29 abril, 2009

A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E LINGUAGEM E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO - Colaboração do Prof. Jayme Bueno



Homem Vitruviano
Leonardo da Vinci, 1490
Lápis e tinta sobre papel
34 × 24 cm
Gallerie dell'Accademia
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

































A RELAÇÃO ENTRE EDUCAÇÃO E LINGUAGEM E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO
1 Introdução.
Hoje, quando vivemos novos tempos no modo de ver e de enfocar as diversas áreas do conhecimento, é comum ouvir-se falar de relação entre educação e linguagem, educação e literatura. O que, porém, não nos parece tão fácil é falar desse tema. Como tudo que envolve interdisciplinaridade, multidisciplinaridade e transdisciplinaridade, conceitos que surgem, transformam-se, ou mesmo desaparecem, e por isso intrincados e complexos, a aproximação entre educação e linguagem e, mais especificamente, entre educação e literatura, também apresenta esse mesmo grau de dificuldade.
Como sabemos pela própria história da educação, não foi sempre assim quanto a se falar do relacionamento entre os diferentes saberes. Cada área, cada disciplina se restringia, para não dizer que cada uma se fechava, em si mesma. O pensamento mudou, mudaram os paradigmas, porque mudou o mundo. As relações das pessoas e das organizações na sociedade agora são outras, diferentes de como eram. Vivemos, segundo dizem, a era da informação.
Esse movimento dialético de mudanças, porém, é de todos os tempos. Na literatura, os autores do Renascimento já poetizavam a mudança do mundo e a não mudança do que eles gostariam que mudasse: o sofrimento, a inconstância do amor, etc.
Vejam-se, como exemplos, estes versos de Camões (1980, v. 2, p. 257):
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades /
Muda-se o ser, muda-se a confiança: /
Todo o mundo é composto de mudança /
Tomando sempre novas qualidades. /
(...)
E, afora este mudar-se cada dia, /
Outra mudança faz de mor espanto, /
Que não se muda já como soía. /
Este artigo insere-se num ambiente de intercomunicação entre saberes, para participar da discussão do ensino e da aprendizagem da literatura. Enfim, é objetivo integrar-se ao estudo da problemática referente à relação entre educação, linguagem e produção do conhecimento.
Na prática, o presente estudo pode dividir-se em duas partes. Na primeira, colocam-se alguns aspectos da relação entre educação e linguagem, ou entre linguagem e educação, na dependência de essa relação ser vista da perspectiva de teóricos da educação ou sob o enfoque de lingüistas. Na segunda parte, apresenta-se a temática em um poema que inter-relaciona linguagem comumente tratada como científica com outra dita poética.
- O poema que será enfocado
A poesia moderna ou aquela surgida após os movimentos de vanguarda do Modernismo podem nos proporcionar, com mais propriedade, esse tipo de aproximação, o que resulta num estranhamento para usar o termo empregado pelos formalistas russos. (EIKHENBAUM, 1976). Segundo esses teóricos, era o estranhamento causado por certo tipo de linguagem, ou, como em alguns casos, a combinação de linguagens. Isso caracterizava a literariedade, ou seja, o ser literário, de um texto. No caso que será tratado é a aproximação ou a convivência de uma linguagem da área das ciências com outra mais conhecida em textos literários ou, especificamente, na poesia.
2 Educação e linguagem.
Barthes, na introdução de Elementos de semiologia, como fizeram os semiologistas e lingüistas de todos os tempos, enfatiza a importância da linguagem na “tradução” de todos os “objetos, imagens, comportamentos”, porque, segundo ele, “qualquer sistema semiológico repassa-se de linguagem”. É mais enfático ainda quando afirma: “o mundo dos significados não é outro senão o da linguagem”. (BARTHES, 1977 , p.12) . Hoje, quase um século após Saussure, pai da lingüística moderna, e mais de quarenta depois do estruturalismo francês são compreensíveis tais afirmações. O mesmo, porém, não acontecia naquelas épocas, em que os estudos lingüísticos se guiavam por orientações historicistas e evolucionistas dos denominados neogramáticos do século XIX. (DUBOIS et al., 1978 e LYONS, 1979).
Wittgenstein, com toda sua complexidade, parece tornar-se claro quando afirma que “o homem possui a capacidade de construir linguagens com as quais se pode exprimir todo sentido”. Para mim, ao menos, volta a ser altamente complexo quando esse mesmo autor escreve: “Toda filosofia é crítica da linguagem” (WITTGENSTEIN, 1994, p. 165). Em ambos os casos, porém, ressalta-se a importância da linguagem. No primeiro, reforça-se a idéia de que os sentidos, ou seja, os significados, no dizer de Barthes, são traduzidos, expressos, transmitidos e construídos pela linguagem; no segundo, parece tratar-se do fato de a linguagem fundamentar toda a filosofia. É a filosofia se fazendo na linguagem e com a linguagem, se esta minha interpretação estiver correta.
