11 fevereiro, 2011

Hosni Mubarak renunciou

Comemoração nas ruas do Cairo: 
o presidente Hosni Mubarak renunciou.

Até aqui no Brasil houve comemorações por parte de egípcios. Mas será que os egípcios mundo afora já têm, realmente, o que comemorar? Sei não... Tomara, pois obtiveram grande e histórica vitória derrubando um "mandato" de três décadas.

A questão é que tudo isso é só o começo de um sonho para aquele povo tão submerso nas águas - ou melhor:  nas areias -  profundas e traiçoeiras de uma ditadura/tirania que atravessou séculos e séculos.

Bem... Nada como a democracia - mas não nos enganemos, o caminho é por demais árduo.

Acompanhe:


09 fevereiro, 2011

Energia Elétrica

Imagem disponível no Google



Saberia alguém neste país, que esteja ou esteve diretamente envolvido no setor de energia elétrica, explicar "tim tim por tim tim" o motivo de tantos apagões em curto espaço de tempo aqui no Brasil?

O que nós consumidores sabemos é que pagamos impostos altíssimos por tudo e, principalmente, por direito a energia. Passamos o verão a restringir o uso do ar condicionado, por exemplo. Algo que inclusive afeta a nossa saúde, pois o calor muitas vezes é literalmente de matar... E olha que nosso País é privilegiado em relação aos recursos hídricos naturais e temos sobre a nossa geração de energia a dmiração de muitos mundo afora - cá pra nós:  mesmo com lugares no mapa do Brasil sem este serviço tão básico...

Enfim,  o que ocorre no tramite entre a fortuna que sai de nossos bolsos e a qualidade do serviço? Pergunta comum, sim, mas uma boa pergunta ainda sem resposta clara e convincente.

Ah, sim; precisa mesmo ser tão caro?





"Especialistas analisam a crise no sistema de transmissão de energia elétrica brasileiro - Programa "entre aspas" - Globo News"





07 fevereiro, 2011

Arte Egípcia [Arte do antigo Egito]



Bacana a arte egípcia... Não se sabe o nome dos artistas mais importantes e imortalizados em suas obras imortais...

É interessante que tais artistas em suas obras tinham como "principal inspiração" a imortalidade.



Alguma sugestão de leitura:
Blog do Uchoa
Arte Egípcia
A Arte Egípcia - Brasil Escola
Imagens de Arte Egípcia
Arte Egípcia - InfoEscola

16 dezembro, 2010

Agência Senado - 16/12/2010 - Marina Silva avalia os últimos 16 anos de sua trajetória e despede-se do Senado

BRAVO!!

Agência Senado - 16/12/2010 - Marina Silva avalia os últimos 16 anos de sua trajetória e despede-se do Senado


Em longo e emocionado discurso na tarde desta quinta-feira (16), a senadora Marina Silva (PV-AC) fez um balanço dos últimos 16 anos de sua trajetória e despediu-se do Senado Federal recebendo elogios de seus pares. A senadora agradeceu a sua família, a toda a sua equipe e assessores do Senado e do Ministério do Ambiente, citou nominalmente senadores e deputados de diversos partidos e elogiou a dedicação dos servidores do Senado.




Em 1995, aos 36 anos, lembrou Marina Silva, ela chegava ao Senado para seu primeiro mandato como a mais jovem senadora. Ela recordou seu primeiro discurso da tribuna da Casa, quando registrou sua história política e pessoal, uma seringueira que só se alfabetizaria pelo Mobral aos 16 anos de idade e alcançou o Senado Federal.



- Tenho imensa gratidão pelo povo acreano. Não tenho nada a exigir, a cobrar do povo acreano. Só tenho que agradecer. Nada disso teria acontecido se não fosse pelas suas mãos - disse a senadora lembrando algumas frases de seu primeiro pronunciamento na Casa.



Marina Silva disse ter pautado sua atuação no Senado em três diretrizes básicas: opinião, proposição e articulação. Opinião baseada em princípios e valores, na ética e na moral. Articulação em busca de apoio e diálogo com os mais diversos partidos e setores sociais.



- No que concerne a ser um mandato de proposição, durante esses 16 anos, com um intervalo de 5 anos no Ministério do Meio Ambiente [2003-2007], foi apresentado um conjunto de projetos dos quais tenho muito orgulho. Foram 125 proposições, algumas delas transformadas em lei - explicou.



A senadora se disse de certa forma triste por não ter conseguido ver aprovado um de seus primeiros projetos de lei, o que instituiria a Lei de Acesso aos Recursos da Biodiversidade.



- Saio daqui com essa frustração. Saio daqui com essa falta, a falta de que o Brasil não tem uma lei para proteger e usar, com sabedoria, os 22% de espécies vivas que estão no nosso domínio territorial, só para citar um exemplo - acrescentou.



Lembrou ainda de várias conquistas pelas quais lutou para ver consolidadas: linha de crédito para extrativistas, subsídio para a borracha, Programa Amazônia Solidária, Comissão da Pobreza, luta contra mudanças no Código Florestal, novo modelo para o setor elétrico, diminuição do desmatamento da Amazônia, criação do Serviço Florestal Brasileiro e do Instituto Chico Mendes, Plano Nacional de Recursos Hídricos, Plano de Combate à Desertificação.



- No mandato, fiquei até 2002, quando tive a honra de ser convidada pelo Presidente Lula para ser sua Ministra do Meio Ambiente. E confesso aos senhores que me senti muito honrada com esse convite. Eu o aceitei como um desafio - disse, recordando ter estabelecido que sua gestão à frente do ministério orientaria a política nacional de meio ambiente pelo controle e pela participação da sociedade. E que o sistema nacional do meio ambiente deveria ser fortalecido, ao passo que o desenvolvimento brasileiro deveria ser sustentável e a política ambiental transversal, envolvendo diversos ministérios.



Marina disse ter ficado no Ministério do Meio Ambiente até o momento em que sentiu apoio para suas ações.



- Cerca de 24 milhões de hectares de unidades de conservação foram criados durante minha gestão. Essa é uma contribuição para a proteção permanente que a sociedade brasileira ajudou a estabelecer durante o governo do presidente Lula. Todos aqueles que trabalharam os mapas dos biomas, as áreas prioritárias para as unidades de conservação sabem que, com critério, criamos essas unidades de conservação - acrescentou a senadora, que também relembrou sua saída do PT, em 2009, onde militou por 30 anos, para o PV, um partido pequeno.



A senadora voltou a agradecer a todos os que confiaram a ela seu voto nas eleições de outubro.



