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01 novembro, 2010

Solilóquio sem fim e rio revolto - Jorge de Lima


Solilóquio sem fim e rio revolto -


mas em voz alta, e sempre os lábios duros

ruminando as palavras, e escutando

o que é consciência, lógica ou absurdo.



A memória em vigília alcança o solto

perpassar de episódios, uns futuros

e outros passados, vagos, ondulando

num implacável estribilho surdo.



E tudo num refrão atormentado:

memória, raciocínio, descalabro...

Há também a janela da amplidão;



e depois da janela esse esperado

postigo, esse último portão que eu abro

para a fuga completa da razão.



Jorge de Lima

(1893-1953)



site da imagem

10 dezembro, 2009

Comunidade "Soledad no Recife"

Amigos, amigas e resistentes




Foi criada no Orkut uma comunidade para o livro "Soledad no Recife". Está aqui http://www.orkut.com.br/Main?rl=ms#Community?cmm=96852995




Em Soledad no Recife, um narrador-personagem conta com um sentimento de amor os últimos dias de Soledad Barret. É um olhar de 37 anos depois para um dos muitos crimes hediondos da Ditadura pós 64.



O assassinato de militantes, em especial de Soledad Barret, grávida de seu ex-companheiro e infiltrado da Ditadura Militar, o famoso Cabo Anselmo, que a entregou a Fleury. "Nenhuma ficção sobre o período foi tão longe e nem tão fundo", na definição do escritor e ex-preso político Alípio Freire.



"Vamos, através desta comunidade, difundir a beleza deste livro..vamos discutir a 'sombra' que separa o os 37 anos do personagem-narrador...escancarar a ignomínia do Cabo Anselmo e a indecência desse crápula que mandou sua companheira e seu filho-feto para os porões da tortura e morte!! ", diz o perfil da comunidade.

04 outubro, 2009

GRACIAS A LA VIDA

"TODO POETA É UM PROFETA"

"O POETA FINGE NÃO CONHECER O QUE JÁ SABE"

CESARE PAVESE











Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me dois olhos que, quando os abro

perfeitamente distingo o preto do branco

e no alto céu, o seu fundo estrelado

e nas multidões, o homem que eu amo.

.

Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o ouvido que, em toda a amplitude,

grava, noite e dia, grilos e canários

martelos, turbinas, latidos, chuviscos

e a voz tão terna do meu bem amado.

.

Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o som e o abecedário

e, com ele, as palavras com que penso e falo

mãe, amigo, irmão e luz iluminando

a rota da alma de quem estou amando.

.

Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me a marcha dos meus pés cansados

com eles andei por cidades e charcos,

praias e desertos, montanhas e planícies

pela tua casa, tua rua e teu pátio.

.

Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o coração que todo se agita

quando vejo o fruto do cérebro humano,

quando vejo o bem tão longe do mal,

quando vejo no fundo do teus olhos claros.

.

Obrigado à vida que me tem dado tanto

deu-me o riso e deu-me o pranto

assim eu distingo a felicidade da tristeza,

os dois materiais de que é feito o meu canto

e o canto de todos, que é o meu próprio canto

.

Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

Obrigado à Vida

.