De modo geral, os autores, mesmo ao criticar os lingüistas, preocupam-se com a linguagem como meio de comunicação e, também, do aprender, do construir e do receber e transmitir o conhecimento. É o caso, por exemplo, de Bakhtin (1981, p. 106), que, ao procurar explicar pela dialética marxista o sentido da palavra, afirma: “Quando o filólogo-lingüista alinha os contextos possíveis de uma palavra dada, ele acentua o fator de conformidade à norma; o que lhe importa é extrair desses contextos dispostos lado a lado uma determinação descontextualizada, para poder encerrar a palavra num dicionário.” Logo adiante, no seu texto, declara: “Os indivíduos não recebem a língua pronta para ser usada; eles penetram na corrente da comunicação verbal; ou melhor, somente quando mergulham nessa corrente é que começam a operar.”
Tudo isso fica mais claro, quando ele reitera e amplia o campo do seu entendimento de língua: “Os sujeitos não ‘adquirem’ sua língua materna; é nela e por meio dela que ocorre o primeiro despertar da consciência.” (BAKHTIN, 1981, p. 108). É a língua - ele fala de língua materna em oposição a língua estrangeira - que forma a consciência, o próprio indivíduo, porém num ambiente de interação pelo produto da fala, a enunciação. Nas palavras do próprio Bakhtin (1981, p. 109), “A enunciação é de natureza social”.
Sabemos todos da importância que tiveram os estudos de Vigotski para educação. A teoria construtivista promoveu mudanças na escola, nos currículos, na forma de ensinar e, principalmente, contribuiu para o surgimento de novos paradigmas na educação. O construtivismo de Vigotski e de seus seguidores - Luria, por exemplo -, ao lado de outras teorias como o interacionismo de Piaget, alteraram profundamente o modo de ver todo o processo do ensino e da aprendizagem. (POZO, 2002; UCHÔA, 2005; CAMPOS, 2005).
Ao tratar da comunicação, uma das funções da linguagem e fundamental para a educação, Vigotski (2003, p. 7), após criticar teorias lingüísticas que se apoiavam apenas na idéia do signo (a palavra ou o som) como meio de comunicação, afirma: “um estudo mais profundo do desenvolvimento da compreensão e da comunicação na infância levou à conclusão de que a verdadeira comunicação requer significado – isto é generalização -, tanto quanto signos.”
O conceito de “generalização” ao lado do conceito de “simplificação”, Vitgoski aproveita, segundo sua própria declaração, do lingüista norte-americano Edward Sapir. Segundo este último, nas palavras do próprio Vigotski:, “o mundo da experiência precisa ser extremamente simplificado e generalizado antes que possa ser traduzido em símbolos.” (VIGOTSKI, 2003, p. 7).
Dessa forma, Vigotski (2003, p. 7-8) pôde concluir seu raciocínio: somente assim a comunicação torna-se, de fato, possível, pois a experiência do indivíduo encontra-se apenas em sua própria consciência e é, estritamente falando, comunicável. Para se tornar comunicável, deve ser incluída numa determinada categoria que, por convenção tácita, a sociedade humana considera uma unidade. Assim, a verdadeira comunicação humana pressupõe uma atitude generalizante, que constitui um estágio avançado do desenvolvimento do significado da palavra. As formas mais elevadas da comunicação humana somente são possíveis porque o pensamento do homem reflete uma realidade conceitualizada.
No campo mais específico da relação entre linguagem e educação, Rondal (1980, p. 73) declara: “La escuela (...) tiene por objeto el explicitar y elaborar por el lenguaje los principios y las operaciones que se aplican a los objetos (ciencias) y a las personas (humanidades).”. Pela afirmação, pode-se perceber a importância que a linguagem assume para a escola e, consequentemente, para a educação.
Concluindo este tópico, reitera-se o reconhecimento pelo que a linguagem representa e pelo papel que desempenha na construção e na comunicação do conhecimento na escola ou em outra instância em que se ensina e se aprende. Pedagogos, lingüistas, psicolinguistas, como é o caso do último autor citado, educadores de um modo geral dedicam-se ao tema e contribuem com suas pesquisas, seus estudos, suas propostas para o fortalecimento da relação que há entre linguagem e educação.
3. Educação, literatura e construção do conhecimento: uma problematização.
O que se disse sobre a relação entre educação e linguagem poderia se repetir no enfoque deste item, por se tratar a literatura de um produto da linguagem. Porém, como certa especificidade da linguagem, o texto poético apresenta características que lhe são próprias e que podem ser enfocadas de modo específico. É o que se busca fazer nesta parte do estudo.