Apartes



Em apartes, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Pedro Simon (PMDB-RS), Cristovam Buarque (PDT-DF), Marisa Serrano (PSDB-MS), Marco Maciel (DEM-PE), Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), Jefferson Praia (PDT-AM), Adelmir Santana (DEM-DF), Marconi Perillo (PSDB-GO) elogiaram a trajetória de Marina Silva como senadora, ministra, candidata presidencial e militante.



Suplicy declarou sua admiração e respeito pela colega e elogiou a campanha presidencial de Marina.



- Estaremos juntos até o resto de nossas vidas - afirmou Suplicy.



Simon disse que o Congresso ficará com um grande vazio sem Marina Silva, afirmou que a candidatura presidencial da colega - que alcançou quase 20% dos votos nas eleições - "foi muito significativa para a sociedade brasileira" e sugeriu que Marina, a partir de agora, percorra todo o Brasil para disseminar suas ideias e convicções.



- Vossa excelência tem de percorrer o Brasil. Tem de levar adiante a sua caminhada, as suas ideias, os seus princípios, os seus pensamentos, mulher de ideias fantásticas, de beleza, de amor, de fraternidade - declarou Simon.



Marco Maciel disse esperar que a colega permaneça na vida pública, "dando sua contribuição, que é muito importante nesse campo da biodiversidade, entre outros temas".



Cristovam se ofereceu para ajudar Marina na divulgação de suas ideias, opiniões e projetos.



- Conte comigo, como o seu seguidor aqui, para ler os seus discursos, para apresentar os seus projetos de lei, para continuar a sua luta, para que este país faça a inflexão que a gente vem querendo há dezesseis anos, e que o povo está cansando de esperar por governos que se sucedem com acertos, tímidos, com avanços, mas não com mudança. A senhora representava a mudança, e eu espero que continue na luta, e use a gente para essa sua luta - afirmou Cristovam.



Marisa Serrano disse que Marina Silva é um exemplo para todas as mulheres brasileiras. Garibaldi afirmou que a campanha presidencial de Marina foi vitoriosa por ter chamado a atenção de todo o Brasil para a importância das questões ambientais.



Jefferson Praia declarou que Marina é uma referência na luta pelas questões ambientais para o povo brasileiro. Adelmir Santana também ofereceu-se para ajudar a colega na disseminação das ideias em prol do da conservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Perillo afirmou que a colega é um patrimônio de todos os brasileiros.

Da Redação / Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Assuntos Relacionados: Biodiversidade, Congresso, Crédito, Eleições, Governo, Lula, Mandato, Meio Ambiente, Mulher, Oposição

19 novembro, 2010

"Inexistência cigana"


Um dos melhores e emocionantes discursos que já ouvi...
Minha homenagem:

Agência Senado - 19/11/2010 - Marlete Queiroz diz que ciganos fazem 'um Brasil invisível'

Audio





A SRª MARLETE QUEIROZ – Bom dia, Presidente, Senador Paulo Paim, a todos que compõem a Mesa, aos senhores e senhores que estão presentes no plenário.
Senador Paulo Paim, para mim é uma honra sentar ao seu lado, pela pessoa digna que o senhor é. Tenho certeza de que Deus, Senador, continuará lhe abençoando e lhe protegendo, porque o senhor é um ser humano muito especial. (Palmas.)Eu quero apresentar a vocês um Brasil invisível, um Brasil que a maioria não conhece. Eu quero apresentar a vocês o Brasil cigano, de ciganos que sempre foram considerados intrusos. O dogma nazista para os ciganos era “vidas indignas de serem vividas”. Houve também o holocausto cigano, onde em torno de 600 mil roms foram exterminados.
Por toda a Europa havia a política anticigana. Os ciganos foram escravizados durante 600 anos na Moldávia e Valáquia, que eram principados feudais onde hoje é a Romênia, e vieram para o Brasil no degredo de Portugal, no ano de 1750. Eles só podiam descer no Maranhão, onde havia muitos índios e muito mato. Então, os ciganos tinham que disputar esse espaço com os índios e não tinham o direito sequer à moradia, a estudo, e hoje estamos no ano de 2010.
Falo dos ciganos kalons, porque sou kalin, que são os ciganos de acampamento. Em torno de 800 mil ciganos neste País não são cidadãos porque não têm direito sequer a uma certidão de nascimento. È um Brasil cigano invisível, que ninguém conhece, um povo que precisa de dignidade, respeito e esperança. (Palmas.)Então, Senador, quero lhe agradecer mais uma vez porque, há mais ou menos um ano, estive aqui e pedi ao senhor que ressaltasse que este País é composto por brancos, negros, índios e ciganos e o senhor, após um único contato que tive com o senhor, pelo que acompanho de seus discursos e seus trabalhos, nunca mais deixou de citar os ciganos. (Palmas.)No dia 26 de maio, o senhor nos deu a oportunidade de ter a primeira audiência pública e de eu poder falar em nome dos ciganos de acampamento deste País.
É uma realidade muito dura. Quando procuramos alguns políticos – informo que são em torno de 800 mil ciganos que não têm sequer certidão de nascimento –, a resposta que tenho é a seguinte: “ah, então vocês não votam”. Então nós não somos importantes.
Mas eu quero lhe pedir, Senador, que nos ouça e seja nossa voz, a voz desses ciganos que precisam ser cidadãos. Nós ainda não estamos sequer num estado de discriminação. Acho que vai um pouco além, vocês não acham? Nós sequer existimos, somos invisíveis, não fazemos parte da sociedade. Ninguém nos ouve. Muitos dizem que ciganos gostam de ser nômades. Não é essa a nossa realidade. Nós não temos oportunidade de ter onde morar. “Ciganos roubam”. Aonde chega um acampamento cigano...
Eu não vou longe, vou falar de Brasília. Aqui estão em torno de quatrocentas famílias, crianças que nunca foram à escola, a maioria sem certidão de nascimento. Hoje, estamos nos organizando. Fundamos essa associação, cuja sede é em minha casa. Não podemos acampar mais de quinze dias em nenhum local, porque chegam as autoridades policiais, queimam as barracas, batem nos ciganos e os expulsam.
Então, nós precisamos ser ouvidos quanto às nossas necessidades. Eu aqui quero deixar bem claro: não estou falando da elite cigana, mas dos ciganos de acampamento, dos ciganos que não têm direito a nada, não do folclore que se cria em torno dos ciganos. Nós acreditamos em Deus e é por Deus que nós ainda existimos. (Palmas.)Neste País, no sul de Minas, houve as correrias ciganas: era a luta para exterminar os ciganos. Os ciganos não foram aceitos na sociedade e tampouco no País.
Nós não vamos constar, em 2010, no Censo do IBGE, porque foi um recenseador em minha casa, e ele me perguntou: “Parda, branca ou índia?”. Eu disse: “Eu sou cigana”. “Mas nós não podemos colocar no Censo”. Portanto, nós não existimos. Então, eu não acredito que nós somos discriminados; nós somos simplesmente invisíveis e queremos, Senador, ter esperança de fazer parte desta Nação, ter orgulho de sermos cidadãos brasileiros, porque nós amamos este País.
Nós trabalhamos na construção deste País; nós transportamos mercadorias; nós fazíamos as vendas nas nossas tropas; nós fomos responsáveis por muitas entradas e bandeiras deste país. Portanto, nós temos o direito de existir.
E eu vos peço, Senador, que abrace nossa causa, porque eu não vejo... E eu falo em meu nome, em nome de todos os ciganos de acampamento deste País, porque eles acompanham o nosso trabalho aqui em Brasília. E eles estão na esperança de que, daqui, todos os ciganos possam ter dignidade e seus direitos.
Eu agradeço pela oportunidade de estar nesta Casa, no Senado da República, com uma pessoa tão digna quanto o senhor.
Que Deus abençoe a todos nós e a esse povo cigano! Opcha! (Palmas.)








