23 setembro, 2009

A ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA NA ILHA DA UTOPIA


Holbein, Sir Thomas More (1527),
Frick Collection, New York







Por Jayme Bueno

1. O autor




Tomas More (1478-1535), mais conhecido pelo nome latino Thomas Morus, nasceu em Londres, quando já predominava o Renascimento nos países desenvolvidos da Europa. Com o retorno da cultura clássica, as ideias de Platão e Aristóteles passaram a dominar. Na Idade Média, os religiosos, principalmente Santo Agostinho (mais platônico) e São Tomás de Aquino (mais aristotélico) já haviam fundido o pensamento desses dois filósofos numa espécie de síntese filosófica e pedagógica, a Escolástica. Assim, o caminho se encontrava aplainado para que o pensamento dos dois filósofos pagãos fosse absorvido pela Igreja Católica.
Thomas More estudou latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática e teologia. Frequentou as principais escolas da Inglaterra, inclusive Oxford, que era a mais avançada das universidades da época. De espírito religioso, vivia em orações e, inclusive pensou ingressar no sacerdócio. Frequentou algumas ordens religiosas, mas, ao final, decidiu-se por continuar a serviço da Igreja como leigo.
Recebeu o título de Sir e exerceu cargos na Corte de Henrique VIII. Conviveu com grandes pensadores, principalmente com Erasmo de Roterdam, autor de Elogio da Loucura. More, Maquiavel e Erasmo têm sido considerados os pioneiros da Filosofia Política.
Entrou em desgraça por não haver concordado com o divórcio de Henrique III. Foi preso e torturado. Morreu como mártir da Igreja e, mais tarde, em 1935, foi canonizado. É o santo padroeiro dos políticos e governantes, festejado no dia 22 de junho.



2. A obra



Thomas Morus escreveu prosa e poesia, em inglês e em latim. É autor de uma série de poemas - os English Poems; de obras históricas - História do rei Ricardo III; de textos religiosos - Diálogo do conforto na tribulação. Fez traduções, inclusive uma com Erasmo, Diálogos de Luciano. Foi, porém, no campo da Filosofia que produziu a sua obra-prima, a Utopia. Planejada em 1511, aos 32 anos de idade, só foi iniciada no ano de 1514, quando Morus esteve ausente de Londres. No ano seguinte, 1515, já em Londres, é que concluiu a obra que viria torná-lo famoso como filósofo, humanista e literato. Foi publicada em 1516.



3. A Utopia



O nome completo em latim é De optimo statu reipublicae deque nova insula Utopia (Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia). Nela, Thomas Morus descreve uma ilha imaginária com base em histórias sobre os novos mundos que vinham sendo descobertos. A fonte principal foi o relato que lhe fez um viajante português, Rafael Hitlodeu. Nessa época, pelas muitas navegações empreendidas, eram comuns as narrativas de viagem, geralmente cheias de aventuras fantasiosas.
Thomas Morus, pelo contrário, procurou deixar bem claro que o que escreve é imaginário. Para tanto, emprega o recurso conhecido por ouvre à clef, obra em que as palavras são como chave para o entendimento do texto. Assim, o nome do narrador é Hitlodeu, algo como língua solta. A palavra utopia tem origem no grego (ou, não; topos, lugar, portanto, o não-lugar). Amaurota, o nome da capital, provém do latim Amaurotum, miragem. O rio que a banha é Anidra, o sem água. Os cidadãos da Ilha são chamados alopolitas, cidadãos sem cidade. Um dos príncipes é Ademos, aquele sem povo. Há, ainda, outras palavras que indicam esse caráter de não-existência.
Estruturalmente, Morus empregou o recurso do diálogo, muito comum na época do Renascimento. Dividiu a obra em duas partes, às quais denominou Livro I e Livro II. No primeiro, narra como, em Antuérpia, encontrou Pedro Gil, morador da cidade, pessoa muito afável. Foi ele que um dia lhe apresentou um velho viajante português da esquadra de Américo Vespúcio, que havia permanecido no Novo Mundo. Ali, conhecera muitos lugares e muitos povos. Dentre esses lugares, estava a ilha de Utopia. No segundo. o autor passa a narrativa para o próprio Rafael Hitlodeu. Transferindo a um outro a responsabilidade da narrativa, Morus, como pensador, fica livre para emitir opiniões sobre o relato, principalmente quando discorda de algumas coisas narradas.




4. A ilha da Utopia - cidades e população



Ao iniciar a sua narrativa, Hitlodeu descreve a dimensão e o formato da ilha. Avisa que a entrada do porto é muito perigosa, porque há abrolhos e bancos de areia. No meio da ilha, há um grande rochedo que pode ser avistado de longe. Por tal descrição, muitos aproximam a Utopia à ilha principal do arquipélago de Fernando de Noronha. Era por aí que os navegadores portugueses e espanhóis passavam ao se dirigirem para o Novo Mundo.
A Ilha foi descoberta e conquistada por Utopos, que humanizou os silvícolas e deu-lhes uma educação capaz de torná-la o lugar mais civilizado de todos. Os indígenas, devidamente motivados, tinham orgulho de participar da obra de construção de um novo país.
A ilha de Utopia tem cinquenta e quatro cidades. Cada uma delas está dividida em 4 quarteirões, uma espécie dos quartiers parisienses. Cada quarteirão tem um representante junto à administração central da cidade.
Nos arredores de cada cidade, localizam-se quatro hospitais, um para cada quarteirão. Encontram-se afastados para que seja mais fácil o atendimento a todos. São limpos, bem organizados e espaçosos o suficiente para o atendimento de todos que possam necessitar de cuidados médicos ou mesmo de isolamento.
A capital é Amaurota, não por ser a mais importante, mas porque se situa ao centro da Ilha e, portanto, mais fácil ao acesso para os representantes das demais cidades. São espaçosas e muito bem construídas com praças e jardins bem localizados. As casas são edifícios elegantes de três andares, com paredes externas de pedra ou de tijolo, e as internas de estuque. As janelas estão vedadas por vidros e por cortinas de fina seda. As casas estão sempre muito bem conservadas por quem habita nelas. Na Utopia, os moradores são apenas usuários e não proprietários.
Todas as cidades possuem os mesmos edifícios públicos, construídos de forma a melhor se adaptar ao local. Têm mais ou menos a mesma população, porque há um sistema de migração que supre aquelas, que, por qualquer motivo, estejam perdendo habitantes. As cidadessão médias, com 6.000 famílias cada.



5. A organização social da Ilha



Socialmente, a Ilha é muito bem organizada. A população é especialmente ordeira e trabalhadora. Como são estimuladas todas as profissões, os utopianos praticam aquela para a qual demonstram mais aptidão. Há, porém, prioridade para a agricultura, por ser ela a fonte de alimentação de um povo. Assim, todos os habitantes da Ilha têm de exercer essa atividade por algum tempo.
A agricultura da ilha é a mais desenvolvida de todas as regiões conhecidas. Os habitantes plantam de tudo, cereais, frutas. Criam as aves e os animais domésticos. Transformam os cereais em alimento; as frutas, em bebidas; tecem a lã e tiram o maior proveito possível da produção de ovos e de pintos. Eles chocam os ovos por um meio de calefação artificial. Quando os pintainhos rompem a casca são os homens que cuidam deles. Assim, as galinhas se tornam mais produtivas.
Os habitantes só são agricultores eventualmente, embora toda a população receba lições de agricultura. De tempo em tempo, os agricultores temporários são substituídos por outros que virão das cidades. Só permanecem aqueles que pedirem, por que gostaram da profissão e preferem viver no campo.
Aqueles que são intelectualmente afeito aos estudos, não são enviados para o campo. Ficarão estudando nas cidades, a não ser que queiram também participar, simultaneamente, das duas atividades. E aqueles do campo que se destacarem nos estudos poderão ser levados de volta à cidade, para aí continuarem os estudos.
Pelo fato de que todos trabalham, produzem sempre o necessário para todos os habitantes. Eles, porém, continuam a produzir bens para repassar aos que necessitem, ou mesmo a outros povos. Como não há moeda, o comércio é feito à base de trocas.
Os utopianos dividem muito bem o tempo de trabalho. As 24 horas do dia se repartem em seis horas para o trabalho utilitário, três horas antes e três depois do almoço; duas horas para descanso depois do almoço; e à noite, depois do jantar, ocupam o tempo com conversas sobre temas importantes e educativos. Reservam nove horas para um sono reparador. É assegurada a todas as pessoas uma justa distribuição de trabalho, para que o esforço não se torne estafante. Se tal acontecesse, seria uma forma de escravidão. Assim como deve haver tempo para os trabalhos materiais, deve haver também para as ocupações do espírito.
Os habitantes não se apegam aos bens materiais. O ouro e a prata se tornam materiais para ferramentas e outros objetos úteis, como argolas para prender os prisioneiros. As pedras preciosas não possuem valor, porque, argumentam eles, se é necessário consultar um especialista para saber se uma pedra é verdadeira ou falsa, tanto faz ser um diamante, como um pedaço de vidro. Esses materiais, porém, são guardados como tesouro para reserva em caso de necessidade. Em tempo de guerra, são empregados para contratar mercenários, ou então para subornar o inimigo.
A religião é livre na Ilha, mas grande parte aderiu ao Cristianismo. Buscam o batismo e os outros sacramentos. Ninguém, porém, pode ser castigado ou discriminado por motivo de credo religioso. Os padres da Utopia são de uma perfeita santidade. Em caso de guerra, sete deles acompanham os exércitos. Para substituí-los são nomeados outros sete. Os padres se casam e, para tanto, escolhem suas esposas entre as moças mais prendadas da população. As mulheres também podem exercer o sacerdócio, desde que viúvas e idosas.
Sobre a educação, ela é pública e totalmente gratuita. Os cursos começam a funcionar antes de o sol nascer, e é grande o número dos  que frequentam, mesmo sendo obrigatórios apenas àqueles que se dedicam às letras. As aulas são dadas na língua do próprio povo, que é muito rica, harmoniosa e elegante. É bastante parecida com o grego, mas também com o persa.
Os habitantes da Ilha estão dentre os mais cultos. Mesmo sem conhecer os grandes filósofos gregos, chegaram aos mesmos resultados. São inventivos e criam máquinas capazes de facilitar a vida e defendê-los do inimigo. Ironicamente, o narrador comenta que, quanto ao conceito de homem geral e universal, um dos temas preferidos da gíria metafísica, ninguém na Utopia pôde ainda perceber.
Como a Utopia tem seus fundamentos em filósofos adotados pela Igreja Católica - Platão principalmente -, o sexo só é permitido após o casamento. O adultério é punido com a servidão e se houver reincidência, a punição é a morte.
Os utopianos quando necessitam viajar, justificam os motivos e solicitam uma licença ao príncipe, que emite um documento no qual se estipula o tempo da viagem e o dia de regresso. Antecipavam-se assim aos atuais passaportes.