O problema com que se depara é de como a literatura tem frequentado, ao menos teoricamente, a sala de aula, e que contribuição ela pode trazer para o ensino e para aprendizagem nos diferentes ramos do saber, mais especialmente nas áreas da Educação e de Letras.
Sabe-se por alguns estudos, principalmente dos programas de pós-graduação, que o texto literário, ao lado de textos de outros gêneros, vem aparecendo com bastante frequência, e não só nos cursos das duas áreas referidas, mas em diversas outras. Muitas vezes, tem a função apenas de ilustração, com frases de autores mais popularizados – não populares - como Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, ou letras de compositores famosos. Chico Buarque talvez seja o exemplo mais claro dessa tendência.
Tratando da problemática de se trabalhar com o texto em sala de aula, há diversos trabalhos de mestrado, defendidos em diversos Programas de Pós-Graduação em Educação e em Letras, ou afins. Eles se inscrevem no contexto da produção do conhecimento na área da educação, mas tendo como apoio o conhecimento e o estudo de disciplinas relacionadas com a linguagem, como é a proposta deste artigo.
4. Um poema, uma lição.
O poema Lição sobre a água, que será enfocado, é de autoria do poeta português António Gedeão, pseudônimo de Rômulo de Carvalho (Lisboa: 1906-1997). Licenciado em Ciências Físico-Químicas e em Ciências Pedagógicas, Rômulo de Carvalho, exerceu o magistério em Coimbra e Lisboa em diversos Liceus. Publicou inúmeros livros didáticos, como, por exemplo, Compêndio de Química para o 3.º Ciclo.
Como poeta, seu primeiro livro somente saiu publicado em 1956, embora desde a infância demonstrasse tendências literárias, que foram deixadas de lado até a maturidade pelo envolvimento com a ciência e com o magistério. Foi nessa primeira obra, Movimento perpétuo, que surge o pseudônimo Antônio Gedeão.
Dois anos após, em 1958, surge novo livro de poemas, Teatro do mundo. Transcorreram mais três anos para aparecer o novo livro, Máquina de fogo, e em 1967 lança Linhas de força, que, no ano seguinte, é incorporado aos outros três sobre o título Poesias completas: 1956-1957.
Na literatura, publicou ainda uma peça de teatro, RTX 78/24, em 1963, e uma coletânea de contos, A poltrona e outras novelas, de 1973. Publicou ainda poemas que versam sobre temas científicos.
Novamente, sua produção poética e literária é prejudicada pelas várias atividades científicas e culturais em cargos que passou a ocupar e, também, pela publicação de inúmeras outras obras de caráter científico e pedagógico. Embora não tivesse produzido obra literária, nem especificamente poética, de grande fôlego depois de 1968, nunca deixou de publicar poemas em revistas e jornais literários de Portugal. A sua marca na literatura, na ciência - quer como professor, quer como divulgador – e na cultura portuguesa são inegáveis. Foi uma vida de 91 anos voltada para a profissão de ensinar, que a exerceu como verdadeira missão, e voltada também para o desenvolvimento da ciência em Portugal, que está sempre presente na sua obra.
LIÇÃO SOBRE A ÁGUA - Antônio Gedeão -
Este líquido é água. /
Quando pura /
é inodora, insípida e incolor/
Reduzida a vapor /
Sob tensão e a alta temperatura, /
Move os êmbolos das máquinas que, por isso, /
Se denominam máquinas de vapor./
.
É um bom dissolvente. /
Embora com exceções mas de um modo geral, /
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais. /
Congela a zero graus centesimais /
E ferve a 100, quando à pressão normal. /
.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, /
sob um luar gomosos e branco de camélia,/
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia /
com um nenúfar na mão.
(GEDEÃO, 1975, p. 244-5.) -
Este poema faz parte do livro Linhas de força, publicado inicialmente em 1967 e, posteriormente, incluído em Poesias completas, de 1968. Linhas de força é a obra poética considerada pela crítica a mais significativa do autor. Sena (1968, p. LXXVI), no estudo introdutório de Poesias completas, declara: “Tomara muitos publicar um livro como este, é óbvio. E alguns dos poemas dele são por certo dos melhores de António Gedeão”. Referindo-se especificamente ao poema que está sendo enfocado, e fazendo menção ao perfeito equilíbrio entre diferentes tipos de linguagens, o mesmo crítico afirma: “No terceiro dos livros, em dois poemas a síntese era perfeita entre a terminologia científica e a linguagem-padrão. Pode dizer-se que, neste 4.º livro tal síntese só se verifica – aliás admiravelmente – num poema (Lição sobre a água)” (SENA, 1968, p. LXXIV).
Iniciando o enfoque do poema pelo título, podem-se deduzir daí duas “lições”. Uma sobre o elemento água, o que reflete um posicionamento científico; e uma outra “lição” que se mostra sobre a água, ou seja, boiando sobre ela.