de Violeta Parra



















*****






A cantora Mercedes Sosa faleceu aos 74 anos, neste domingo (4), em Buenos Aires, na Argentina. Ela estava internada desde 18 de setembro por causa de uma disfunção hepática. Porém, o quadro foi agravado com complicações cardiorrespiratórios.
Segundo o hospital Sanatorio de la Trinidad, onde Mercedes esteve internada, a intérprete sofria "disfunção renal progressiva". Em março deste ano ela já havia sido internada apresentando desidratação e pneumonia.
Mercedes é considerada uma das maiores cantoras argentinas. Este ano ela foi indicada à três Grammy Latino, pelo álbum "Cantora".
Biografia
Mercedes Sosa nasceu em San Miguel, na Argentina, em 1935. De origem humilde, a cantora cresceu admirando artistas populares e as canções folclóricas do país. Em 1960 já se destacava pela sua voz potente e deu início ao "Movimento Del Nuevo Cancionero", considerado precursor dos protestos através da música.
Seu talento chamou atenção da elite argentina, que não estava acostumado com o seu repertório. Ao longo de sua carreira chegou a gravar mais de 40 discos.
Em 1979, devido seu engajamento político, a cantora foi exilada de sua terra natal e teve que passar uma temporada em Paris, na França, e em 1980 mudou-se para Madri, na Espanha. Mercedes até poderia entrar e sair da Argentina livremente, mas foi proibida de cantar.
Três anos depois, "La Negra", como era chamada pelos fãs, pôde voltar ao seu país de origem para se apresentar. Na época, ela também veio ao Brasil divulgar o disco "Gente Humilde".
Com o fim da ditadura argentina, em 1984, Mercedes Sosa comemorou o retorno da democracia com o espetáculo "Corazón Americano", ao lado do brasileiro Milton Nascimento e León Gieco. Em 1988, ela gravou o disco "Amigos Mios", com participação de Pablo Milanés, Teresa Parodi, Cherly García, Raimundo Fagner, e outros.
No ano seguinte, Mercedes recebeu a medalha de Comendadora das Artes e das Letras do embaixador da França na Argentina, Pierre Décamps. Em 1992, recebeu homenagem de cidadã ilustre de Buenos Aires.
Em 2000, a cantora gravou a canção "Misa Criolla" que lhe rendeu um Grammy Latino.
O sucesso continuou e Mercedes seguiu com seus show até 2003, quando teve interromper a carreira por um problema cardíaco.
Dois anos depois, a estrela voltou aos palcos e conseguiu três indicações ao Grammy Latino em 2009, pelo álbum "Cantora".


FONTE: MSN ENTRETENIMENTO

26 setembro, 2009

Falando em poesia...

A poesia como ponto de partida.


Por Lau Siqueira


Nos últimos anos tenho acompanhado razoavelmente o debate acerca da importância da poesia, enquanto gênero literário. Em 2005, recebi uma provocação do Festival Recifense de Literatura. Fui “intimado” pelo poeta Pedro Américo, para falar sobre poesia e mercado. Na época, um período bastante atribulado da minha vida profissional, somente pude dar atenção ao assunto uns cinco dias antes da palestra. Fiquei um tanto atônito porque não existiam referências, praticamente. Encontrei apenas um texto de Geir Campos, de décadas e décadas passadas. Pois não é que em “Carta aos Livreiros”, o poeta relatava exatamente o mesmo drama vivido pelos poetas do século XXI, em relação mercado editorial? Acabei escrevendo um texto para orientar a minha palestra, que acabei publicando na revista Discutindo Literatura e em alguns sites.



Existe aí uma questão que tem me instigado bastante. Apesar de ser um gênero considerado não comercial, os fatos nos mostram que a poesia é um dos gêneros mais lidos. Do ponto de vista do mercado editorial, os poetas desafiam os best Sellers através do tempo. Por exemplo, ninguém lembra quem eram os Best Sellers da época em que Baudelaire circulava pelas ruas de Paris. No entanto, o poeta francês continua vendendo nas livrarias do mundo inteiro. A coleção “Melhores Poemas”, da Global Editora, apresenta índices invejáveis de vendas. Somente o poeta Mário Quintana vendeu bem mais de 100 mil exemplares. Na margem do mercado, os cordelistas da Paraíba, num dos últimos festejos juninos da capital, chegaram a vender 800 exemplares em único final de semana.



A recente pesquisa, já citada por mim no blog Pele Sem Pele algumas vezes, “Retratos da leitura no Brasil”, editada pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, traz dados atualíssimos (de 2007) e impressionantes. A pesquisa foi coordenada por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP e editada também sob sua orientação, com textos de dez especialistas. Entre eles, nomes de conhecidos como Moacir Sclyar. Esta pesquisa aponta a poesia entre os cinco gêneros preferidos dos leitores. Considerando-se entre esses gêneros o romance, os livros didáticos, os livros religiosos e a literatura infantil. Também segundo a pesquisa, seis poetas aparecem entre os 25 autores brasileiros mais lidos no país. Vinícius de Morais é o quinto autor na preferência dos brasileiros, somente para se ter uma idéia de uma lista que traz nomes como Monteiro Lobato (o primeiro de todos), Machado de Assis, Ariano Suassuna, Paulo Coelho, Bispo Edir Macedo, Clarice Lispector, etc. Não contabilizo aí o paraibano Ariano Suassuna como poeta, apesar de escrever poemas e ter na sua obra, segundo ele próprio, uma forte vertente poética.