6 . A organização política da Ilha



A organização política da Utopia é mais simples e racional possível. As leis são poucas e muito claras. Tanto assim que não existem advogados. São os próprios interessados que se apresentam diante do juiz e sem rodeios apresentam sua defesa. Dessa forma, tornam-se críveis e honestos, o que facilita a decisão judicial.
Para reger politicamente a Ilha, todos os anos, cada cidade nomeia três velhos experientes e capazes – honestos todos são - como seus deputados. Eles se deslocarão para Amaurota, onde irão tratar dos assuntos de interesse de suas cidades e de todo o país.
Para os habitantes do campo também há uma forma de representação. As famílias agrícolas, que se compõem de pelo menos 40 pessoas, homens, mulheres e dois escravos, são governadas por um dos pais, geralmente o mais idoso. Trinta famílias formam uma unidade, que é dirigida por um filarca (grego filos, aquele que ama). Esses filarcas, também chamados sifograntes, são os magistrados. Dez sifograntes e as trezentas famílias por ele representadas obedecem a um protofilarca.
São os 1.200 sifograntes que, após um juramento no qual se comprometem a dar o voto ao mais capaz e mais virtuoso, escolhem por voto secreto o príncipe. A indicação inicial parte da própria população, que envia à corte uma lista com quatro nomes. O principado é vitalício, a não ser que o príncipe tente tornar-se um tirano.
Os príncipes sempre procuram pautar-se pela mais completa honestidade. Cada vez mais se preparam para melhor exercer a mais alta e a mais digna das funções do estado. Procuram seguir o que Platão disse: “A humanidade será feliz um dia, quando os filósofos forem reis, ou quando os reis forem filósofos” (p. 191).
Os protofilarcas são eleitos todos os anos, mas, a não ser que haja motivo justo, eles são reconduzidos. Dificilmente há mudança. São eles que se reúnem três dias por semana com o príncipe para tratarem dos assuntos de estado e para despacharem com a maior brevidade os pleitos apresentados. Os processos são raros, considerando-se que todos vivem em paz e harmonia.
Os sifograntes, como alguns outros, são isentos por lei do trabalho pesado. Porém, para darem o exemplo, eles preferem engajar-se em toda forma de serviço executado pelos demais trabalhadores. São dispensados do trabalho também aqueles estudantes aptos às atividades intelectuais e que estão dedicados apenas ao estudo por indicação de padres e dos sifograntes. Se algum deles, porém, não fizer bom uso do tempo e iludir a esperança do povo e de quem o indicou, será imediatamente transferido para a classe dos operários.
Os governantes são todos bem intencionados a ponto de preferirem ser como aquele general romano, Fabrício, que morreu tão pobre, que o estado teve de providenciar o seu funeral. Dizia ele: “prefiro governar ricos a eu mesmo ser rico” (p. 198). Considerando também que os habitantes da Ilha são todos politicamente educados, a Utopia pode desenvolver-se sempre em paz.



7. O destino da obra



A obra, produto do pensamento renascentista e, portanto, com fundo altamente humanístico, retrata o pensamento expresso por grandes pensadores que influenciaram a época. De modo geral, a filosofia é a de Platão, mas há também muito de Epicuro e de outros neo-platônicos. O pensamento religioso de Santo Agostinho (A Cidade de Deus) também se faz presente. Por outro lado, as idéias de como se deve governar têm muito do pensamento do contemporâneo Maquiavel.
Quando a obra de Morus surgiu, imediatamente alcançou enorme sucesso. Foi traduzida para as várias línguas culturais de então. Foi lida e comentada por todos. Ao lado de O Elogio da Loucura, de Erasmo, e de O Príncipe, de Maquiavel, a Utopia desfila entre as grandes obras do Renascimento europeu.
Teve, dentre outros, o mérito de exercer influência em várias obras, principalmente A Cidade do Sol de Dominico Campanella, publicada em 1602. Influenciou também muitas das doutrinas socialistas dos séculos seguintes.
Pode-se concluir, que, seja uma obra de crítica aos costumes de países desenvolvidos, principalmente Itália, Inglaterra e França. Pode também ser vista como uma obra de pensamento elevado. O certo é que Utopia não é uma simples obra, mas, uma tomada de posição diante dos acontecimentos políticos e sociais da época.
A obra trouxe um repensar sobre temas, como trabalho, honestidade, pureza de espírito, o que sem dúvida passou a exercer influência sobre os costumes e sobre organização social e política dos diferentes povos. Esse tem sido o destino de Utopia, de Thomas Morus.

09 setembro, 2009

Eleições e mídia, tudo a ver

A disputa eleitoral começa bem antes das pessoas comuns perceberem. Ela é feita à surdina, mansamente. Infelizmente a maior parte dos veículos de comunicões não são isentos e trabalham para defender os privilégios adquiridos com o correr do tempo. Ou se vendem mesmo, como acontece na grande imprensa. Isso a população não fica sabendo, apenas absorve as informações. Questionar não é o forte do pais que tenta se indignar, mas no ranço dos preconceitos apenas participa do jogo atual das classes dominantes. Para que seja revertida essa situação, depende dos empresários de comunicação e também de jornalistas éticos, que não aceitem vender sua consciência. Abaixo matéria opnativa de Emiliano José, de Salvador, que descreve cenário pré-eleitoral brasileiro, publicado na revista Carta Capital.