Na introdução do poema – as duas primeiras estrofes – são expostas em forma de lição, as características da água, numa descrição muito próxima daquela que é comum aparecer em textos de livros científicos. Aí estão presentes as qualidades físico-químicas da água. Há, portanto, uma identificação com o denominado discurso científico. É um texto descritivo, em oposição à segunda parte, claramente uma opção pelo texto narrativo. É o que se denominava discurso objetivo, aquele cujo sujeito seria a própria ciência e não um sujeito da enunciação, numa visão estruturalista, como a de Greimas (1976).
Essa semelhança se ressalta no momento em que se comparam as duas primeiras estrofes do poema com fragmentos de um texto de uma enciclopédia:
.
Este líquido é água. /
Quando pura /
é inodora, insípida e incolor. /
Reduzida a vapor, /
Sob tensão e a alta temperatura, /
Move os êmbolos das máquinas que, por isso /
Se denominam máquinas de vapor. /
.
É um bom dissolvente. /
Embora com exceções mas de um modo geral, /
dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais. /
Congela a zero graus centesimais /
E ferve a 100, quando à pressão normal.
(GEDEÃO, 1975) -
A água pura é um líquido inodoro, insípido, transparente e quase incolor. (...) Suas propriedades físicas são usadas para a definição de muitas constantes físicas. Funde-se a 100,000º C, sob pressão de 760 mm Hg. (...) Tem grande capacidade calorífica; a 14,5º C, seu poder calorífico é de 1,000 caloria. (...) Reage com os óxidos básicos, formando bases; e com os óxidos ácidos, formando ácidos. Decompõe diversas substâncias, pela reação de hidrólise. Toma parte na constituição de muitos compostos, principalmente sais, formando os hidratos.
(ENCICLOPÉDIA BRASILEIRA MÉRITO, s.d.)
O diálogo entre os dois textos é facilmente constatado, o que nos mostra certa “postura científica” no texto poético de António Gedeão. Essa postura científica, como procedimento, ou com figura poética, apresenta-se de dois modos: primeiramente, pela descrição de um fazer científico - o descrever a água – e pela contraposição de um discurso aparentemente científico a um discurso consagrado tradicionalmente como poético.
Passando para a segunda parte do poema – a terceira estrofe -, que também traz em si uma “lição”, porém de caráter mais subjetivo, e agora não mais num tom de ciência, mas num estilo de aviso, de advertência, próprio dos ensinamentos. É como se chamasse a atenção para o perigo da água ou, então, considerar a água como um local e instrumento de suicídio. Assim, comentando o poema, interpretou Mattos (s.d.), com apoio em Braga. Formalmente, apresenta-se de modo diferente, com nova técnica na construção do texto. Recordando a estrofe, ela é a seguinte:
.
Foi neste líquido que numa noite cálida de Verão, /
sob um luar gomosos e branco de camélia, /
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia /
com um nenúfar na mão.
(GEDEÃO, 1975) -
Aqui, como já se mencionou, o gênero é narrativo. As formas verbais - Foi e apareceu - denotam um tempo que passou, característica de tal gênero textual. Como na primeira parte, que se relacionava a um outro texto, o mesmo acontece com esta segunda parte do poema. Agora, a intertextualidade se dá não mais com um texto proveniente da ciência, mas da literatura, mais precisamente com um trecho da peça Hamlet, de Shakespeare:
.
Ao tentar pendurar suas coroas
nos galhos inclinados, um dos ramos
invejosos quebrou, lançando na água
chorosa seus troféus de erva e a ela própria.
(SHAKESPEARE, s.d.)
Mesmo levando-se em conta o fato de se tratar de uma tradução, a semelhança, neste caso, é mais de assunto do que de estruturação linguística. Há uma maior liberdade criativa por parte de Antônio Gedeão na construção do seu texto poético, pela própria natureza subjetiva da narração. Com isso, a ligação estrutural, formal, torna-se menos acentuada.
Com a reprodução e o enfoque do poema Lição sobre a água, de Antônio Gedeão, procurou-se exemplificar a profunda ligação entre educação e linguagem. Mais especificamente, buscou-se mostrar a ligação da educação a um tipo específico de linguagem, a linguagem poética.
5. Considerações finais
A relação entre educação e linguagem é clara, como se viu ao longo deste texto e, pode-se dizer, já pertence ao domínio do saber estabelecido. No ideário de teóricos da educação e de estudiosos da linguagem essa relação é ressaltada e valorizada como intrínseca e fundamental. Nesse contexto, procurou-se mostrar também o aproveitamento que o texto poético faz do tradicionalmente denominado discurso científico como um procedimento, ou seja, como figura poética.
O que pode ficar de “lição”, neste artigo, aproveitando a atmosfera poética do texto de Antônio Gedeão, é que a relação entre educação e linguagem e, especificamente, entre educação e poesia, ou linguagem poética, podem tornar-se elementos constitutivos da construção e da difusão do conhecimento. Portanto, e consequentemente, podem contribuir para o ensino e para a aprendizagem em todos os níveis da educação.

