudo em nós se move e se envolve para dar sentido àquela arte que - em nós - "recriamos".

Texto inspirado no material: Ensino Fundamental de Nove Anos - MEC

Arte de Monet