01 novembro, 2010

Solilóquio sem fim e rio revolto - Jorge de Lima


Solilóquio sem fim e rio revolto -


mas em voz alta, e sempre os lábios duros

ruminando as palavras, e escutando

o que é consciência, lógica ou absurdo.



A memória em vigília alcança o solto

perpassar de episódios, uns futuros

e outros passados, vagos, ondulando

num implacável estribilho surdo.



E tudo num refrão atormentado:

memória, raciocínio, descalabro...

Há também a janela da amplidão;



e depois da janela esse esperado

postigo, esse último portão que eu abro

para a fuga completa da razão.



Jorge de Lima

(1893-1953)



site da imagem

23 outubro, 2010

A onipotência da tagarelice

Olavo de Carvalho [visite o site]
Diário do Comércio, 21 de outubro de 2010



Os signatários do recente manifesto de acadêmicos em favor da candidatura Dilma Rousseff apresentam-se, com modéstia exemplar, como "professores e pesquisadores de filosofia". Não ousam denominar-se filósofos porque no fundo sabem que não o são nem o serão jamais, mas também porque esperam que a mídia, por automatismo, lhes dê essa qualificação imerecida ao publicar a porcaria com o nome de "Manifesto dos Filósofos", conferindo-lhes o título honroso no mesmo ato em que os dispensa do vexame de atribuí-lo a si mesmos.



A filosofia surgiu na Grécia como um esforço de apreender e dizer o "ser" das coisas. A palavra "ser" implica o reconhecimento de uma realidade objetiva estruturada, inteligível, comunicável de homem a homem. O empreendimento filosófico voltava-se diretamente contra uma tradição de ensino para a qual o ser e a realidade objetiva não contavam, podendo ser livremente inventados pela força da palavra e da persuasão. Essa tradição denominava-se "sofística".



Decorridos vinte e cinco séculos, a denominação inverteu-se. O que se chama de filosofia em muitas universidades, especialmente no Brasil, é a convicção de que não existe realidade nenhuma e tudo é construído pela linguagem. Quem ouse praticar a filosofia no sentido que tinha em Sócrates, Platão e Aristóteles, é marginalizado como reacionário indigno de atenção. A sofística, com o nome de "desconstrucionismo", é o que hoje ostenta nos documentos oficiais o nome da sua velha inimiga, a filosofia.



Atribuindo psicoticamente à fala humana o poder criador do Logos divino, Martin Heidegger, militante nazista aposentado e um dos ídolos do establishment acadêmico, declara: "A linguagem é a morada do ser" – como se o ato de falar existisse fora e acima da realidade, e não dentro dela.



No mesmo espírito, Ernesto Laclau, no livro "Hegemonia e Estratégia Socialista" – talvez a proposta política mais influente nos meios esquerdistas das três últimas décadas – ensina que o partido revolucionário não precisa representar nenhum interesse social objetivo e nenhuma classe existente: pode criar esse interesse e essa classe retroativamente, pela força do discurso e da propaganda. O PT, que surgiu como partido de estudantes e socialites, gabando-se por isso de ser a voz das pessoas mais inteligentes (v. o estudo feito em 2000 pelo cientista político André Singer: http://epoca.globo.com/edic/20000717/brasil3a.htm), criou com dinheiro do governo a classe pobre que o apóia, e passou desde então a ser o partido dos desamparados e analfabetos, condenando os outros partidos como representantes da elite letrada. Na mesma lógica, a "democracia", segundo Laclau, é um "significante vazio", ao qual o partido revolucionário pode atribuir o sentido que bem lhe convenha. O PT designa com esse nome a aliança entre o governo e as massas alimentadas com dinheiro dos impostos, aliança montada em cima da destruição de todos os poderes intermediários, a começar pela mídia. Que essa aliança e essa destruição, historicamente, tenham sido a estratégia essencial de todos os regimes tirânicos do mundo (leiam Bertrand de Jouvenel, "Do Poder: História Natural do seu Crescimento"), é um detalhe irrisório: o "significante vazio" admite todos os conteúdos – com a vantagem adicional de que o eleitorado, ao ouvir a palavra "democracia" nas bocas dos próceres petistas, imagina que se trata de democracia no sentido tradicional do termo, porque não leu Ernesto Laclau e não sabe que eles a usam como palavra-código de duas caras, com um significado esotérico para os iniciados e outro, exotérico, para enganar os trouxas.



Não espanta que os servidores das duas maiores mentiras do século XX – o comunismo e o nazismo – tenham acabado por aderir maciçamente à teoria da onipotência criadora das palavras. Essas ideologias juravam basear-se numa descrição completa e objetiva da realidade, capaz de fundamentar a previsão acertada e científica do curso da História. Quando a História as desmentiu da maneira mais acachapante, os adeptos de ambas as correntes, em vez de penitenciar-se de seus erros e crimes, preferiram redobrar o blefe: apelaram ao desconstrucionismo e proclamaram que a realidade não existia mesmo, que tudo era uma questão do jeito de falar.



Também não espanta que, nessas condições, os inimigos de ontem se tornassem amigos, unidos no mesmo projeto sublime de trocar os fatos por uma ficção verbal eficiente. É por isso que tantos comunistas e socialistas amam de paixão os nazistas Martin Heidegger e Paul de Man. Nada une as pessoas mais apaixonadamente do que um projeto solidário de ludibriar todas as outras.