Prof. Jayme Bueno [Blog: http://jaymebueno.blogspot.com/ ]

26 abril, 2009

O Educador Paulo Nathanael / Arnaldo Niskier

APÓS A LEITURA DO ARTIGO, VAMOS DIALOGAR SOBRE O ENSINO MÉDIO?? [Pensar, ao menos...]
*****

Foi uma cerimônia muito bonita, no auditório do CIEE/SP. Era a posse do educador Paulo Nathanael Pereira de Souza como membro efetivo da Academia Paulista de Letras. Na ocasião, suas varias ações, sobretudo como homem público, foram lembradas pelos oradores, um dos quais, entusiasmado, chegou a chamá-lo de “Santo”.

Conheci de perto a grande paixão de Paulo Nathanael Pereira de Souza pela educação brasileira durante os anos de convívio, no antigo e saudoso Conselho Federal de Educação. Suas intervenções, sempre sábias, constituíram permanente aprendizado. Minha admiração não era só pela figura do presidente do CFE, mas pelo especialista, notadamente em educação média e profissionalizante, que visitei, de uma feita, no Cenafor, também por ele comandado.

Não posso lhes garantir que ele, quanto mais velho ficou melhor. Por uma simples razão: suas ideias jamais envelheceram, como pude verificar ao fazer em parceria o livro “Educação, Estágio e Trabalho” (Editora Integrare), felizmente com muito sucesso. Aliás, devido às suas judiciosas considerações sobre a educação em nosso País, sempre uma prioridade verbal, mas não prática. Diz Paulo Nathanael, agora membro também da Academia Paulista de Letras e da Academia Brasileira de Educação (eleito na semana passada) que “o ensino médio brasileiro tem sido o calcanhar de Aquiles do sistema educacional. Jamais conseguiu definir o seu objetivo.”

Concordo inteiramente com a sua tese de que o segredo do ensino médio no Brasil é que ele não sabe realmente para que existe. Tanto isso é verdade que passou a ser a grande preocupação das autoridades no MEC, empenhadas na associação inteligente da formação propedêutica com a necessária visão profissionalizante. Todos concordamos que o ensino médio não pode ser apenas um corredor de acesso ao ensino superior. Novas necessidades sociais, econômicas e culturais obrigam a esse casamento, sem esquecer que o humanismo deve ser prevalecente, pois se deseja a formação integral do educando – e isso não pode ser secundarizado.

Defendemos, em conjunto, a melhor formação dos professores. Tudo o que é ensinado hoje na escola deve ser acompanhado da explicação clara da sua aplicabilidade na vida real. “Quando fui reitor de uma universidade, em São Paulo, não me cansei de proclamar essa necessidade.” – diz o mestre Nathanael, com a firmeza com que defende as suas convicções. Outro fato marcante em sua personalidade é a defesa intransigente do valor dos profissionais brasileiros. Por que essa mania de exaltar somente o que vem de fora, como se ainda vivêssemos a fase de predomínio dos índios botocudos?

Não se pode deixar de admirar o educador Paulo Nathanael Pereira de Souza, também, pelo muito que fez na direção do Centro de Integração Empresa-Escola Nacional. Foram anos de grande produtividade, com a incorporação de um número recorde de estagiários e aprendizes, com uma particularidade essencial: todos estão sendo orientados com uma visão moderna, para o futuro, com o pleno emprego da educação à distância e de outras tecnologias de ponta. É um brasileiro que merece todas as homenagens, um dos melhores amigos que fiz na vida.

*****Jornal do Commercio (RJ), 13/4/2009

13 abril, 2009

Poetas de 45


Antonio Olinto




Estamos em 1945, a guerra terminara em 8 de maio. Não sabíamos que ela ia terminar. Mas, no fundo, sabíamos. Sabíamos porque desde o fim de abril, um grupo de jovens poetas, preparamos uma exposição de poesia. Isto mesmo: uma exposição de poesia. Datilografamos poemas em folhas de papel, emolduramo-los como se quadros fossem, e penduramo-los nas paredes da sala de entrada da Escola Nacional de Belas Artes na Rua Araújo Porto Alegre do Rio de Janeiro. Pertencíamos ao grupo: Antonio Fraga, Luciano Maurício, Aladir Custódio, Ernande Soares, Hélio Justiniano e este que vos fala. Conseguimos imprimir um catálogo, para o qual escrevi uma apresentação, com um poema de cada expositor. Inauguramos a mostra em 10 de maio de 1945 (dia do meu aniversário). Era a primeira demonstração pública da geração que viria mais tarde a ser chamada de Geração de 45. Verdade é que; antes dessa data, Nelson Rodrigues lançara o seu Vestido de noiva, Clarice Lispector publicara Perto do coração selvagem e Guimarães Rosa ganhara prêmio, em 1936, com os contos de Sagarana, só publicados mais tarde. Em todos eles havia a marca dos novos tempos. Que veio a ser afinal a Geração de 45? Terá sido simplesmente a negação da Semana de 22? A Semana já havia feito o que tinha de fazer, já havia conquistado o que tinha de conquistar. Mais importante, ainda, entre 22 e 45 houvera uma nova guerra mundial e uma tecnologia que mudava por completo o equilíbrio político das nações.
Era natural que a poesia de 45 abandonasse o poema-piada, que fizera parte do protesto de 1922. Tivéramos um holocausto e uma verdadeira matança que reduzira a população de muitos países. Passáramos por uma ditadura de 15 anos. O ano de 1945 surgia como o início de uma libertação. Estávamos prontos para a mudança. Foi então que um jovem poeta, nascido no Espírito Santo e residente no Rio de Janeiro a partir dos 11 anos, com experiência de vida no mar, como piloto da Marinha Mercante Brasileira, apareceu com seus poemas na face do país. Era uma voz nova. Geração de 45? Pelo calendário, sim – mas não só e nem tanto. Seu lugar em nossa literatura era muito pessoal para ficar assim adstrito. Antes de tudo, Geir Campos escreveu sob um primado ético. Estaria mais perto da poesia dos sucessores de 22, o Jorge de Lima dos sonetos, Jorge e Murilo de Tempo e eternidade e o Carlos Drummond de Claro enigma, publicado um ano depois do livro de estréia de Geir. Depois da famosa e infeliz classificação de José Guilherme Merquior, chamando-a de "dege(ne)ração de 45", muito poeta desejou afastar-se da categoria, tomando-a com isto, pouco atraente. Houve, sim, uma geração de 45, em que estiveram Tiago de Melo, Lêdo Ivo, Paulo Mendes Campos, Antonio Rangel Bandeira e o injustamente esquecido Nilo Aparecida Pinto, entre muitos outros. Aconteceu que a referida geração acabou espremida entre a maré da Semana de 22 e a eclosão do movimento concretista de meados dos anos 50, em que Merquior estava inserido. Nada disso, porém, tem muita importância. A poesia de Geir Campos é de uma clareza tal que se destaca, no período de sua vida, como das coisas mais sérias que a literatura brasileira teve. Suas palavras são as de todo dia, seu ritmo escorre com facilidade, seu significado fica na memória. Eis os oito versos de seu poema Tarefa:
"Morder o fruto amargo e não cuspir/ mas avisar aos outros quanto é amargo,/ cumprir o trato injusto e não falhar/ mas avisar aos outros quanto é injusto,/ sofrer o esquema falso e não ceder/ mas avisar aos outros quanto é falso;/ dizer também que são coisas mutáveis.../ E quando em mitos a noção pulsar/ – do amargo e injusto e falso por mudar,/ então confiar à gente exausta o plano/ de um mundo novo e muito mais humano".