Em recente entrevista ao programa Letra Lúdica, da TV UFPB, falei sobre o livro Retratos da Pesquisa. No entanto, notei que o editor do programa o poeta paraibano José Antônio Assunção, forçava a barra para que eu falasse mais e mais dos números impactantes da poesia na pesquisa. Então, desenvolvemos muito mais uma boa prosa sobre o tema que sobre os desvendamentos da pesquisa enquanto diagnóstico da leitura no país. Observamos, por exemplo, que o jovem é o grande leitor brasileiro. De um modo geral, observa-se também que há uma empatia da juventude para com a poesia. Basta ver o imenso sucesso editorial do Livro da Tribo entre os jovens brasileiros, publicado anualmente pela Editora da Tribo(SP). Poetas como Paulo Leminski, Alice Ruiz e até mesmo Augusto dos Anjos, aparecem nitidamente na preferência da juventude.



Onde quero chegar?
Se algo podemos comemorar nos últimos anos é exatamente a multiplicação de certa “militância” favorável às políticas de leitura. Militância esta que tem sido encontrada tanto no setor público, quanto em iniciativas particulares. Podemos citar entre estas, a de um catador de papel em São Paulo que montou uma biblioteca com mais de 16 mil títulos, num prédio abandonado. Detalhe: os livros foram todos apanhados em lixos residenciais. O projeto Dulcinéia Catadora, também em São Paulo, trabalha oficinas de artes plásticas, leitura e edição, a partir da poesia, principalmente. São inúmeros os exemplos brasileiros que nos levam a acreditar que a poesia é um dos principais vetores para uma política nacional de incentivo à leitura. Uma ação transformadora que não deveria se limitar ao repasse de verbas, mas fundamentalmente, às possibilidades de articulação intersetorial e transversal, principalmente das áreas de educação e cultura.



Isso significa, logicamente, uma ousada transgressão ao que existe hoje em termos de política educacional. Roland Barthes já dizia que a Literatura contém muitos saberes. No entanto, segundo Afrânio Coutinho no Livro Notas de Teoria Literária, “o ensino da Literatura deve emancipar-se da história e da filologia, campos verdadeiramente distintos (...)”. Ele diz também que, “a Literatura vem sendo ensinada por professores, na maioria de português, de mentalidade predominantemente filológica, a Literatura é tornada um subsídio da língua, confundindo-se análise gramatical com análise literária, análise sintática com análise estilística.” O que estamos propondo é uma inversão nessa lógica para que a Literatura desfrute de um espaço próprio, trabalhando muito mais intensamente o que realmente nos interessa: o prazer da leitura. O caráter estruturante das políticas de leitura, seguramente, elevará os níveis de ensino. Afinal, um bom leitor dificilmente será um mau aluno.



Logicamente que temos aqui uma série de vontades íntimas. A maior delas é nos transformarmos em um continente de leitores. Não tenho a menor dúvida que a poesia cumpre, nesse aspecto, um papel introdutório de toda uma política pública para o Livro e a leitura. A boa poesia seduz o leitor para qualquer gênero literário. É muito mais fácil, por exemplo, um leitor de poesia entender obras como Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, ou mesmo Ponto de Mutação, do Fritjot Capra. Pelo imenso grau de popularização da poesia, não estaríamos inventando a roda, mas fazendo-a andar mais rápido, como se diz por aí. Aliás, não podemos esquecer que a roda já está andando. Por exemplo, devemos reconhecer que há uma geração de professores nos cursos de Letras do país inteiro, trabalhando a literatura contemporânea em sala de aula (não apenas poesia). Ainda que predomine o conservadorismo acadêmico. Recentemente ouvi de um amigo que um professor iria fazer sua tese de doutorado sobre a sua poesia e foi desaconselhado por ser o meu amigo, um poeta desconhecido. Portanto, há muito que se avançar ainda em termos de “mudança de hábito”. Mas, as cartas estão na mesa e, não se enganem os incautos, o jogo já começou.