O Manifesto, por exemplo, declara que "Dilma Rousseff tem sido alvo de campanha difamatória baseada em ilações sobre suas convicções espirituais e na deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto."



Em que consiste a "campanha difamatória"? Em dizer que a candidata petista defende a liberação do aborto. E a "deliberada distorção das posições do atual governo sobre o aborto"? Consiste em dizer que o governo quer liberar o aborto.



Desde quando publicar verdades bem documentadas é "campanha difamatória"? A lógica dessa rotulação é a mesma que o conhecido "professor e pesquisador de filosofia", João Carlos Quartim de Moraes, seguiu quando se gabou de ter cumprido pena de prisão pelo assassinato do capitão americano Charles Chandler e em seguida saiu posando de difamado ao ver que, iludido por essa declaração, da qual não tinha motivos para duvidar, eu o qualificava de assassino político condenado pela Justiça. Segundo Quartim de Moraes, acreditar em Quartim de Moraes é crime. Mudar de significado no dia seguinte é um dos mais deliciosos privilégios da mentira.



Do mesmo modo, quem assista ao vídeo http://www.youtube.com/watch?v=TdjN9Lk67Io, e ali veja e ouça Dilma Rousseff expressando seu apoio irrestrito à liberação do aborto, se tornará automaticamente um difamador se acreditar que ela disse o que disse.



No mesmo espírito do manifesto, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos jura: "O PNDH-3 não trata da legalização do aborto. Sua redação sobre o tema é: 'Considerar o aborto como tema de saúde pública, com garantia do acesso aos serviços de saúde'."



Todo leitor no pleno uso de suas faculdades mentais compreende imediatamente que "garantir o acesso ao serviço de saúde" é até mais do que legalizar o aborto: é sustentá-lo com dinheiro público. Mas compreender o sentido originário do texto é crime, porque, segundo a escola de pensamento dominante, nenhum texto tem sentido originário nenhum: o que vale é o sentido retroativo que a parte interessada lhe atribui quando vê nisso alguma vantagem. Os signatários do Manifesto foram educados na mentalidade "desconstrucionista" que apaga a realidade e o sentido para lhes substituir a "vontade de poder" (além de Heidegger, eles adoram Nietzsche) e a estratégia da tagarelice onipotente. É compreensível que, nessas condições, desejem ardentemente passar por filósofos, mas, no íntimo, se sintam um pouco inibidos de declarar que o são.

15 outubro, 2010

"Aos mestres, com carinho..."













Professor

Carlos Drummond de Andrade



O professor disserta

Sobre ponto difícil do programa.

Um aluno dorme,

Cansado das canseiras desta vida.

O professor vai sacudi-lo?

Vai repreendê-lo?

Não.

O professor baixa a voz

Com medo de acordá-lo.

Professores: eternos injustiçados


O jornalista e escritor Gilberto Dimestein afirmou ontem que "o bom professor é aquele que gosta de viver", afirmação atribuida ao mestre Paulo Freire, feita na casa do jornalista, em Nova York, poucas semanas antes de Freire morrer. Ele falou para mais de 400 professores em palestra que fez parte das comemorações e semana de estudos dos professores de Mogi Guaçu-SP, na noite da última quarta-feira, 14.

Ninguém entende o papel do professor, ele é um eterno injustiçado, prosseguiu o jornalista. Ele lembrou que a educação passa por três níveis: família, escola e comunidade, sendo que a parte da escola e do professor, representa apenas 30% desse conjunto. Entretanto as pessoas acreditam que os professores tem poder e condições para resolver e desenvolver toda a educação dos jovens.

"Não é possível melhorar a escola sem melhorar a saúde, e esse não é um problema do professor", disse. Ele lembrou que a questão das drogas não é um problema, mas sim o que está por detrás dele, porque um jovem que segue esse caminho, invariavelmente tem baixa estima, falta de perspectivas, acreditando que o futuro não será melhor que o presente, que geralmente é muito violento.

Dimestein disse que nada é mais importante que o conhecimento, revelando que a leitura sempre lhe trouxe enormes benefícios, sendo que isso é comum na sua religião, a judaica, pois desde criança, são obrigados a lêr, defendendo a educação e informação. Para o jornalista deve haver envolvimento entre a comunidade e a escola, falando de um projeto desenvolvido no bairro onde mora em São Paulo, Vila Madalena. Ele mostrou que uma escola estava para ser fechada, pois o local tido como boêmio, é também considerado violento. Através do envolvimento com diversos setores da comunidade a escola foi restaurada, elevando a auto-estima de alunos e professores, sendo que hoje é uma nova escola, sendo muito procurada, afirmando que deve ser sempre procurado esse envolvimento, finalizou.

07 outubro, 2010

Oito anos depois de Lula, mercados veem 2º turno com cautela

Rafael Spuldar



Da BBC Brasil em São Paulo



Os mercados, que se agitaram em 2002 com a possível eleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a sucessão de Fernando Henrique Cardoso, agora veem com cautela o segundo turno da disputa presidencial entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), segundo analistas entrevistados pela BBC Brasil.




Oito anos atrás, diante da provável vitória de Lula, o dólar subia, as avaliações das agências de risco pioravam e até o megainvestidor George Soros dizia que o Brasil daria um calote na dívida.



O então candidato do PT teve que vir a público para garantir a manutenção dos compromissos com credores, restaurar a tranquilidade no sistema financeiro e abrir caminho para a oposição da época chegar ao Planalto.




Agora, com a retomada do crescimento e o clima de otimismo na economia brasileira, Lula é governo, faz campanha por Dilma e é o tucano Serra – justamente o candidato derrotado em 2002 - quem tem de convencer o eleitor a apostar em uma mudança no Planalto.



Para o diretor da consultoria Prospectiva, Ricardo Sennes, "temor" é uma palavra muito forte para avaliar a reação do mercado a uma possível vitória de Serra. Ele diz, no entanto, que diversos setores consideram o tucano um interlocutor mais difícil de negociar do que Dilma.




"Serra tem convicções fortes em alguns temas, o que não o torna muito palatável para ouvir certas sugestões", afirmou Sennes à BBC Brasil.



Já o professor de Ambiente Econômico Global do Insper, Otto Nogami, vê no mercado uma "certa desconfiança" quanto a Serra, mas acrescenta que um governo do PSDB seria mais favorável ao setor privado por, supostamente, favorecer um crescimento mais "estruturado", a partir de uma política fiscal mais conservadora.




"Muita gente diz que a continuidade do governo (do PT) seria melhor para ganhar dinheiro, mas não necessariamente para criar uma situação sólida para a economia", avalia Nogami.