Jornal do Brasil, 5/4/2009.
Imagem disponível no Google Imagens

07 abril, 2009

A temática aliança das civilizações

Candido Mendes de Almeida


O Programa da Aliança das Civilizações depara uma circunstância nova no seu horizonte imediato. Ou seja, a do advento do governo Obama, que afasta o recrudescimento da pespectiva americana num fundamentalismo ameaçador em defesa do Ocidente, no seu impacto sobre a "guerra das religiões".

Avança também o reconhecimento dos limites do terrorismo intenacional, a partir de um enfoque realista, que debata a visão crítica da hegemonia, tal como avançada na última década.

Importa, e já, num quadro dos Direitos Humanos, salientar a garantia crucial das diferenças de identidade, nas culturas ameaçadas pela terraplanagem de um progressismo, vivido como um álibe das relações de dependência entre centro e periferia, passadas à globalização. O essencial é superar a síndrome do 11 de setembro, que nos levou à coexistência com o permanente medo, a ponto de comprometermos a visão da alteridade social, e do respeito às subjetividades coletivas, fora dos simulacros em que as pode reconstruir uma razão universal, desatenta ao concreto do processo histórico.

O avanço do terrorismo específico do século XX é da negação do respeito a essa identidade, violentada pelo colonialismo dos últimos séculos, nascidos do monopólio civilizatório de que se investiu o Ocidente. O trabalho à nossa frente vai além dos mea culpa, tal como do arrependimento europeu, frente à escravidão ou à vitimização das culturas que viveram esta dominação chegada à sua visão de mundo e seu estilo de vida.

No quadro, hoje, do respeito às autonomias culturais, inclusive dentro do próprio Ocidente, organizações como a Academia da Latinidade querem frisar, tal como no mundo islâmico, as diferenças internas dessas dominantes de identidade. E por aí mesmo dissociar o "vis-à-vis" de nosso tempo de determinates geopolíticas históricas, e entender, por exemplo, a estratégia de um mundo mediterrâneo, que permita o enlace com a Turquia e o Oriente Médio, ou compreenda, numa legítima helenística, o que seja hoje o mundo Atlântico e a América Latina, passando ao Mar Aberto.

E é esse mundo das diferenças, no ganho de sua voz, que permitirá ao mundo do pós 11 de setembro sair das polaridades sem remédio em que possamos repetir a Guerra Fria em contrapontos estéries como o do centro e periferia. A pressão desde agora pela diferenciação ocidental dissociada, pela latinidade, do universo saxônico cria cabeças de ponto para o futuro pluralismo de encontro, fora da convensão do que seja o outro e os fatos consumados de um confronto.

No empenho de uma globalização liberada da hegemonia, a afirmação das identidades coletivas contemporâneas calça-se também sobre o patrimônio pré-ocidental da América Latina, nos reclamos da interculturalidade aymara ou quetchua nos países andinos.

Da mesma forma, o clamor pelos direitos humanos se torna a primeira plataforma para o universal do diálogo na atualidade, permitindo um consenso crescente quanto aos crimes contra a humanidade, do genocídio à tortura.

Não é sem razão que o potencial de uma iniciativa como a da Aliança das Civilizações tenha a Espanha ou a Turquia como fiadoras desses desbalizamentos dos universos de poder em que atravessamos o século. Seu enfoque e iniciativa assentam a ótica por onde pode começar o novo de uam visão realmente prospectiva, e dialética dos macroconflitos de nosso tempo.


Jornal do Commercio (RJ), 3/4/2009

31 março, 2009

A questão da observação.