Visite os blogs do autor!




POESIA SIM - http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/



PELE SEM PELE - http://www.lau-siqueira.blogspot.com/

02 maio, 2009

Geir Campos e a geração de 45 [link de atalho]

Amigos,

O Prof. Jayme Bueno postou em seu blog um espetacular texto sobre o poeta Geir Campos.

O texto nos ajuda a contextualizar ainda mais o post que coloquei sobre POETAS DE 45.

Vale a pena conferir!!Link: http://jaymebueno.blogspot.com/2009/04/geir-campos-e-geracao-de-45.html

13 abril, 2009

Poetas de 45


Antonio Olinto




Estamos em 1945, a guerra terminara em 8 de maio. Não sabíamos que ela ia terminar. Mas, no fundo, sabíamos. Sabíamos porque desde o fim de abril, um grupo de jovens poetas, preparamos uma exposição de poesia. Isto mesmo: uma exposição de poesia. Datilografamos poemas em folhas de papel, emolduramo-los como se quadros fossem, e penduramo-los nas paredes da sala de entrada da Escola Nacional de Belas Artes na Rua Araújo Porto Alegre do Rio de Janeiro. Pertencíamos ao grupo: Antonio Fraga, Luciano Maurício, Aladir Custódio, Ernande Soares, Hélio Justiniano e este que vos fala. Conseguimos imprimir um catálogo, para o qual escrevi uma apresentação, com um poema de cada expositor. Inauguramos a mostra em 10 de maio de 1945 (dia do meu aniversário). Era a primeira demonstração pública da geração que viria mais tarde a ser chamada de Geração de 45. Verdade é que; antes dessa data, Nelson Rodrigues lançara o seu Vestido de noiva, Clarice Lispector publicara Perto do coração selvagem e Guimarães Rosa ganhara prêmio, em 1936, com os contos de Sagarana, só publicados mais tarde. Em todos eles havia a marca dos novos tempos. Que veio a ser afinal a Geração de 45? Terá sido simplesmente a negação da Semana de 22? A Semana já havia feito o que tinha de fazer, já havia conquistado o que tinha de conquistar. Mais importante, ainda, entre 22 e 45 houvera uma nova guerra mundial e uma tecnologia que mudava por completo o equilíbrio político das nações.
Era natural que a poesia de 45 abandonasse o poema-piada, que fizera parte do protesto de 1922. Tivéramos um holocausto e uma verdadeira matança que reduzira a população de muitos países. Passáramos por uma ditadura de 15 anos. O ano de 1945 surgia como o início de uma libertação. Estávamos prontos para a mudança. Foi então que um jovem poeta, nascido no Espírito Santo e residente no Rio de Janeiro a partir dos 11 anos, com experiência de vida no mar, como piloto da Marinha Mercante Brasileira, apareceu com seus poemas na face do país. Era uma voz nova. Geração de 45? Pelo calendário, sim – mas não só e nem tanto. Seu lugar em nossa literatura era muito pessoal para ficar assim adstrito. Antes de tudo, Geir Campos escreveu sob um primado ético. Estaria mais perto da poesia dos sucessores de 22, o Jorge de Lima dos sonetos, Jorge e Murilo de Tempo e eternidade e o Carlos Drummond de Claro enigma, publicado um ano depois do livro de estréia de Geir. Depois da famosa e infeliz classificação de José Guilherme Merquior, chamando-a de "dege(ne)ração de 45", muito poeta desejou afastar-se da categoria, tomando-a com isto, pouco atraente. Houve, sim, uma geração de 45, em que estiveram Tiago de Melo, Lêdo Ivo, Paulo Mendes Campos, Antonio Rangel Bandeira e o injustamente esquecido Nilo Aparecida Pinto, entre muitos outros. Aconteceu que a referida geração acabou espremida entre a maré da Semana de 22 e a eclosão do movimento concretista de meados dos anos 50, em que Merquior estava inserido. Nada disso, porém, tem muita importância. A poesia de Geir Campos é de uma clareza tal que se destaca, no período de sua vida, como das coisas mais sérias que a literatura brasileira teve. Suas palavras são as de todo dia, seu ritmo escorre com facilidade, seu significado fica na memória. Eis os oito versos de seu poema Tarefa:
"Morder o fruto amargo e não cuspir/ mas avisar aos outros quanto é amargo,/ cumprir o trato injusto e não falhar/ mas avisar aos outros quanto é injusto,/ sofrer o esquema falso e não ceder/ mas avisar aos outros quanto é falso;/ dizer também que são coisas mutáveis.../ E quando em mitos a noção pulsar/ – do amargo e injusto e falso por mudar,/ então confiar à gente exausta o plano/ de um mundo novo e muito mais humano".