Política monetária




Os dois especialistas concordam ao afirmar que sinais dados por Serra de possíveis mudanças na política monetária e cambial, incluindo ajustes na governança do Banco Central e na cotação do real, por exemplo, podem gerar incerteza e estimular cautela no mercado, mas sem consequências mais graves.



"Interferências nas leis de mercado, seja de câmbio ou juros, não são muito bem vistas, surge certa preocupação", diz Nogami. Ele acrescenta, entretanto, que qualquer instabilidade que possa ocorrer na bolsa de valores será pontual.




Sennes também admite que "a forma e o conteúdo" das possíveis intervenções de Serra podem gerar expectativa, mas lembra que o tucano tem uma relação muito boa com o setor financeiro desde a criação, em 1995, do Proer - programa que possibilitou a reestruturação dos bancos brasileiros durante a sua gestão como ministro do Planejamento (1995-1996).



O sócio-diretor da LCA Consultoria, Fernando Sampaio, vê no Congresso um maior potencial gerador de incerteza quanto a um governo de Serra. Para ele, dificuldades na montagem de uma base parlamentar preocupariam mais o mercado de ações do que a incerteza nas diretrizes econômicas.




Tanto Sampaio como Sennes veem o setor empresarial dividido quanto a apoiar um ou outro candidato no segundo turno. Segundo o diretor da LCA, os interesses específicos setoriais causam uma "dispersão de posicionamentos".



Já o diretor da Prospectiva diz ser "curioso" que o setor privado se divida entre Dilma e Serra. "Em geral, supõe-se que um candidato de centro teria mais apoio do empresariado, mas o governo Lula e a Dilma conseguem ter um relacionamento positivo com vários setores", afirma.




Reação em Wall Street



Atento ao resultado da eleição no Brasil, o mercado americano parecia já contar com uma vitória de Dilma no primeiro turno. O diretor do Eurasia Group, Christopher Garman, diz que seus clientes em Wall Street "não queriam mais nem updates (novidades)" sobre as eleições.




Segundo Garman, a única dúvida era sobre quem seriam os ministros no governo de Dilma. "Agora, acho que os investidores vão começar a olhar a eleição com um pouco mais de atenção", afirma.



"A política americana não é guiada apenas pela economia", diz o codiretor do Center for Economic and Policy Research, Mark Weisbrot. "Se fosse assim, haveria um empate entre os que preferem Dilma e os que preferem Serra."



"Grande parte dos empresários prefere a Dilma", acrescenta. "Ainda lembram do que Serra fez quando era ministro."




Em 2001, à frente da pasta da Saúde, Serra ameaçou quebrar a patente de medicamentos utilizados no "coquetel" para o tratamento do vírus HIV, como o Nelfinavir (fabricado pelo laboratório Roche) e o Efavirenz (do Merck Sharpe & Dohme), alegando alto custo para a compra dos remédios.



Com a ameaça, os laboratórios reduziram os preços, e as patentes foram mantidas. No entanto, em 2007, o presidente Lula determinou a quebra da patente do Efavirenz.




Sennes e Nogami concordam que o setor de saúde poderia ter uma resistência maior a uma eleição de Serra. Por outro lado, Nogami avalia que os setores voltados à infraestrutura veriam a vitória de Serra com bons olhos, por ter um perfil voltado ao setor produtivo.



O diretor da Prospectiva acrescenta que o tucano, considerando as suas declarações e a sua biografia, pode dar um "choque de competitividade" em diversas áreas como a de autopeças.



"Para Serra, um mercado bem regulado e com forte concorrência funciona melhor do que uma situação em que uma estatal esteja como linha dominante", afirma Sennes.




* Colaborou Alessandra Correa, da BBC Brasil em Washington





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http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/10/101006_serra_mercados_rp.shtml


Leia também: Porque um, porque outro

Entenda por que as eleições no Brasil importam no cenário internacional - BBC Brasil

Índice de atualidades

Uma democracia gigante, com 135 milhões de eleitores, e com um sistema de votação elogiado internacionalmente, o Brasil atraiu a atenção mundial durante a escolha de seu próximo presidente, no último dia 3 de outubro.



O interesse pelo pleito, no entanto, vai além de uma simples curiosidade pelo processo eleitoral do país: o mundo quer saber quem governará uma nação de economia ascendente e com um papel geopolítico cada vez mais forte.



Por outro lado, a maior projeção do país também chama a atenção internacional para questões internas – e muitas vezes nem tão positivas, como a violência e a pobreza.



As preparações para a Copa do Mundo de 2014 e para a Olimpíada de 2016, além da exploração das reservas do pré-sal, completam o quadro de um país que tende a estar com sua imagem cada vez mais exposta à comunidade internacional.



Veja os principais motivos que levam as eleições brasileiras a serem alvo de atenção internacional.



Economia



Poucos países deixaram a crise financeira internacional para trás de forma tão rápida quanto o Brasil. O Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer perto de 7,5% este ano, após uma retração de 0,2% em 2009 – resultado que, apesar de negativo, ficou acima da média, considerando as principais economias do mundo.



Mas não é só a rápida recuperação que vem animando investidores estrangeiros. Com um crescimento médio de 4,8% de 2002 a 2008, o Brasil tem conseguido aliar expansão econômica com inflação sob controle.



O resultado é uma crescente classe média com apetite para o consumo, que tem sido o principal motor da economia do país. Somente no 1º semestre deste ano, a demanda interna cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.



Mas o próximo governo também terá desafios: a taxa de juros do país, descontada a inflação, é uma das maiores do mundo. A carga tributária chega a 36% do PIB, a maior da América Latina, e o país investe pouco, o equivalente a 17,9% do PIB – quando na China e na Índia chega-se a 43% e 34%, respectivamente.



Mas o ambiente macroeconômico favorável, somado a projetos vultosos (dentre eles a exploração de petróleo em camadas profundas e a realização da Copa do Mundo em 2014) deixam os investidores otimistas quanto ao Brasil. Muitos deles, inclusive, já veem o país entre as cinco maiores economias do mundo em um prazo de 15 anos.



Papel geopolítico crescente



Os defensores da diplomacia brasileira costumam dizer que o Brasil “mudou seu patamar” nas relações internacionais e que não existe mais “mesa” em que o país não esteja representado.



Ainda que essa maior participação seja motivo de controvérsia entre os especialistas, o fato é o que o Brasil vem se tornando cada vez mais atuante em determinados fóruns internacionais, sobretudo quando o assunto é economia e meio ambiente.



Um exemplo desse novo papel geopolítico está na participação do país no G20 financeiro, que ganhou destaque em função da crise internacional de 2008.