Todas as pessoas sensíveis, não apenas os Educadores, sabem que a observação é a chave da "avaliação". Esta avaliação está entre aspas porque não diz respeito a uma avaliação crítica apenas. Mas a uma avaliação que busca conhecer, saber melhor dos detalhes, que fazem toda a diferença entre uma e outra criatura humana. Seja ela criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso.
A observação, especificamente das crianças, num momento de lazer; num momento lúdico - principalmente por serem crianças - as revelam tais como são, sem artifício algum; inibidas, desinibidas, arredias, sociaveis, com espírito de liderança, apáticas e, também, com suas genialidades que, sem uma observação atenta, tais peculiaridades passam desapercebidas ...
O autor da crônica que vou postar captou toda uma questão Educacional Pedagógica - importantíssima - sem nem se dar conta, pois sendo um cronista, seu olhar é observador por natureza.
Não existe ensino aprendizagem sem o recurso da observação. O professor pode errar feio em sua avaliação, planejamento e estratégias.
Tal assunto me remete ao texto de Mark Twain : "O camelo extraviado" - que postei no meu outro blog; No rastro da Poesia... http://norastrodapoesia.blogspot.com/2008/07/o-camelo-extraviado.html
Vamos, então, a Crônica da Semana do Café Impresso - do Cronista Antonio Caetano.
*****
Domingo, 29 de Março de 2009
O show do Artur
O Artur é uma figuraça! Deve ter uns três anos, mas o seu prazer não é andar nessas máquinas infantis que se espalham pelos shoppings. Não! Ele gosta é de vê-las funcionando. A mãe coloca a ficha e o Artur começa a correr em volta da máquina sob o olhar preocupado da mãe, temerosa que o menino acabe sofrendo um acidente. Mas ele parece atento aos riscos pois, ao mesmo tempo que se curva e agacha e espicha todo para acompanhar os detalhes do movimento da nave espacial que sobe e desce e vai e vem, esquerda e direita, para cima e pra baixo, olhando-a por todos os ângulos possíveis, o Artur também foge dela e se desvia e esquiva, enquanto comenta com a mãe numa linguagem muito expressiva, cheia de exclamações de surpresa e êxtase, mas que só eles dois entendem. Quem passa e calha de prestar atenção na cena ou não entende nada ou pára discretamente para assistir o show do Artur. Outro guri chega com o pai e os dois parecem dispostos a esperar pacientemente a sua vez, mas a mãe do Artur logo oferece: - Se você quiser, pode colocar o seu filho no brinquedo... O que o meu gosta mesmo é de ficar olhando... Penso sentir certo tom de resignada estranheza na voz da mãe de Artur, como se o gosto do menino fosse de uma bizarrice incompreensível... Talvez seja só um pouco de enfado por ter de novamente repetir a mesma oferta e a mesma explicação, o espírito já pronto para responder a alguma réplica cheia de ironia ou espanto. Mas o pai do outro menino simplesmente atende a sugestão da mãe do Artur e coloca o filho na cabine da nave - para alegria redobrada do Artur que agora também se dirige ao piloto em sua linguagem alienígena! O outro menino está visivelmente constrangido com a quebra da ordem previsível e olha para o pai com a expressão universal de quem não está entendendo nada. E eu, ali ao lado, tirando uma xerox, encantado por ter o privilégio de testemunhar os primeiros passos de um gênio. Porque [...]
Você pode continuar a leitura no Café Impresso :
Podem comentar aqui ou lá, tanto faz.
Para os educadores ou interessados no assunto, este texto dá um "bom caldo".
Grande beijo,
Taninha

28 março, 2009

Prisões especiais

Olá amigos!

Vocês acham que alguém que se iguala aos criminosos - como um criminoso - deve ter direitos especiais porque teve acesso à cultura, ou melhor, aos estudos e obteve um diploma de nível superior??

A Justiça é justa neste sentido?

Achei importante o artigo de Carlos Heitor Cony e trouxe o assusnto para provocar, quem sabe, um debate.

Abraços!!
Taninha


*****








Carlos Heitor Cony


Entrou em discussão o caso das prisões especiais. Pelas novas normas, elas serão extintas genericamente mas as exceções são tais e tantas que o privilégio continuará sendo adotado na prática. Resumindo: só serão encaminhados aos presídios e celas de delegacia aqueles que não têm costas quentes.
Apesar de minha ignorância em todas as matérias, amplio a ignorância pessoal metendo a colher em mingau que não pretendo comer. Dito isto, direi mais. Segundo recente decisão da Justiça, o réu só é considerado criminoso após o julgamento do último recurso a que terá direito. Acontece que o réu pode ser qualquer um, do presidente da República ao empurrador do carro alegórico da Beija Flor. Condenados em última instância, tanto a autoridade como o operário perdem o cargo respectivo, retornam à situação de cidadãos comuns, sujeitos a lei comum, que pune com prisão proporcional ao crime cometido.
Se um presidente da República matar ou roubar, uma vez condenado, perde a condição de autoridade, é destituído do cargo e como cidadão comum sujeito às mesmas penas e condições de qualquer outro criminoso. Quem irá para a cadeia não mais será um presidente da República, mas um criminoso comum.
O mesmo raciocínio se aplica aos ministros, que são cidadãos comuns exercendo provisoriamente um cargo público do qual podem ser destituídos por diversos motivos, inclusive por ter cometido crime comum.
A prisão especial estabelece na prática um privilégio que contraria o princípio básico de que todos são iguais perante a lei. Evidente que, em caso de prisão preventiva, o princípio da pena pode ser flexibilizado até que venha a sentença definitiva. Mas uma vez proferida por quem de direito, não dá motivo para a excessão.