Jornal do Brasil, 5/4/2009.
Imagem disponível no Google Imagens

10 dezembro, 2008

Sobre o Hino Nacional Brasileiro [Prof. Jayme]

Hino Nacional Brasileiro

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Pois é, Taninha.

O Hino Nacional Brasileiro, ao contrário do que muitos afirmam, é um hino forte, épico, retumbante, como diz a própria letra do Hino. Há nele algumas expressões que realmente comovem, dentre essas, aquelas que você citou. Mas vejamos outras:
1. No início, os dois primeiros versos já introduzem um tom de epicismo:
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
Essa imagem de um rio como metáfora de um país todo que ouve o retumbar de um brado que emocionava todo um povo heróico, para mim, é uma imagem forte, sugestiva e também ela heróica como o próprio povo brasileiro.
2. No terceiro verso, a imagem do sol da Liberdade brilhando no céu do Brasil, conjugada com a firmação corajosa também de que a Liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte! ilustra bem um sentimento muito próprio do brasileiro, que é ser livre e que deseja praticar a liberdade. Conhecendo outros países e convivendo com outros povos, pode-se perceber o quanto o brasileiro é um povo livre e amante da liberdade.
3. Na 5.ª estrofe impávido colosso, como um país de enorme grandeza e destemido, reafirma essa epicidade própria do nosso Hino.
4. Na 4.ª estrofe da segunda parte do Hino, aparecem algumas outras afirmações, como as idéias de amor eterno e de paz, que são características realmente do nosso povo. Amar e viver em paz sempre foi um bonito lema para o nosso Brasil.
5. A 5.ª estrofe toda Mas, se ergues da justiça a clava forte, / Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte. Aqui, a afirmação de heroísmo e de vontade de defender a pátria até mesmo com o sacrifício da própria vida é exemplo para nós, que, às vezes, não fazemos nem aquele mínimo que está ao nosso alcance para o bem do nosso país e do nosso povo.
6. É claro que nosso Hino possui passagens românticas, de que se valem muitos críticos para execrarem um Hino que mereceria mais respeito e maior admiração. Há que se levar em conta todo o contexto histórico e literário da época em que foi escrito. Reinava o Romantismo nas artes e a visão de uma Independência que chegara não poderia ser cantada de forma tão bem acabada como está na letra de Joaquim Osório Duque Estrada. Um Hino, porém, complementa-se com a música. E a música e toda a sua musicalidade encontrou em Francisco Manuel da Silva o seu autor perfeito.
7. Por fim, a letra que alterna o épico e o lírico e a música que confere toda a sonoridade a um belo poema se completam e tornam grande o nosso Hino, quer queiram, quer não os seus detratores.


Contribuição de Jayme Ferreira Bueno, que é professor universitário e estudioso de Literatura, com trabalhos publicados na Literatura Brasileira e na Literatura Portuguesa e também em Teoria da Literatura.
Agradeço a preciosa contribuição do Prof. Jayme e indico seu blogger, que trata especificamente de assuntos relacionados à Literatura: http://jaymebueno.blogspot.com/

29 novembro, 2008

Arte e Poesia.



A arte da poesia e a poesia da arte.

[por Taninha Nascimento]

Sempre que trato desse assunto me pergunto: mas... O que vem a ser arte?

Podemos voltar ao início da civilização e pensarmos sobre nossos antepassados mais remotos e, tentarmos focar nosso olhar em toda a ação humana sobre aquele mundo; aquela realidade. E... Pronto! Eis a arte! Esta, caminhando junto aos primeiros passos da linguagem e do conhecimento, formou e continua a formar o que vem a ser o nosso acervo cultural. Acervo este, para sempre inacabado. Resultado de nossas mais simples e complexas necessidades de seres pensantes e vivos - resultantes e envoltos nas mais diversas circunstâncias sociais, físicas e emocionais.