O Brasil tem sido uma das principais vozes dentre os emergentes em busca de uma nova ordem econômica mundial, com maior peso para esses países em organismos como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial.



Dono da maior floresta tropical do mundo e grande usuário de energia limpa, o Brasil também se tornou presença constante nas discussões sobre mudança do clima no âmbito das Nações Unidas.



Em novembro do ano passado, o país figurou, ao lado de Estados Unidos, União Europeia, China, Índia e África do Sul, entre os principais negociadores da reunião de Copenhague sobre mudanças climáticas.



Os mais críticos, no entanto, argumentam que, apesar dessa maior participação, o país está longe de alcançar resultados concretos, já que o sistema internacional continua sendo conduzido pelas grandes potências.



Política externa mais agressiva



Não é apenas nos fóruns internacionais que o Brasil tem tido papel mais agressivo: a política externa bilateral também se acentuou nos últimos anos, com maior destaque para as relações Sul-Sul.



De olho em uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, o país vem buscando um maior alinhamento com governos de regiões até então pouco exploradas pelo Itamaraty, caso da África e do Oriente Médio.



Recentemente, o Brasil atraiu os holofotes internacionais ao intermediar, junto com a Turquia, um acordo nuclear com o Irã, gerando certa insatisfação no governo americano.



Ao mesmo tempo em que é saudada pela diplomacia brasileira, a aproximação com o governo de Mahmoud Ahmadinejad tem gerado uma série de críticas a Brasília, que não estaria usando sua influência junto ao país persa para tentar atenuar supostos abusos em direitos humanos.



O aprofundamento das relações com países africanos também tem sido uma importante marca da diplomacia brasileira, interessada não apenas em ampliar seu leque de aliados políticos, mas também diversificar suas opções de investimento no exterior.



Por outro lado, alguns analistas costumam apontar um certo “excesso” nas pretensões brasileiras. O argumento é de que a diplomacia brasileira estaria colocando a ideologia política à frente dos interesses econômicos e comerciais do país.



População



Com uma população de 191 milhões de pessoas, o Brasil é o quinto maior do mundo nessa categoria, atrás apenas de China, Índia, Estados Unidos e Indonésia.



Considerando a taxa média de fecundidade entre 2002 e 2006, que foi de 1,5 filho por mulher, o Brasil chegará ao ano de 2020 com uma população de 207 milhões de pessoas, segundo estimativas.



Apesar da tendência de queda, a parcela dos jovens no país ainda é expressiva: cerca de 32,8% da população é formada por pessoas com até 19 anos de idade. Há dez anos, porém, essa mesma parcela era de 40%.



Esse crescimento impõe uma série de desafios ao país, dentre eles uma melhor estrutura em transporte e moradia. De acordo com a ONU, o Brasil tem 55 milhões de pessoas vivendo em favelas ou em outros tipos de moradias inadequadas.



Agricultura e pecuária



Se por um lado o Brasil ainda deixa a desejar quando o assunto é a produtividade na indústria, o mesmo não se pode dizer do campo: o país é um dos maior produtores de alimentos do mundo e ainda tem um alto potencial de expansão.



Nos últimos dez anos, a produção total de alimentos saiu de 80 milhões de toneladas para quase 150 milhões – um crescimento de 87%. O país é o maior exportador mundial de suco de laranja, açúcar, frango, carne bovina e café, além de ser o segundo maior em soja.



Diante do crescimento da população mundial e da necessidade de abastecer um maior número de pessoas com uma dieta cada vez mais diferenciada, alguns especialistas têm apontado o Brasil como “celeiro” do mundo.



O apelido leva em consideração não apenas o que o país produz e exporta atualmente, mas principalmente seu potencial de expansão: segundo as Nações Unidas, o Brasil tem 50 milhões de hectares de terra sob cultivo e outros 300 milhões de hectares aráveis, mais do que qualquer outro país.



Mas apesar do espaço “de sobra”, a expansão do cultivo deverá esbarrar em alguns desafios, como a qualidade de vida no campo e a pressão sobre áreas protegidas.



Para muitos ambientalistas, uma possível alta nos preços das commodities, somada a uma fiscalização ineficiente, podem colocar em risco os biomas da Amazônia e do Cerrado.



Desafios sociais



O Brasil vem conseguindo melhorar seus principais indicadores sociais nos últimos anos, muitas vezes em consequência do crescimento econômico e de uma inflação sob controle.



De 2003 a 2008, cerca de 32 milhões de brasileiros deixaram as classes D e E, ingressando nas classes A, B e C, segundo estimativas da Fundação Getúlio Vargas (FGV).



No que diz respeito ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que considera riqueza, educação e expectativa de vida ao nascer, o país tem melhorado seu desempenho a cada ano, mas ainda está na 75ª posição dentre 115 países – praticamente o mesmo patamar verificado em 2002.



Quando a desigualdade de renda é contabilizada, o país tem um desempenho pior do que a média da América Latina, segundo a ONU.



As diferenças regionais também constituem um dos principais desafios do país nos próximos anos. Um levantamento recente do IBGE mostra que 99,8% das cidades do Estado de São Paulo eram servidas com rede de esgoto em 2008, enquanto no Piauí apenas 4,5% dos municípios eram atendidos.



Outro tema que costuma atrair a atenção internacional para o Brasil, a violência ainda tem indicadores que colocam o Brasil no topo dos rankings mundiais.



Ainda que o indicador tenha melhorado nas capitais, a taxa média de homicídios ainda é alta: 25,2 para cada grupo de 100 mil habitantes.




Créditos: BBC Brasil
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/09/100928_entenda_elecoes_fp_rc.shtml