Eleições e mídia, tudo a ver

08/09/2009 12:27:28

Emiliano José
  • Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página – uma manchetinha – da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: A moda de pegar rico – as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa.Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso.
  • Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda – isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País.
  • E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.
  • Isso vem a propósito do esforço sobre-humano que a parcela dominante de nossa mídia vem fazendo recentemente para criar escândalos políticos. E essa pretensão, esse esforço não vem ao acaso. Não decorre de fatos jornalísticos que o justifiquem.
  • Descobriram Sarney agora. Deu trabalho, uma trabalheira danada. A mídia brasileira não o conhecia após umas cinco décadas de presença dele na vida política do país. Só passou a conhecê-lo quando se fazia necessário conturbar a vida do presidente da República. O ódio da parcela dominante de nossa mídia por Lula é impressionante. Já que não era possível atacá-lo de frente, já que a popularidade e credibilidade dele são uma couraça, faça-se uma manobra de flanco de modo a atingi-lo. Assim, quem sabe, terminemos com a aliança do PMDB com o PT.
  • Não, não se queira inocência na mídia brasileira. Ninguém pode aceitar que a mídia brasileira descobriu Sarney agora. Já o conhecia de sobra, de cor e salteado. Não houve furo jornalístico, grandes descobertas, nada disso. Tratava-se de cumprir uma tarefa política. Não se diga, porque impossível de provar, ter havido alguma articulação entre a oposição e parte da mídia para essa empreitada. Talvez a mídia tenha simplesmente cumprido o seu tradicional papel golpista.
  • Houvesse a pretensão de melhorar o Senado, de coibir a confusão entre o público e o privado que ali ocorre, então as coisas não deviam se dirigir apenas ao político maranhense, mas à maior parte da instituição. Só de raspão chegou-se a outros senadores. Nisso, e me limito a apenas isso, o senador Sarney tem razão: foi atacado agora porque é aliado de Lula. Com isso, não se apagam os eventuais erros ou problemas de Sarney. Explica-se, no entanto, a natureza da empreitada da mídia.
  • A mídia podia se debruçar com mais cuidado sobre a biografia dos acusadores. Se fizesse isso, se houvesse interesse nisso, seguramente encontraria coisas do arco da velha. Mas, nada disso. Não há fatos para a mídia. Há escolhas, há propósitos claros, tomadas de posição. Que ninguém se iluda quanto a isso.
  • Do Sarney a Lina Vieira. Impressionante como a mídia não se respeita. E como pretende pautar uma oposição sem rumo. É inacreditável que possamos nós estarmos envolvidos num autêntico disse-me-disse quase novelesco, o país voltado para saber se houve ou não houve uma ida ao Palácio do Planalto. Não estamos diante de qualquer escândalo. Afinal, até a senhora Lina Vieira disse que, no seu hipotético encontro com Dilma, não houve qualquer pressão para arquivar qualquer processo da família Sarney – e esta seria a manchete correta do dia seguinte à ida dela ao Senado. Mas não foi, naturalmente.
  • Querem, e apenas isso, tachar a ministra Dilma de mentirosa. Este é objetivo. Sabem que não a pegam em qualquer deslize. Sabem da integridade da ministra. É preciso colocar algum defeito nela. Não importa que tenham falsificado currículos policiais dela, vergonhosamente. Tudo isso é aceitável pela mídia. Os fins, para ela, justificam os meios.
  • Será que a mídia vai atrás da notícia de que Alexandre Firmino de Melo Filho é marido de Lina? Será? Eu nem acredito. E será, ainda, que ele foi mesmo ministro interino de Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso, entre agosto de 1999 e julho de 2000? Era ele que cochichava aos ouvidos dela quando do depoimento no Senado? Se tudo isso for verdade, não fica tudo muito claro sobre o porquê de toda a movimentação política de dona Lina? Sei não, debaixo desse angu tem carne...
  • Mas, há, ainda, a CPI da Petrobras que, como se imaginava, está quase morrendo de inanição. Os tucanos não se conformam, E nem a mídia. Como é que a empresa tornou-se uma das gigantes do petróleo no mundo, especialmente agora sob o governo Lula e sob a direção de um baiano, o economista José Sérgio Gabrielli de Azevedo? Nós, os tucanos, pensam eles, fizemos das tripas coração para privatizá-la e torná-la mais eficiente, e os petistas mostram eficiência e ainda por cima descobrem o pré-sal. É demais para os tucanos e para a mídia, que contracenou alegremente com a farra das privatizações do tucanato.
  • Acompanho o ditado popular “jabuti não sobe em árvore”. A CPI da Petrobras não surge apenas como elemento voltado para conturbar o processo das eleições. Inegavelmente isso conta. Mas o principal são os interesses profundos em torno do pré-sal. Foi isso ser anunciado com mais clareza e especialmente anunciada a pretensão do governo de construir um novo marco regulatório para gerir essa gigantesca reserva de petróleo, e veio então a idéia da CPI, entusiasticamente abraçada pela nossa mídia. Não importa que não houvesse qualquer fato determinado. Importava era colocá-la em marcha.
  • Curioso observar que a crise gestada pela mídia com a tríade Sarney-Lina-Petrobras, surge precisamente no mesmo período daquela que explodiu em 2005. Eleições e mídia, tudo a ver. Por tudo isso é que digo que a mídia constitui-se num partido. Nos últimos anos, ela tem se comportado como a pauteira da oposição, que decididamente anda perdida. A mídia sempre alerta a oposição, dá palavras-de-ordem, tenta corrigir rumos.
  • De raspão, passo por Marina Silva. Ela sempre foi duramente atacada pela mídia enquanto estava no governo Lula. Sempre considerada um entrave ao desenvolvimento, ao progresso quando defendia e conseguia levar adiante suas políticas de desenvolvimento sustentável. De repente, os colunistas mais conservadores, as revistas mais reacionárias, passam a endeusá-la pelo simples fato de que ela saiu do PT. É a mídia e sua intervenção política. Marina, no entanto, para deixar claro, não tem nada com isso. Creio em suas intenções de intervenção política séria, fora do PT. Neste, teve uma excelente escola, que ela não nega.
  • Por tudo isso, considero essencial a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Por tudo isso, tenho defendido com insistência a necessidade de uma nova Lei de Imprensa. Por tudo isso, em defesa da sociedade, tenho defendido que volte a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Por tudo isso, tenho dito que a democratização profunda da sociedade brasileira depende da democratização da mídia, de sua regulamentação, de seu controle social. Ela não pode continuar como um cavalo desembestado, sem qualquer compromisso com os fatos, sem qualquer compromisso com os interesses das maiorias no Brasil.

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4967

04 setembro, 2009

POLÍTICA E POLÍTICOS - Prof. Jayme Bueno

POLÍTICA E POLÍTICOS


1- Política, política e políticas
Para iniciar, há que diferençar os termos Política, política, políticas e políticos. A Política prende-se à palavra grega pólis, cidade. Político, portanto, era o habitante da cidade, o cidadão. Como forma de atividade humana, relaciona-se com o exercício do poder em estados organizados e se aproxima, conceitualmente, a termos como urbanismo, civilidade, cidadania, bem público; a política, por sua vez, deveria ser a boa prática dessa atividade humana; as políticas são as ações de governo, que deveriam ser voltadas ao bem público; e, finalmente, políticos, aqueles que deveriam exercer a Política, mas que geralmente praticam a política.
A Política como como comportamento acompanha o homem desde que se tornou ser racional, pensante. Segundo Ernst Cassirer, o homem racional não se define como o homo erectus, aquele bípede capaz de andar com seus próprios pés, mas como homo simbolicum, aquele capaz de criar símbolos: primeiramente, a linguagem, os mitos, a religião e, depois, evoluir para a criação da ciência, das artes e de outras manifestações humanas, como as culturais.
Os dicionários, de modo geral, aproximam a Política à Civilidade. Assim fazem, dentre os consultados, o Aurélio e o Dicionário Cultural da Língua Portuguesa. O clássico Cândido de Figueiredo vai mais longe, aproxima a Política à Polidez.


2 - A Política em Platão
Platão (428-328 a.C.), sempre o início para enfocar qualquer assunto no mundo ocidental, tratou dos seres humanos, considerando aqueles, que ele considera tenham aparecido após a época do Paraíso. Era um homem já diferente, vivendo em outro meio e com outras necessidades. Nesse pós-Paraíso, os homens perceberam que os tempos haviam mudado e que já não existia mais a harmonia entre os próprios homens e entre eles e os animais. Apenas eles, os homens, falavam. Os animais haviam perdido a fala e se transformados em inimigos, contra os quais o homem tinha de lutar para sobreviver. Surgiu, então, a necessidade de os homens se organizarem em grupos. Inicialmente, foram os grupos familiares, depois, os tribais, até surgirem os agrupamentos mais complexos, como a sociedade e, por fim, o estado.
A reunião em agrupamentos, além de transformar o modo de vida, passou a exigir normas que organizassem o relacionamento entre os seres. O homem passou a viver em grupos fechados, em regimes organizacionais de vários tipos, que Platão considera Artes. Assim dividiu-as em três: a de ordem técnica, profissional, que englobava, por exemplo, artesãos, pastores; a de ordem de produção, como os lavradores, os comerciantes; e, enfim, a arte mais nobre de todas, a de conduzir os homens, ou seja, a Política.
Platão trata do tema, principalmente, em três obras: nos 10 volumes de República, em Político e em Leis, obra inacabada. A principal, porém, é o conjunto dos livros de República. Ele considerava, e talvez com razão, que : “o primeiro e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la”. Isso lhe parece um grande equívoco, por tratar-se de uma arte especial. Como filósofo, sustentava que: “o estado deve ser governado não pelos mais ricos, pelos mais ambiciosos, ou pelos mais astutos, mas pelos mais sábios”. Para ele, guerreiros e trabalhados deveriam apenas exercer o que fosse determinado pelos filósofos.
Por sua estirpe nobre, Platão era levado a não acreditar na democracia, forma de governo em que o estado seria conduzido pelo próprio povo. Para ele, a Política, como a boa condução dos homens em sociedade, era um arte dominada por poucos. O melhor seria que esses poucos fossem os sábios, porque só eles seriam capazes de entender de tudo, inclusive da arte de conduzir os outros numa sociedade organizada.
Finalizando esta parte, mais um dos fundamentos da Política vista por Platão: o homem era o cidadão, o habitante da polis. Assim, a Política deve tratar do cidadão, porque é ele que vive, que participa e que deve influir na sociedade organizada. Toda forma de Política que pretenda ser autêntica deve ter em vista o bem do cidadão.