Para mim, o que pode distinguir um ser racional de um irracional é a arte – que está diretamente ligada à inteligência e à sensibilidade. Arte, inteligência e sensibilidade, “os três pilares da humanidade”. Penso até, que um não dependa totalmente do outro, entretanto, a ausência de um deles, empobrece qualquer ação humana.

Experimente tirar de um Van Gogh, a arte ou a inteligência, ou ainda, a sensibilidade... Impossível, não? Tente agora, com Shakespeare; com Bach; com Einstein; com Freud; com Nietzsche; Machado de Assis; Aleijadinho; Niemayer; Chico Buarque; Ronaldinho [gaúcho ou carioca]; Airton Sena... E, por aí vai... Você acha possível? Simplesmente, não seriam eles... Óbvio e claro.

Tente agora, acrescentar a arte, a sensibilidade e a inteligência a Hitler... Pois é... Você dirá: “Inteligente, ele foi...”. Porém, será que lhe faltou a arte aliada à sensibilidade? Pois artista, ele também o foi e , conversando com um amigo, ele me acrescentou que Hitler amava a arte "clássica e neoclássica", mas sem as emoções trazidas pelo expressionismo, por exemplo... [ o que , com certeza, um bom psicólogo saberia explicar...] . Arraigada estava nele, a arte criminosa aliada à inteligência...

Pois é... Por isso, eu digo que são os três pilares, posto que na ausência de um, modifica-se todo o perfil desse alguém. Mas nada disso [sobre estes "três pilares"] pesquisei, hein! É uma “tese” apenas. Nem isso. É algo intuitivo. É um “pensar alto”...

Bem, voltando ao assunto, vamos falar especificamente da poesia. Afinal, o que vem a ser poesia e onde ela se encontra?Alguns podem responder precipitada e equivocadamente: “Ora, a poesia encontra-se nos versos e prosas”... “Nas rimas”... Sim, claro! Mas, não apenas nestes. A poesia está nas mais simples ações cotidianas, as quais nem precisam, em minha opinião, de palavras para expressa-las... Quem não vê poesia na natureza? Nas telas, esculturas, nas sinfonias, nos aviões?E numa simples pipa no céu?...Enfim... E nos Homens e nas suas ações ?[crianças, jovens, moços e velhos]... Ah... A poesia está em nosso dia-a dia. Que, muitas vezes é cruel... Triste... Amargo... Sofrido... Sim! Há poesia na morte, na loucura, na doença, na dor, na raiva, no ódio e na repulsa... Qualquer um que diga que não, a meu ver, está equivocado. Pois é por conta dessa poesia toda - que há no mundo e submundo - que os artistas, não se agüentam e precisam expressa-la. Alguns o fazem através dos versos e prosas para serem sentidos, lidos declamados, dramatizados... Toda doçura, azedume, alegria, tristeza, beleza e feiúra, amor e desamor, se farão presentes. Claro!! Outros mostram sua arte poética através das canções. Temos as mais variadas, entre estas, Hip hop, Rap, Funk... Aí, possível leitor, você me dirá : “Isso não é poesia!”. Ora... Claro que é...

Então, podemos resumir a poesia assim: “um jogo”, cujas peças são as palavras que se movimentam nas mãos hábeis e olhos atentos. O objetivo do “jogo” é despertar formas e formas de interpretar o mundo, de senti-lo [pincipalmente], de lê-lo – ousando, ou não - tentar entende-lo... Ganha o “jogo” quem o fizer melhor –“construindo as regras, ou jogando”.

Sim, “jogando”, pois na fruição ou, contemplação, movemos as peças e podemos “recriar as regras do jogo enquanto se joga”. O que tento dizer é que participamos, também, do ato de criação do autor , quando nos envolvemos, contemplando, fruindo... Tornando-nos co-autores numa atitude ativa e, não meramente passiva – como possa parecer. Onde tudo em nós se move e se envolve para dar sentido àquela arte que - em nós - "recriamos".

Texto inspirado no material: Ensino Fundamental de Nove Anos - MEC

Arte de Monet