04 outubro, 2010

ZELIG À BRASILEIRA - Cristóvão Tezza

Lula me lembra Zelig, o hilariante personagem do filme homônimo de Woody Allen, que vai se transformando fisicamente diante dos outros, para ficar parecido com eles. Como no “documentário” sobre Zelig, o tempo todo vemos nosso herói sorrindo com Obama na Casa Branca, falando sério em Copenhague, altissonante no Mercosul, companheiro na Bolívia, nobre em Buckingham, comunista em Cuba, católico no Vaticano e por aí vai. Segundo a tradição miscigenante da cultura brasileira, Lula, como Zelig, transforma-se camaleônico no que for preciso de modo a ficar sempre no mesmo lugar – é uma “metamorfose ambulante”, como ele mesmo se definiu. Na lógica astuta do país, tudo se rege por um senso perpétuo de amortecimento de conflitos e adequação biológica ao meio ambiente.
Seu governo é a expressão de nada; o herói carismático vê-se carregado nos ombros da mais azeitada e obediente máquina partidária do Brasil moderno, que funde um projeto messiânico-revolucionário com a burocracia democrática colocada a seu serviço, a cada dia mais esvaziada politicamente. A única ideologia que resta é uma política externa esfarrapada que dá tapinhas nas costas de Ahmadinejad e ruge furioso contra a eleição de Honduras, que poderia, pela simples força do bom-senso, recolocá-la nos trilhos; que devolve em poucas horas à ditadura cubana dois atletas fugitivos e resiste tenazmente a extraditar para a Itália alguém condenado por crimes comuns num Estado de Direito.
Fala em “pragmatismo” e perde todas as eleições em que se mete nos fóruns internacionais, enquanto ri na fotografia.
O imenso Brasil popular que veio à tona por força do Plano Real e do otimismo econômico dos anos 90 parece ter encontrado em Zelig o seu mantra político-religioso.
O que fazer com o povo brasileiro que, súbito, está nas ruas, de celular na mão direita e tacape na esquerda? Nada a estranhar nos maços de dinheiro enfiados em cuecas e bolsos do DEM e do PT, abençoados por rezas compungidas de ladrões sinceros – como Lula se apressou a dizer, são cenas “que não falam por si”. Afinal, o país de maior mobilidade social do mundo é também o único em que um deputado fraudando um painel de um Congresso Nacional vai se tornar em pouco tempo, inocente, governador do Distrito Federal.
Nada melhorou em nenhuma área. A educação básica patina nos seus piores índices de sempre – enquanto abrem-se dezenas de universidades federais prontas a ocupar o rabagésimo lugar de relevância sob qualquer critério. A lógica que nos arrasta é a da mendicância e a do pátio dos milagres – empresários mendigos, políticos mendigos e povo mendigo, esperando de boca aberta e mão espalmada o sorriso de Silvio Santos a jogar dinheiro na plateia. Faltava um bom ator para o papel – o próprio Silvio Santos até que tentou, mas levou uma rasteira jurídica mais esperta ainda na alvorada de Collor.
Agora, Lula é o cara.

.(Gazeta do Povo, 15/12/09, p. 3)

26 setembro, 2010

100 anos de Lula Cardoso Ayres





Urariano Mota

Hoje faz 100 anos do nascimento de Lula Cardoso Ayres, artista múltiplo, recifense. Pintor grande em uma terra de grandes pintores como Cícero Dias e Vicente do Rego Monteiro, para somente falar de clássicos da moderna pintura brasileira, Lula achou pouco ser desenhista e pintor, e entrou pela fotografia, design, ilustração, pesquisador das gentes.


Em sua fase madura, aprendeu o povo sem apreendê-lo ou prendê-lo. Marcou para sempre as coisas da gente de Pernambuco, como se fosse um filtro humano, colorindo a a geometria. Ver, por exemplo, o que chamo "Cortadores de cana", http://www.bolsadearte.com/maio2000/maio2000lote39%20.jpg

Designer pioneiro no Brasil, desenhou marcas-símbolos-síntese para produtos que dão água na boca só em lembrá-los: lata da biscoitos Pilar, lata do azeite (que era óleo) Bem-te-vi.

Lula Cardoso Ayres se beneficiou do movimento dos comunistas, das esquerdas em geral, que puseram o povo como fonte e realização. (Ele pensava que havia captado isso com Gilberto Freyre, mas Freyre, na época, era reflexo desse movimento grande da esquerda no Brasil.)

Daí que há registros, registros, não, eternizações da cor e da cara da gente de Pernambuco. Tanto em pintura quanto em fotografia. Ver http://www.olhave.com.br/blog/wp-content/uploads/2010/06/Lula-Cardoso-Ayres-1.jpg Ele era um quase tarado pelas coisa de Pernambuco. Às vezes lírico, de um lirismo de arrepiar, como nessa aparição de mulher em um sobrado antigo, da série Assombrações do Recife, aqui http://www.bolsadearte.com/maio2001/imagem/086.jpg e aqui http://www.caiaffa.com/IMG/creditos/Opera/lulacardosoayres%28www.caiaffa.com%29.jpg

No parágrafo anterior, escrevi que Lula Cardoso Ayres era tarado pelas coisas de Pernambuco. Melhor dizendo, corrijo: pela amor e paixão pela terra, ele era antes um terrado. Universal por tara de sua terra.

25 setembro, 2010

O Fim: Venda o Seu Voto!

O Fim: Venda o Seu Voto!: "Sabem, estive pensando... Os eleitores deveriam vender seu voto. Sim, é uma forma de valorizá-lo. A melhor forma. Afinal, por que não vender..."

22 setembro, 2010

21 setembro, 2010

A Imprensa Golpista





Ola pessoal!

A grande impresa brasileira tem o péssimo costume de defender candidaturas sem assumir o que esta fazendo. Isso fica bem claro quando analisamos a conduta de jornais tradicionais como "O Estado de São Paulo" e "Folha de São Paulo", "revista Veja, e pela poderosa formadora de opinião, a "Rede Globo". Esses veículos não utilizam os editoriais para dizerem que são a favor de determinados candidatos. Fazem campanha descarada, disfarçada de noticiário. Isso é lamentável. Na grande imprensa, apenas a revista "Carta Capital", do jornalista Mino Carta, teve a coragem e a ousadia de declarar em editorial que: era a favor de tal candidatura, pois a considerava a melhor. Os outros veículos de comunicação, não. Hoje, "Carta Capital" é obrigatória para quem quer se informar bem.

O jornalista Paulo Henrique Amorim, a criou o termo "PIG" (Partido da Imprensa Golpista), para designar a ala dos veículos de comunicação que age como um verdadeiro partido político de direita. Em seu site "Conversa Afiada", (http://www.conversaafiada.com.br), Amorim nos dá ampla visão do que acontece na imprensa no dia a dia.

Nessa mesma linha de raciocínio, segue o jornalista Ricardo Kostcho, matéria publicada em seu blog "O Balaio do Kotscho" (http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho), na qual ele analisa a cobertura da grande imprensa.

Portanto, tenho grande respeito e admiração a esses três nomes: Mino Carta, Paulo Henrique Amorim e Ricardo Kotscho, que engrandecem o jornalismo. Vejam o artigo.