3 - A Política em Aristóteles
Aristóteles (384-322 a .C.), o mais famoso dos discípulos de Platão, tinha pensamentos muitas vezes contrários aos do Mestre. Homem de princípios práticos, abandonou as construções utópicas de Platão para construir o pensamento sobre coisas reais, aquelas que existem no mundo dos homens. Por isso, tornou-se guia para o homem verdadeiro, aquele que vive, trabalha e exercita sua arte na sociedade, como os juristas, os políticos, os cientistas. Se Platão é um idealista, um subjetivo, um sonhador; Aristóteles, pelo contrário, é um realista, objetivo e realizador.
Como realista, considerava que o homem que deveria ser o melhor dos seres pela capacidade de pensar e por sua inteligência, pode-se tornar o pior deles, quando se afasta da justiça e das leis. Destituído de valores morais, o homem pode-se transformar no mais violento e perigoso animal, porque possui os meios para exercer a sua maldade.
Platão havia fundado a Academia e o seu sucessor deveria ser o aluno mais brilhante. Ao ser preterido para suceder o Mestre, Aristóteles afastou-se da Academia e fundou a Escola Paripatética, também conhecida por Liceu.
Sobre Política, Aristóteles escreveu duas grandes obras: Politica, em que faz crítica às ideias de Platão e trata, principalmente, da organização da cidade, da família, dos bens materiais; e Constituição de Atenas, em que analisa a organização de outras cidades, faz comparação com a de Atenas e descreve os regimes políticos dessas cidades.
Aristóteles colocava a Política entre as ciências práticas, aquelas que buscam o conhecido, para poder agir e assim proporcionar o bem para o cidadão. O objeto da ciência política, para ele, é a felicidade humana. Assim, o autor divide a obra Política em duas partes: Ética, que trata da felicidade individual, e Política propriamente, que se preocupa com o bem coletivo da pólis.
O pensamento político de Aristóteles se baseia na Moral, porque o fim do estado deve ser a virtude. Portanto, o estado é sempre superior ao indivíduo e deve complementar a atividade moral do cidadão. Assim, a Política se distingue da Moral. Esta trata do individual, e aquela do coletivo.
No pensamento aristotélico, há três formas de governo: a monarquia, governo de um só, que tem a vantagem da unidade, mas que apresenta o perigo de cair na tirania; a aristocracia, governo de poucos, que pode primar pela qualidade, mas que pode tornar-se uma oligarquia; e a democracia, o governo de muitos, que se baseia na liberdade, mas que pode degenerar-se em demagogia.
Para o filósofo, porém, a melhor forma de governo é aquela que seja bem constituída e na qual o estado vise ao bem comum e não às vantagens daqueles que governam.

4 – Algumas frases de Políticos e de políticos

1. Não, ninguém poderá indi¬car uma única dádiva que haja recompensado minhas ações ou minhas palavras no governo. A isto se deve que as determinações importantes, que são a consequência natural do estado de nossos assuntos, apareçam sem¬pre à minha vista sem nuvens que as ocultem ou desfigurem. Mas quando, por um lado ou por outro, o orador, semelhante a uma balança, recebe dinheiro, este peso precipita e arrasta toda a sua lógica em um sentido, e desde então desaparece a veracidade de seus cálculos e a justiça de seus argumentos.
(Demóstenes. Filípicas, discurso pronunciado em 341 a.C.- http://greciantiga.org. Acesso 22.08.09)

2. Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. à morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
(Cícero- Catilinárias, discurso pronunciado em 63 a.C. - www.historianet.com.br. Acesso 21.08.09)

3. Assim se tiram da Índia quinhentos mil cruzados, de Angola duzen¬tos, do Brasil trezentos, e até do pobre Maranhão, mais do que vale todo ele. E que se há-de fazer desta fazenda? Aplicá-la o rei à sua alma e às dos que a roubaram, para que umas e outras se salvem.
(Pe. Antônio Vieira, pregador português e embaixador de Portugal em países europeus - Sermão do Bom Ladrão - 1655)

4. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
(Rui Barbosa, político brasileiro, 1849-1923 - www.paralerepensar.com.br/rbarbosa.Acesso 22.08.09>

5. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor.
(Winston Churchill – Discurso na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, em 13 de maio de 1940- )

6. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
(Getúlio Vargas, presidente do Brasil, 24 de agosto de 1954 - www2.uol.com.br/historiaviva/artigos. Acesso 21.08.09)

7. Não pergunte o que seu pa
ís pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.
(John Kennedy, presidente dos EUA, discurso de posse, em 20.01.1961- http://veja.abril.com.br. Acesso 22.08.09)

8. Seria tão mais simples e fácil [provar] o que a secretária diz, que encontrou com a Dilma. Não precisaria nem gastar dinheiro, comprar passagem, ir ao Congresso. Era só pegar as duas agendas [da ministra e da ex-secretária] e ver o que aconteceu.
(Lula, presidente do Brasil,17/08/2009 - http://intertvonline.globo.com/rn/noticias)


9. A gente não afirma, a gente prova, então, as agendas são oficiais. (...) Havia uma agenda que tava na mala. Estranho que as agendas, elas estão geralmente nos meios normais, eletrônicos. E agora não tem agenda nenhuma. Não tá na mala. A agenda, ela não existiu, ela é sigilosa.
(Dilma Rousseff, em Mossoró (RN), em 11 de agosto de 2009)

10. Eu não mudo a verdade no grito, nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte da minha biografia. A Receita é uma instituição de estado. Não estamos ali para atender governo A, B ou C..
(Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal – jornal Gazeta do Povo. Curitiba, 19.08.09, p. 15)

17 agosto, 2009

Família de Sarney Usa Imóveis Pagos por Empreiteiras

Há três décadas, a família Sarney tem como endereço em São Paulo o edifício Solar de Vila América, situado na Alameda Franca, nos Jardins. Até 2006, era um apartamento apenas. Hoje, além do apartamento número 82, comprado em 1979, a família tem à sua disposição outras duas unidades. Os apartamentos 22 e 32 foram comprados há três anos. São usados pelos Sarney, mas estão registrados em nome de uma empreiteira, que cuidou da negociação e pagou os imóveis. As informações foram publicadas neste domingo (16), no jornal "O Estado de S.Paulo".
A empreiteira é a Aracati Construções, Assessoria e Consultoria Ltda., cujo dono é o empresário Rogério Frota de Araújo, amigo dos filhos do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). De acordo com os registros da empresa na Receita Federal, a Aracati - cuja razão social foi formalmente alterada para Holdenn Construções, Assessoria e Consultoria - tem hoje como principal nicho de negócio o setor elétrico, área do governo federal em que Sarney exerce influência. Há dois anos, a empresa começou a atuar em projetos de construção de usinas termoelétricas.
Em um dos apartamentos, o 22, mora um neto do presidente do Senado, Gabriel José Cordeiro Sarney, filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA). O outro apartamento, o 32, costuma abrigar assessores e convidados dos Sarney, mas também hospeda a família. Em junho passado, por exemplo, foi utilizado pelo próprio senador, em viagem a São Paulo para acompanhar a recuperação da filha, Roseana, operada para correção um aneurisma cerebral.
(FONTE - ESTADO)

Andanças, Fazanças e Recordanças...


Por Viviane de Souza








Sei não, sei não... Mas mesmo não sabendo direito por onde iniciar esse “conversê” vou contrariar as duas frasinhas antes das reticências pra tentar “arengar” com voces, pois com essa missão de “futucar” em blog, só mesmo tirando a paciência de quem é curioso. Agora quero me apresentar. Sabem, desde que quis cursar jornalismo, me identifiquei com o pior de mim mesma: a bisbilhotice. E, evidentemente, tem sido o que mais gosto de exercer: fofoqueirismo! mas profissional. Apesar de nenhuma novidade nessa declaração, visto que o jornalismo brasileiro é de fazer vergonha até ao menos tímido avestruz, tenho que enaltecer algumas características da colega que vos enche o saco. Sou de ética e não de estética, embora seja fã dos que a desenvolve em sua identidade literária ou artística. Meu povo, sabe o que é? É que não foi inteiramente na faculdade que apreendi... Sim, apreendi o valor da palavra ética. Afinal, quando faço algo que preste, não me baseio apenas nos raríssimos colegas de trabalho e professores aclamados que me orientaram a partir dos próprios exemplos. O que ocorre pra mim é a palavra educação. Sim, a “batidinha” palavra que nem todos receberam ao longa da vida em casa. A casa... ô recinto importante da gota serena!







Vez por outra, ao analisar o meu balaio de ideias, avisto minha família. É o que dela recebi e ainda recebo, que me mantém procurando optar pelo o que é prudente. E olhem que ainda assim, confesso, titubeio, e opto pelo errado na minha profissão. Jornalismo é para a maioria dos que o utilizam como meio profissional, maneira de aparecer e sentir-se glamourizado vinte e quatro horas por dia. Mas quem não ficaria todo “ancho” e satisfeito caso pudesse conversar e saber mais de pessoas admiráveis. Um homem inspirador como o educador Paulo Freire, o inusitado escritor Ariano Suassuna, e as sensibilíssimas e espetaculares Clarice Lispector e Cora Coralina paralisaram de emoção muito jornalista experiente. No caso de Ariano continua paralisando. É compreensível, mas existe muita gente anônima por aí que vale quilates de diamantes, ou não têm preço algum, já que suas estórias de vida são históricas e provocadoras de mudanças e atitudes em nós. E então, me veio agora a lembrança de dois livros encantadores: O Segredo de Joe Gold, escrito pelo jornalista americano Joseph Mitchell. E As Boas Mulheres da china, fruto de uma pesquisa realizada pela radialista Xinran Xue. No primeiro, fatos reais analisados em um mendigo inteligente e cativante. No outro, narrativas contundentes da vida feminina na China, sob um regime socialista.