17/09/2010 - 11:55

Manchetes que viram propaganda eleitoral

Pelos comentários que leio diariamente aqui, os leitores estão cada vez mais indignados com o comportamento da grande imprensa brasileira na cobertura da campanha eleitoral de 2010. Um exemplo que resume a bronca da maioria é a mensagem enviada às 14h06 desta quinta-feira pelo leitor Eduardo Bonfim, pedindo que eu me manifeste sobre o assunto:

“Prezado Ricardo Kotscho

Sou fã do seu blog. Gostaria que você escrevesse um artigo sobre a propaganda que a Rede Globo vem fazendo no Jornal Nacional (JN no Ar) todos os dias, onde claramente só mostra a parte ruim do Brasil para que o povo vote no 45. Realmente, o casal do JN é 45. Isso é liberdade de imprensa?”

Sim, meu caro Eduardo, esta é a liberdade de imprensa que os oligopólios de mídia defendem. Ninguém pode contestá-los. Trata-se de um direito absoluto, sem limites. O citado JN no Ar, por exemplo, levanta todo dia a bola dos problemas das cidades brasileiras, onde falta de tudo e nada funciona. No mínimo, tem lugar onde falta homem e tem lugar onde falta mulher… Logo em seguida, entra o programa do candidato José Serra para apresentar as soluções.

Na outra metade do programa tucano, em tabelinha com os principais veículos de comunicação do país, são apresentadas as manchetes dos jornais e revistas com denúncias contra a candidata Dilma Rousseff, o governo Lula e o PT, numa sucessão de escândalos sem fim até o dia de disparar a tal “bala de prata”.

Já não dá mais para saber onde acaba o telejornal e onde começa o horário político eleitoral, o que é fato e o que é ilação, o que é notícia e o que é propaganda. A estratégia não chega a ser original. Mas, desde o segundo turno entre Collor e Lula, em 1989, eu não via uma cobertura tão descarada, um engajamento tão ostensivo da imprensa a favor de um candidato e contra o outro.

O esquema é sempre o mesmo: no sábado, a revista Veja lança uma nova denúncia, que repercute no JN de sábado e nos jornalões de domingo, avançando pelos dias seguintes. A partir daí, começa uma gincana para ver quem acrescenta novos ingredientes ao escândalo, não importa que os denunciantes tenham acabado de sair da cadeia ou fujam do país em seguida. Vale tudo.

Como apenas 1,5 milhão de brasileiros lê jornal diariamente, num universo de 135 milhões de eleitores, ou seja, o que é quase nada, e a maioria destes leitores já tem posição política firmada e candidato escolhido, reproduzir as manchetes e o noticiário dos impressos na televisão, seja no telejornal de maior audiência ou no horário de propaganda eleitoral, é fundamental para atingir o objetivo comum: levar o candidato da oposição ao segundo turno, como aconteceu em 2006.

À medida em que o tempo passa e nada se altera nas pesquisas, que indicam a vitória de Dilma no primeiro turno, o desespero e a radicalização aumentam. Engana-se, porém, quem pensar que o eleitorado não está sacando tudo. Basta ler os comentários publicados nos diferentes espaços da internet _ este novo meio que a população vem utilizando mais a cada dia, para deixar de ser um agente passivo no mundo da informação e poder formar a sua própria opinião.

Em tempo: não tem jeito. Quanto mais denunciam, atacam, escandalizam, mais aumenta a diferença de Dilma para Serra. No novo Ibope divulgado esta noite pelo Jornal Nacional, o abismo entre os dois candidatos abriu de 24 para 26 pontos (51 a 25). O casal JN estava todo vestido de preto. A estratégia kamikase só está fazendo o candidato da oposição cair mais ainda nas pesquisas. Como vai ficar a credibilidade da imprensa depois das eleições?

Autor: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog

CRISTOVÃO TEZZA - LULA E AS ABSTRAÇÕES

Lula e as abstrações
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Como todo brasileiro mais ou menos letrado, venho acompanhando a sucessão de escândalos da Casa Civil – ou da Casa da Dilma, porque afinal foi lá que se fez o ninho de sua candidatura pela mão do presidente Lula. O aspecto que mais vem chamando a atenção dos analistas é o fato de que nada disso parece até o momento afetar os índices das pesquisas da eleição, ainda que haja um ou outro estremecimento aqui e ali, quase imperceptíveis.
As explicações para essa ausência de ressonância são muitas – a principal delas, a satisfação de uma larga parcela do povo beneficiada pelo crescimento econômico brasileiro, para a qual o noticiário, em qualquer caso, é irrelevante. Para outra faixa, a “roubalheira” seria “a de sempre”, “política é assim mesmo”, esse pessoal “rouba mas faz”, e se repetem as clássicas afirmações populares que atestam a simples e centenária despolitização brasileira. E para muitos tudo não passaria de uma conspiração da “imprensa vendida”, a velha válvula de escape. Amparados na popularidade messiânica de Lula, os candidatos do governo recebem afagos do chefe e seguem em frente, sorridentes na fotografia. Nada parece fazer diferença.
Quando Lula perguntou, há algumas semanas, “onde está esse tal de sigilo”, produziu uma piada cretina, é verdade – mas deu mais um exemplo da natureza de seu sucesso, que é o horror a abstrações. Ao transformar o “sigilo” – um complexo conceito criado pela civilização para proteger os direitos do indivíduo – num malfeitor que precisa ser “preso”, ao mesmo tempo não disse nada, encerrou o assunto e deixou uma imagem concreta na cabeça do eleitor desavisado. Uma imagem inútil, mas tranquilizadora.
Outra abstração de difícil percepção popular, pelo menos no Brasil de hoje, é a separação fundamental entre Estado, governo e partido político. Lula se comporta como alguém que, em oito anos de mandato, ainda não conseguiu se transformar em presidente. A sem-cerimônia com que o aparelho inteiro do Estado, sob a aguerrida onipresença do próprio Lula, se lança na campanha presidencial, filmada em autoespetáculo pela própria tevê estatal, sem sequer o pudor de uma licença do cargo, dá a impressão assustadora de uma arrogância triunfante e corrupta, vivendo a pura lógica de terra arrasada, como se o sucesso de seu governo não melhorasse o país, mas paradoxalmente o tornasse pior, vivendo o ressentimento e a volúpia de uma vingança contra um “inimigo” que, de fato, jamais teve. Pelo contrário, durante oito anos Lula contou com o melhor Congresso que o dinheiro pode comprar, repetindo a velha piada.
Por um Fiat Elba, Collor virou farelo. Diante dos renitentes escândalos da Casa Civil, parece que o que está fazendo falta mesmo é um PT, que, como nos velhos tempos, não deixasse passar um fio de cabelo sem ligar o megafone. Mas acho que isso já é pedir abstração demais.
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(TEZZA, Cristovão - escritor e colunista da Gazeta do Povo. Crônica publicada em 21/09/2010)