Bom, mudando de alhos para bugalhos, mas seguindo a mesma linha, queria lembrar-lhes que de pouco tempo para cá vi meu diploma valer menos que o “dinheiro” utilizado num programa apresentado por Angélica na Rede Globo. Nele, os participantes do jogo compram seus prêmios através das MERRECAS. Pode? Pooode! E todo mundo me pergunta como me sinto. Olhem mesmo que frase linda: “Eu me sinto com a obrigação de continuar estudando”. Clichê total, não? E aí, para explicar a voces a minha consternação, faço um ctrl C, e um ctrl V de uma carta escrita pela jornalista pernambucana Silvia Bessa. Esta jovem, com um caminho muito bem percorrido e premiado, diz através do jornal Diário de Pernambuco em reportagem publicada em 19/06/2009:






“Sou jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco há 12 anos. Em todo esse tempo não fui outra coisa a não ser repórter - aquele que tem a tarefa diária de caçar notícias. Já fiz milhares de entrevistas e sei o quanto as técnicas de abordagem, de redação e as noções de ética me valeram. Por esse motivo, me indignei com a decisão do STF de dispensar o diploma para o exercício da minha profissão. Usei cada lição aprendida e tento aprimorar uma a uma ao longo dos anos. Procuro isso em conversas com presidentes, governadores, deputados no Recife e em Brasília ou com anônimos dos confins do Nordeste. Do presidente Lula da Silva à dona de casa Lucimar da Silva, que passa fome no Ceará, foi assim. Com o pé na estrada, descobri que a prática do ofício de um jornalista não se limita à discussão em torno da liberdade de expressão.






Opinião todo mundo tem, pode e deve expressar, mas o jornalismo está alicerçado em informação de qualidade. E, para chegar até ela, é necessário mais que uma opinião. Tive a certeza disso nessa quarta-feira, quando soube da votação do STF e lembrei do quanto difícil foi produzir reportagens sobre uso da internet nos grotões nordestinos, sobre o impacto do aquecimento global ou mesmo sobre a malversação de subvenções sociais por deputados. Fiquei imaginando se, mesmo com a capacidade que devem ter para chegar ao Supremo, os ministros teriam condições de fazer qualquer uma delas. Talvez pudessem comentar os temas; testemunhar ou revelar uma realidade vista de vários ângulos, tenho cá minhas dúvidas. E é para isso que jornalistas são formados.





Para ser jornalista é preciso talento com as letras, habilidade para coleta de múltiplas informações, disposição para pesquisa, abertura para ouvir o engravatado, o professor e o descamisado e equilíbrio para narrar os fatos. Reunir essas e outras características independem do diploma, mas o aprendizado acadêmico pode ser decisivo na conquista. A escola é o ponto de partida para o bom jornalismo. Eu não vejo médicos, advogados, professores e outros profissionais com didática suficiente para enviar mais de cem e-mails para conseguir mapear os municípios do Nordeste que possuem lan houses com discagem rápida, para buscar e cruzar dados para entender fenômenos sociais e para entrevistar dezenas de adolescentes e entender o que eles buscam na rede - algumas das tarefas que cumpri para realizar a reportagem sobre o fenômeno das lan houses no interior do Nordeste. Não vejo. Só consigo ver estudantes recém-saídos das faculdades tentando acertar esse caminho e dispostos a seguir o preceito da informação democrática. O resto, para mim, é vaidade de muitos que não conseguem perceber que o fim do diploma para jornalistas compromete o futuro de uma geração nova de profissionais da imprensa. E tem a ver com a confiabilidade do que será escrito por eles.”







Pois é gente, eu sou uma jornalista apaixonadamente pernambucana, com sangue brasileiríssimo, e que a partir de agora colabora com esse blog super nutritivo da professora e poetisa Taninha Nascimento – que confiou num bom bate-papo entre nós. Na próxima postagem prometo deixar de tanto blábláblá, e a gente se aproxima mais da educação, da política e da cultura, tá certo?


Um forte abraço, e até breve!

10 agosto, 2009

DIRETO DA GAIOLA DAS LOUCAS

Estou precisando urgente de uma passagem para os Estados Unidos (tratamento de saúde)
como faço para conseguir ? Afinal nem o INSS consigo, é uma fila interminável e quando consigo me consultar o médico nem olha pra mim, não me toca e diz que não é nada.
E se for o vírus daquela tal gripe ?E se for dengue ? Febre amarela ........ ???? Uau !
O que eu queria mesmo, era me tratar nos States com tudo pago e com a segurança de bons
médicos. Depois, dar uma voltinha no Central Park, 5°Avenida e gastar muitooooooooo !!!
Ai... como deve ser bom gastar o dinheiro que não sai do nosso bolso ... Mas pra isso eu preciso
me candidatar a Senadora e fazer parte da gaiola das loucas ... lá em Brasilia .

Amanhã tem mais ... Direto da gaiola das loucas !

Educação: ainda uma utopia?


Apesar dos meus poucos anos de magistério, tenho sentido nesta área de atuação uma grande falta de experiência, inteligência e, principalmente, bom senso nos programas educacionais voltados para jovens e adultos no Brasil.

Não quero citar nomes, mas atuo como professora em um programa do Governo Federal voltado para jovens entre 18 e 29 anos que não concluíram o Ensino Fundamental, e me decepciono ao perceber nele tantas incongruências.

A idéia do programa é belíssima: oferecer uma formação básica inclusiva e de qualidade a jovens e adultos das periferias brasileiras (que não concluíram o Ensino Fundamental) dentro dos preceitos da ética e da cidadania, oferecendo uma ajuda de custo no valor de R$100,00 para evitar a evasão escolar e, de quebra, prepará-los para o mercado de trabalho, incluindo na grade curricular cursos específicos de qualificação profissional.
Pois é, tudo isso seria muito bacana se não houvesse tanto interesse político e inverdades quanto ao aprendizado destes alunos. O primeiro critério para que participem (como alunos) de um programa como este é que todos sejam alfabetizados. Não o são. Com isso, fica muito difícil o professor conseguir manter o nível da aula e dos alunos em perfeita harmonia, o que só contribui, dentre outras coisas, para o aumento do analfabetismo funcional. O governo pensa em quantidade; não pensa em qualidade. As salas de aula são superlotadas, o espaço físico das escolas não é bom, não há cuidadores (pessoas que possam cuidar dos filhos das alunas que já são mães que, por não terem com quem os deixar, os levam para a escola), o material didático adotado deixa muito a desejar e o professor fica em um beco sem saída quando percebe que, no fundo, o interesse de muitos alunos não é o conhecimento a ser adquirido com as aulas do Programa (o que pode vir a melhorar seu nível de vida), mas sim a “bolsa-esmola”, ou melhor, a “bolsa-escola” de R$100,00. Já cheguei a ouvir de alunos que é muito melhor receber bolsa-escola, bolsa-família, bolsa-isto, bolsa-aquilo do que arranjar um emprego. Isso é preocupante. O Brasil parece que vem formando, há algum tempo, uma legião de esmolantes. Pessoas que se acomodam com essas pequenas “ajudas” do governo que, claro, ajudam; mas não mudam. Percebemos um nível muito baixo em nossos alunos, mas os dados estatísticos divulgados pelo MEC são sempre muito satisfatórios. Sei que isso não acontece somente nos programas, mas também nas escolas de Ensino Fundamental e Médio, tanto municipais como estaduais. Quando tudo isso irá mudar?

Não quero formar analfabetos funcionais. Quero formar homens e mulheres capazes de Ler e interpretar textos, capazes de viver e interpretar a vida. Uma juventude que não tenha medo da concorrência, nem de se expressar livremente. Que não aceite tudo de forma passiva, que se sinta capaz de enfrentar seleções de empregos, concursos e tenha mérito suficiente para chegar à universidade e conquistar seu espaço social. Não quero pessoas que parem por aqui. Quero vê-las seguir a estrada adiante, construir sua própria trajetória e tomar o controle da direção, sem medo do caminho.

Isso ainda me parece uma utopia. No entanto, nós educadores, não desistiremos. A educação ainda será prioridade no Brasil. Chegará o dia em que não mais precisaremos nos envergonhar.

Mas enquanto isso, no Senado Federal...

09 agosto, 2009

BRASIL EM BRANCO E PRETO - PARTE II

Barbaridades acontecem naturalmente
como óperas sangrentas.
Originalidade e trama, confundem figurinos e figurantes
que vivem intensamente
os clássicos memoráveis da dramaturgia brasileira.


... Enquanto isso ...


Ensaiamos nova coreografia.


(Cibele Camargo)

BRASIL EM BRANCO E PRETO - PARTE I

O poder dos homens
a justiça da terra . A fome dos pobres
Todas as vezes ouço todas as vozes ...
- eles sim procedem bem.
Para nós um mau negócio !

(Cibele Camargo)

26 julho, 2009

G-8 (de Brasília) e diploma


No mês de junho, oito ministros do STF, acabaram com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da atividade jornalistica. Isso significa na prática, que qualquer um pode chegar e trabalhar num orgão de comunicação. Basta se achar jornalista e encarar o desafio. Conheço pessoas que mesmo sem diploma dignificaram a profissão de jornalista. Esses no entanto, são raríssimos. Por outro lado, conheci uma legião de indivíduos que se intitulavam jornalistas e se serviam disso para manter um laço de puxa-saquismo com autoridades e obter benefícios próprios, além de procurarem aparecer em fotos.

Com a decisão dos ministros é inevitável que exista uma queda de qualidade. Patrões -sempre preocupados em economizar com salários- serão os únicos responsáveios por contratar "jornalistas", sem se importar com a formação. Se escrever bonitinho e aceitar um "estágio", ganhando uma porcaria, estará empregado. E quem sairá perdendo? Mais uma vez é a população.

Os orgãos de imprensa são responsáveis pela informação e também pela formação. Quando manipulados, podem causar estragos irremediáveis numa sociedade. Estou, agora, com dois exemplares de revistas semanais sobre a mesa: uma conhecida e bajulada; outra nem tanto famosa, mas que informa muito mais que a famosa, além de ser crítica e fazer pensar. Não darei nomes para não dizerem que se trata de propaganda ideológica; não é difícil descobrir. Existem ainda os que acreditam que qualquer um podendo se intitular jornalista, haverá mais liberdade de opnião. Ledo engano. Evidentemente sou contra a decisão daquele G-8. Recentemente comentei em um blog o assunto:

Essa decisão do G 8 é no mínimo absurda: a cúpula da justiça brasileira! Imaginem, oito ministros enterram a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para uma profissão que informa e forma opniões. Qualquer um agora pode chegar lá e ser contratado. A revista Veja, -que nada informa, mas deforma- já aplaudiu a decisão do G 8, exemplo que espero, não seja seguido por outros orgãos, sérios, de comunicação.

Quando fui fazer o vestibular na PUCC, fui lá e cravei seco em primeira opção: Jornalismo. Era isso que eu queria, me interessava por isso. E foi esse curso que fiz. Depois vieram outros, por necessidade, mas por escolha mesmo foi o de jornalismo.
Com a desculpa de que a obrigatoriedade é uma herança da ditadura militar, chegam e liberam tudo para quem quiser entrar. Liberô geral.

Proponho ao grupo dos 8, senhores ministros, que acabem com a obrigatoriedade do diploma também para outras profissões, comecem pelo curso de direito, senhores magistrados. Bastaria os senhores decorarem os códigos civis, penais, aprederem meia dúzia de palavras difíceis e estariam aptos a julgar. Ah... mas se o cara for bom em matemática, que seja engenheiro; e se gostar de cortar carne, seja médico cirurgião... tudo sem diploma, apenas com o esforço e a boa intenção. Mas não posso deixar de lembrar que de boa intenção o inferno está cheio.

Meritíssimos, cursos para quê? Tudo já virou mesmo um meretrício!

21 julho, 2009

SSS... [silêncio?]

Baía de São Marcos em São Luís
Independentemente de qualquer outra questão, admiro quem sabe escrever... Entretanto, sei que quem sabe escrever está longe..., muito longe de saber tudo e de ter sempre razão. O SER LETRADO sempre estará abaixo do SER... SEMPRE! Deixo aqui, portanto, uma homenagem a minha avó - que feneceu aos noventa e seis anos -"analfabeta e pouco letrada". Uma das mulheres mais inteligentes, sábias e honradas que conheci. Minha fascinação por ela se dá por um único e especial motivo: ela me ensinou - sem dizer nada - a, de fato, fazer o bem sem olhar a quem [não digo que aprendi, longe disso!!! Preciso - sempre - voltar às "lições de casa"]. Esforçada, eu sou!... Bem, se o leitor amigo acha que isso nada tem a ver com política, se engana!! É tudo o que falta!! Falta fazer o bem [comum] sem olhar a quem [não apenas aos amigos e parentes; tampouco a si próprio!]. Ah... eu amo e odeio política!!! Amo e odeio o discurso!! Amo e odeio a palavra [humana] escrita ou falada!! Posto ser arma perigosa - pode levar a óbito por assassinato ou suicídio...
Ah, Sêneca... Ah, Senado... Ah, Sarney...
O post abaixo é uma reedição.
Taninha Nascimento
Olá, amigos... Crise é uma assunto "velho" e o artigo do início do ano, mas achei que Sarney se colocou de maneira poética e trouxe informações interessantes que passam despercebidas. Por isso , a postagem. Beijos e, aproveito para agradecer aos amigos as palavras de conforto e carinho. Eu estou "bem"... "Bem..."
Muito obrigada.
Taninha
*****

A crise na janela - José Sarney
Ano novo, dores de cabeça novas. Vim passar o Natal e o fim de ano em São Luís. Minha casa tem uma vista para o mar, de frente para a baía de São Marcos, onde ficam fundeados os navios que vão para o porto da Madeira, da Vale do Rio Doce, ou Itaqui, terminal de carga geral. Um dos meus hábitos, ao levantar, sempre foi contar os navios fundeados. Chegaram a mais de 30, e nos davam euforia pelo desenvolvimento do Estado. São Luís é hoje o segundo porto do Brasil, pois, com sua posição estratégica e profundidade, pode receber navios de qualquer tonelagem. Agora, abro a janela e vejo, em vez dos 30 navios, apenas um solitário barco envolto na bruma de sal que levantam do mar os ventos alísios ainda presentes neste dezembro sem chuvas. Meu neto, vendo-me com os cotovelos na janela, olhar distante, me perguntou o que observava. Respondi: “Uma coisa de que muito se fala, mas nunca tinha visto: a crise.” Ela fez o porto parar e os navios desaparecerem. Pelo Maranhão, exportamos mais de 110 milhões de toneladas de minério de ferro in natura e em pelotas, alumina e alumínio, além de soja, milho, óleos vegetais refinados, arroz e babaçu. É o terceiro saldo de exportação da região, a contribuir para os bons números de nossa balança comercial. Para que esse volume seja movimentado, há um apoio logístico de estradas de ferro, dezenas de comboios imensos de 200 vagões rodando dia e noite, milhares de operários, lavra, energia e estradas.O Estado do Maranhão tem hoje a melhor infraestrutura da Região Nordeste, com a maior fábrica de alumínio do mundo, da Alcoa, e três importantes estradas de ferro: a de São Luís a Teresina, no Piauí, de 450km; a que vai a Carajás, no Pará, de 860km; e a Norte-Sul, que atravessa todo o Maranhão e passa para o Estado do Tocantins, até Araguaína. Foi preciso vir aqui para ver pela janela aquilo que os economistas viram: a crise. Devemos vigiá-los e fiscalizar os remédios que eles prescrevem. Se falharem, eles que treinem o corpo para ter agilidade parecida com a do Bush, a esquivar-se dos sapatos no Iraque.Melhor Cinderela com seu sapatinho encantado. O príncipe, todos acham que se chama Barack Obama. Ah! Meus navios, quando voltarão?
Jornal do Brasil (RJ) 02/01/2009
Fonte: Academia Brasileira de Letras
Postado por Taninha Nascimento às Sábado, Janeiro 31, 2009

15 julho, 2009

Um caso de corrupção na universidade - Urariano Mota




O professor, de quem copio as palavras a seguir, não quer nem pode ser identificado. Adianto apenas que ele é Doutor em importante universidade brasileira.





"Eu fui nomeado para ser relator de uma dissertação de mestrado. Nada de mais, isso faz parte do meu trabalho. Por experiência eu sei que não devo esperar teses que revolucionem o mundo da ciência. Para dizer a verdade, eu não devo esperar a mínima contribuição para qualquer coisa, a mínima que seja. Com franqueza, eu lhe digo que se este fosse o critério, eu próprio não estaria no lugar onde estou. Pois bem.



Quando eu havia corrigido cerca de 2/3 da tese, umas 60 páginas, eu tinha computado cerca de 150 erros de português. Eu não sou exatamente um cultor do português, a minha especialidade é outra. Mas havia erros crassos, clamorosos, gritantes até para um indivíduo como eu. O que o trabalho não sabia de português, melhor ainda não sabia da ciência biológica. Que maravilhosa coerência, não é? Havia antagonismos, buracos, hiatos, saltos... O que faço então? Chamei o aluno à minha presença, contei-lhe o estado deplorável da sua tese.



O aluno, um jovem astuto, muito vivo, me respondeu então, na minha cara, pois a que cara ele haveria de falar, não é?... na minha cara ele me disse que não teria tempo de fazer as correções antes da defesa, e que viria um outro doutor de Brasília para a banca examinadora, etc, etc. Então eu disse a ele: 'Escute, você me fez perder um tempo grande nesta correção. Mas, se a data da defesa já está marcada e seu orientador acha que o seu trabalho está apresentável, eu não vou criar problemas. Agora, tem uma coisa: Retire o meu nome na qualidade de relator, está certo assim?'




Não sei por que cargas d'água o novo cientista achou que a comissão examinadora
poderia criar problemas se ele não recebesse 'o apto a ser julgado' do relator, no caso, eu. Por conta dessa dúvida, ele apareceu lá em minha casa, acompanhado dos seguintes fundamentos teóricos e experiências de laboratório: o seu poderoso e importante pai, com mostras de riqueza nas roupas, nos sapatos, a mencionar de passagem o carro importado, e mais importantes citações científicas, todas de nomes de políticos e de pessoas influentes da sociedade. Claro, como a visita era de amizade, como era uma política de boa vizinhança, eles vieram, a título de apresentação, com um lítro de uísque antigo, cujo preço é o meu salário.... É claro, eu não só dispensei o 'presente' como voltei a explicar tudo de novo: 'O problema é seu e de seu orientador. O que vocês acordarem, para mim estará ótimo. Agora, não coloque o meu nome nessa história. Só isso.'




Bem, o jovem cientista defendeu o indefensável, não fez as modificações sugeridas nem
por mim nem pela banca examinadora, e quando imprimiu os seis exemplares da dissertação colocou o meu nome como relator. Eu fiquei furioso, e só não chamei o cara de santo. Então, fiz uma reclamação por escrito ao coordenador da Pós-graduação e lhe disse que já era a segunda vez que me faziam de palhaço. Por fim, e numa atitude radical, consegui apagar com corretivo o meu nome em quatro dos seis exemplares impressos. O pai do aluno, quando soube dessa minha atitude, que fez? Imagine, o pai do farsante me ameaçou com um processo. Eu era o delinquente! Ainda bem que para a minha felicidade, para que o pai indignado não levasse adiante o processo, não havia prova de que eu fosse o executor de haver borrado o meu próprio nome. E para maior prova de minha boa vontade, ainda havia dois exemplares com o nome legível do relator: o meu.




Agora, vem a melhor parte: contando isso aos colegas professores em uma reunião do Departamento de Biologia, em vez de receber apoio integral pela minha atitude, eu
fui acusado de estar com excesso de 'preciosismo' nas minhas correções. Os professores mais corruptos disseram que eu havia sido imbecil, idiota, metido a Robespierre em não ter aceitado o litro de uísque do cara. Em nome até da presente marcha de valores, eu nada respondi a quem me chamou de Robespierre barato. Minha cabeça poderia ir para a guilhotina.




Para encerrar, eu lhe peço que não mencione o meu nome, pelo amor de Deus. Pelo amor da ciência, eu preciso deste meu emprego para viver".

29 junho, 2009

ESTUDAR PRA BURRO


ESTUDAR... PARA QUÊ?

(Do FHC ao Lula: piora a cada ano)

A expressão: “Estudei pra burro”, normalmente utilizada por alunos que costumam estudar apenas e tão somente para conseguirem qualificação “B” nas avaliações, parece ser inerente ao atual sistema de ensino. Esse fato torna-se mais evidente, principalmente se os alunos que utilizam a referida expressão estiverem cursando o 2.º Grau. Eles não estudam para aprender, mas para serem enquadrados no sentido tácito da expressão “Estudei para (ser) burro”, pois parece ser esta a grande meta da política educacional nacional, que pleiteia resultados estatísticos e não a qualidade educacional e cultural do aprendiz.
No final de todo ano letivo, com certeza o governo apressa as diretorias e conselhos escolares para execução das tabelas e estatísticas que demonstram os altos índices de aprovação, exatamente para ter como justificar os grandes investimentos nas campanhas (propagandas seria o termo correto) efetuadas nos meios de comunicação por esse mesmo governo, mostrando aluninhos muito bem comportados, saboreando suculentas e balanceadas merendas, utilizando-se de uma chusma de livros didáticos “presenteados” pelo governo; os professores: todos dispostos, sorrindo à toa (deve ser pelo “salarião” que recebem).
Quem será que o nosso governo está querendo enganar? Por que os estudantes que não conseguem os índices mínimos de aprovação não podem voltar a cursar a mesma série? Qual a vantagem que desfrutará o pobre do cidadão que é promovido nos primeiros ciclos básicos sem base nenhuma? E o ensino profissionalizante? Qual o motivo de ainda estar tão ruim? Quando o FHC era o Presidente, na própria cartilha “Avança Brasil”, onde estavam expostas as diretrizes do seu governo, na página 133, podia-se ler:
(...). “A educação profissional, por sua vez, não pode ser concebida apenas como uma modalidade de ensino médio. Deve consistir na educação continuada para toda a população economicamente ativa, que precisa manter-se qualificada, readaptada e conservar elevados níveis de escolaridade. (...) A formação para o trabalho exige níveis cada vez mais altos de escolaridade, não mais se restringindo à aprendizagem de algumas habilidades técnicas.” (grifo meu).
Quer dizer que era apenas programa, projeto, ou algo para inglês ver? Mesmo agora com um Presidente petista, será que não entende que a educação profissional inadequada é a principal responsável pela exclusão do cidadão do mercado de trabalho? Qual será a situação futura (digamos: no final desta década) dos analfabetos diplomados no final do corrente ano?
Todos sabem que a educação não se restringe aos anos escolares e ao ambiente da escola formal. Mas o que estão fazendo para a melhoria do ensino formal? O sistema de ciclos e o da escola integrada ao meio são as soluções adequadas? O que estão fazendo para a qualificação dos professores de cada área pertinente ao ensino?
Muito se tem estudado, falado e escrito sobre o sistema de ensino. No país existem vários expertos no assunto. Programas espetaculares já foram divulgados nos meios educacionais. Mas, o que sempre prevalece é a vontade política e as idéias inócuas de secretários de governos quase nunca peritos. Fica sempre patente a vontade política de que o cidadão brasileiro deve contentar-se apenas em ser mais um diplomado, mesmo que analfabeto. A qualidade é a única que repete o ano, fica de “segunda época” (é coisa do passado), dependência ou retida, etc. O mais importante são as estatísticas onde figuram números, nem sempre confiáveis, do baixo nível de analfabetos e retidos. Ainda sem adentrar na problemática da evasão escolar. O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) mostra que atualmente 1,7 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 17 anos abandonaram as aulas e que aproximadamente 40% (é isso mesmo: “40%”) abandonaram por falta de vontade, puro desinteresse.
Cabem aqui alguns questionamentos:
- O governo está investindo para saber o real motivo desse alto índice da evasão escolar? Qual seria o real motivo da “falta de vontade e desinteresse” dos jovens brasileiros?
- E a evasão escolar que só no estado de São Paulo já chegou a 4,5%, ou seja, quase nove milhões de jovens, três vezes a população do Uruguai?
- Não está na hora de o governo investir na melhoria da gestão do sistema?
- Mas... E as avaliações sobre a qualidade do ensino, da qualidade dos aprendizes e da qualidade do magistério?
- Por que o governo não entra na sala de aula?
- Por que... Chega.
A esses questionamentos, quem poderá responder? – melhor: resolver? – melhor não seria: resolvê-los? Será que o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (SAEB), que é Nacional e, se é que ainda funciona, poderia responder (resolver) as deficiências do sistema de ensino? Bem... Acho que estou sendo injusto, pois os ex-participantes do SAEB deveriam ter recebido o Prêmio Nobel da Inteligência, pois descobriram e orgulhosamente divulgaram nos principais jornais do país que: “Sem professor qualificado, escola vai mal”.
Celso Furtado diria: “O nosso sistema de educação está indomado, espoliado, destruído, enquanto o europeu é planejado, cultivado e domado, vencido pela civilização”. Lá, professores e mestres participam do planejamento do sistema de ensino. Aqui são lançados nas arenas (escolas públicas) para serem devorados pelos leões (aqueles que mandam e desmandam na educação). Qual o motivo de o governo nunca ouvir o magistério durante os estudos para a reforma do ensino? Qual o motivo de o governo não investir na qualificação do magistério?
Lá, naseuropa, os alunos necessitam alcançar qualificação pré-estabelecida por área e por disciplina. Aqui, basta ir até as salas de aula, não esquecer de responder: “Presente, fessôra”, tirar xerocópias de alguns trabalhinhos, recortar algumas figuras de revistas e colar em cartolinas, copiar centenas de matérias do quadro verde para tornar-se: “Os Formandos”. Para onde irão os milhares desses “formandos” sem formação? Até quando continuaremos a ouvir: “O importante é o diploma... depois a gente se vira?”.
Bem, não existe coisa pior do que concluir qualquer artiguete com pergunta, mas é necessário:
- O que será da nossa sociedade de amanhã quando os atuais estudantes, que estudaram pra burro, começarem a operacionalizá-la? Iremos nos alimentar de alfafa? O meio de transporte coletivo mais rápido voltará a ser a carruagem? Os puxadores dessas carruagens serão aqueles que estudaram pra burro? Haverá necessidade de diploma para puxar carruagens? E...
- Como ficará o inocente do burro (estou me referindo ao animal) nessa história?

Luiz de Almeida

(A figura adicionada é montagem de outras encontradas na Internet. Caso seus autores não aceitem a postagem neste artigo, bastam enviar mensagem para que a montagem seja desfeita).

05 junho, 2009

Dia Mundial do Meio Ambiente
















Empresas com boas práticas ambientais poderão ser favorecidas em licitações públicas



As empresas que adotam práticas ambientalmente sustentáveis poderão utilizar a certificação correspondente para se beneficiar em licitações públicas. A Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA) reúne-se na próxima terça-feira (9), a partir das 11h30, para deliberar sobre o projeto de lei (PLS 366/08) que inclui essa certificação entre os critérios de desempate em licitações públicas.
A matéria, de autoria do senador Expedito Júnior (PR-RO), recebeu parecer favorável com duas emendas da relatora, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS). O PLS também tramita em caráter terminativo na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Em sua justificação, Expedito alega que o objetivo da proposta é prestigiar as empresas que demonstram responsabilidade com a qualidade de vida das pessoas, ao contribuírem com a preservação do meio ambiente. Para isso, a certificação seria feita pelo órgão estatal competente, dando a condição de "empresa que adota práticas ambientalmente sustentáveis".
Marisa Serrano apresentou duas emendas que apenas corrigem incorreções na redação do PLS. A senadora assinalou em seu parecer que diversos países adotam normas que estabelecem critérios para aquisições, pelo poder público, de bens e serviços ambientalmente sustentáveis. Ela observou que, como regra geral, o estado tem a obrigação de zelar pelo bem comum e pelo patrimônio da coletividade, incluído o meio ambiente.
- No Brasil, constitui mandamento constitucional. Com grande demanda por serviços e produtos, o poder público tem um importante papel indutor a desempenhar - frisou.
Além disso, a senadora disse que o alcance de poder de compra do estado é potencialmente responsável pelo estabelecimento de novos padrões de mercado, ao ampliar a demanda de produtos ambientalmente corretos e tornar viável para as empresas a oferta de bens e serviços considerados compatíveis como conceito de desenvolvimento sustentável.
- Deve-se levar em conta também os inúmeros casos em que a busca do menor preço de bens e serviços, especialmente quando realizada sem levar em conta potenciais efeitos ambientais a eles associados, pode revelar-se econômica e financeiramente condenável, se consideradas as externalidades negativas e os custos da reparação de danos ambientais eventualmente provocados.
Ricardo Icassatti / Agência Senado



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Paim defende conservação da Amazônia em Dia Mundial do Meio Ambiente


O Dia Mundial do Meio Ambiente levou o senador Paulo Paim (PT-RS) a lançar, nesta sexta-feira (5), em Plenário, um alerta pela preservação da natureza. O parlamentar fez uma defesa apaixonada da conservação da Amazônia, ressaltando estudo do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de 2003, que analisa índices de derrubada da floresta. Conforme o senador, o estudo conclui que, mantidas as taxas de desmatamento atuais, 31% da mata estará destruída e 24% degradada até 2023, o que transformará a Amazônia em um grande cerrado até o final do século.
- O Inpe anunciou recentemente que o desmatamento na Amazônia no mês de abril foi de 1.123 quilômetros quadrados e entre agosto de 2007 a abril de 2008 foi de 5.850 quilômetros quadrados - assinalou.
A demanda por alimentos no mundo e o comércio ilegal de madeiras nobres foram identificados por Paim como principais impulsos à devastação na região. O fato de a Amazônia concentrar um quinto da água doce do planeta, reunir de 100 a 300 diferentes espécies de árvores por hectare e abrigar cerca de três mil espécies de peixes em seus rios, conforme relatou Paim, seria mais do que suficiente para exigir pressa na contenção desse desmatamento.
Ao mesmo tempo em que clamou pela conservação da biodiversidade amazônica, Paim destacou ações governamentais com esse objetivo. Assim, citou a criação de um grupo de trabalho para formatar o Fundo de Preservação da Amazônia e a realização do zoneamento econômico e ecológico da região em 2009. E na mesma perspectiva de defesa desse patrimônio natural, listou proposições de sua autoria em tramitação no Senado e na Câmara.
Nesse rol está proposta de emenda à Constituição (PEC 23/08) que exige o aval do Senado para as operações de compra e arrendamento de propriedades rurais na Amazônia Legal. Segundo explicou Paim, sua intenção com a matéria é ampliar a fiscalização do Estado sobre a aquisição por estrangeiros de terras na região, além de determinar o confisco de glebas rurais onde se constate desmatamento ilegal.
Em aparte, o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) reivindicou um debate racional sobre a situação da Amazônia, que leve em conta uma posição de equilíbrio entre a conservação do meio ambiente e as necessidades do ser humano. Na sua avaliação, equívocos e exageros cometidos ao se retratar a realidade da região estariam contribuindo para inibir qualquer atividade de exploração na área.
O senador José Nery (PSOL-PA) ponderou que o desenvolvimento econômico não deve perder de vista a sintonia com o meio ambiente. E lamentou: "parece não nos comover as catástrofes ambientais em todas as partes do mundo. A ganância não pode passar por cima do direito à vida".
Da Redação / Agência Senado

Certa Primavera, in-certa Praça ...



Ontem, há exatos vinte anos, em Pequim, um massacre bárbaro - chamado de "insidente político" ocorreu.

Sonhando e lutando corajosamente, a ponto de não temer pesado exército com armas e canhões, cerca de 400 a 2 mil estudantes entre outros manifestantes morreram. Era o fim de sete semanas de protestos - noite de 3 e madrugada de 4 duma primavera de junho.

Interessante também o nome exército: Exército de Libertação Popular. E, a ordem para promover o "insidente, veio do Governo chinês; especificamente das facções mais conservadoras.

Eu acho muito interessante - no pior sentido da palavra - tantos paradoxos em relação às verdades e aos termos empregados a elas, como também o esforço em apagá-las da memória do povo.

Naquela Praça da Paz Celestial o Exército de Libertação Popular em nome do governo da República Popular da China, promoveu um massacre a estudantes, trabalhadores e ainda, intelectuais - desarmados - que manifestavam seu protesto numa caminhada silenciosa e pacífica - num grito mudo de "guerra de bandeiras brancas" mantendo a "calma no desespero" -, dentro de uma sociedade liderada por um Partido Comunista que era perfeitamente entendido pelos manifestantes - mais ou menos cem mil - como repressivo em desasia e corrupto. Os trabalhadores ali, também lutavam contra a inflação e o desemprego, pois em suas lentas reformas econômicas, a China, não mudava em nada o quadro de vida do povo.

A morte de Hu Yaobang, fora o estopim para o início dos protestos.

Naquela Praça uma "estátua da liberdade", de gesso, foi erguida como tentativa de mostrar ao governo o desejo urgente do povo pela justiça social e democracia.
Na Praça da Paz Celestial, há muitos monumentos que contam a história da China através dos séculos, entretanto o sonho da democracia foi - mesmo - engessado ao derrubarem, imediatamente, a estátua erguida pelos manifestantes.

O povo chinês teve e tem ainda pouco conhecimento do que se deu. Tentaram - e ainda tentam - impedir a imprensa de divulgar a verdade dos acontecimentos daquela noite e madrugada. A comunidade internacional condenou a República Popular da China pela repressão do protesto. O que de nada, me parece, adiantou.

Após vinte anos, as coisas não mudaram muito por lá. O bloqueio ao acesso à internet que normalmente acontece foi ainda mais intensificado nesses últimos dias. Só em Hong Kong é permitido mencionar sobre o incidente de 1989, com manisfestações de apoio às vítimas, inclusive greves de fome e a tradicional vigília, pois lá as leis são diferentes do resto da China.

Então, a China, para mim, é absurdamente contraditória em suas falas e valores em prol de sua política interna e externa. Grande Potência que vem se destacando no cenário mundial como quem "ao longo de 30 anos de reforma e abertura, foi testemunha de um progresso econômico e social", segundo o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores chinês, Qin Gang.

Acontece que ainda existem presos detidos por terem participado dos protestos de 1989. Muitos perderam também seus empregos e ficaram para sempre marcados.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, foi duramente criticada como quem lança "acusações sem fundamento" contra a China ao falar sobre esse assunto em comunicado. "Sem fundamento", é ótimo...

Torço para que a China realmente seja , um dia, o que nos pareceu ser na abertura das Olímpíadas de Pequim... Você lembra? Torço, principalmente, pela juventude de lá. Para que possam fazer valer os sonhos daqueles que foram mortos e torturados dentro de uma política que se diz comunista e, acaba por mostrar ao mundo o quanto não prima por seus valores mais genuínos que deveriam alicerçar sua prática e não distorcê-la numa tirania absurda e perigosa que vem sendo exercida no decorrer dos tempos.

Que aquele "rebelde desconhecido" - que muito provavelmente não só foi preso como também assassinado - seja sempre lembrado e que canhões ou armas quaisquer, não passem mais por cima de pessoas completamente desarmadas - que sonham e lutam por justiça social e prática da democracia -; nem na China e nem no resto do mundo. Que essa vergonha não se repita.

Ora, sonhar não é proibido...



Por Tania Nascimento