Folha de S.Paulo (SP) 15/3/2009

14 março, 2009

Efeito Perverso


Arnaldo Niskier

Para muitos, o assistencialismo é uma prática diversionista, pois camufla as necessidades reais profundas da nossa sociedade. É sempre difícil ao observador criticar os seus efeitos imediatos. Veja-se o caso do Bolsa-Família, de que tanto se orgulha o governo Lula. Há mais gente se alimentando, sobretudo nos estamentos mais pobres da população – e isso para os pragmáticos é o que interessa. No entanto, isso tudo tem um caráter eminentemente efêmero. Pode acabar com uma penada oficial – e o que restará? Possivelmente, mais gente revoltada, dada a perversidade do sistema implantado nos últimos anos.
Há sintomas de que a evasão no ensino médio, especialmente no Norte e no Nordeste, pode estar associada a essa ilusão de atendimento. Famílias recebem R$ 130 e desestimulam os jovens em relação aos estudos, dando preferência ao trabalho precoce (quando existe) ou até mesmo demonstram leniência quanto ao afastamento da escola, sem compreender a sua importância para o futuro dessa geração de brasileiros. Pesquisas estão sendo feitas, mas ainda são incipientes.
A educação brasileira, universo de 60 milhões de pessoas, vive de espasmos. Tivemos a fase de crescimento do ensino fundamental. Agora, é a vez da "revolução" na educação média. Pelo menos, é o que anuncia o MEC.
Uma das inovações pretendidas é a introdução do módulo semipresencial, com o limite de 20% da carga horária total. A medida, para ser adotada nas redes pública e privada, precisa de amparo legal. Depende de autorização das respectivas Secretarias Estaduais de Educação, para a oferta de módulos complementares de estudos, com ênfase nas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC).
Na tarefa de reforço aos conhecimentos dos alunos, isso ainda não é uma garantia plena. Se as aulas forem mal dadas? Mas essa janela poderá significar um avanço apreciável, se bem conduzidas as novas tecnologias. Será uma sacudida nos currículos convencionais, o que advogamos há muito tempo. Aulas expositivas não são exemplo de mesmice? Fala-se também em exaustão do modelo.
Sabemos que no Brasil há 3,3 milhões de estudantes no ensino médio, com um dado trágico: a metade não conclui os estudos. Por quê? A escola não atrai?
Quando os olhos se voltam para a qualidade, temos outro dado aterrador: 50% dos matriculados, nesse nível, frequentam o ensino noturno, com a sua reconhecida precariedade. Se a Sociedade do Conhecimento exige 12 anos de boa escolaridade, temos muito o que se fazer. Há premente necessidade de valorização de professores e diretores, estes em geral entregues ao deus-dará. Quando o ensino é profissionalizante (só 8% das escolas de nível médio têm essa característica), os cuidados devem ser ainda mais especiais.
Aulas de redação e reforço são aconselháveis, aproveitando-se o avanço tecnológico assegurado pela internet rápida, presente em cerca de 10 mil escolas públicas. O emprego da educação à distância, permitido por lei, vale para casos emergenciais ou de complementação de estudos. Isso tudo merece muita reflexão.


Jornal do Commercio (PE) 13/3/2009

28 fevereiro, 2009

Alexandre Spinelli


Alexandre Spinelli,
é um escritor de Porto Alegre - RS , 38 anos, que pode se autodefinir assim: "A vida, sem nome, sem memória, estava sozinha. Tinha mãos, mas não tinha em quem tocar. Tinha boca, mas não tinha com quem falar. A vida era uma, e sendo uma era nenhuma.Então o desejo disparou sua flecha. E a flecha do desejo partiu a vida pela metade, e a vida tornou-se duas.As duas metades se encontraram e riram. Ao se ver, riam; e, ao se tocar, também." Eduardo Galeano[1]. Em seu trabalho de escritor, escreve poesias, contos, crônicas e textos teatrais[2]. Uma de suas crônicas me ecantou. Sua sensibilidade achou em minha subjetividade uma espécie de catarse. E, também, uma chamada de atenção aos educadores para que, além de proporem a arte, proponham também o respeito a esta tão importante forma de linguagem que sai do cerne daquele que se propõe a fazê-la com seriedade. Vaias e risos cruéis só desestimulam a criatividade. Na infância é algo muito comum. Mas, pode acarretar danos psicológicos para uma vida inteira. Nós mesmo - adultos - nos ressentimos dos comentários irônicos e maldosos... E, principalmente, da arrogâcia dos que se acham muito melhores e nos ignoram. Inclusive, falo dos famosos. Pois, há na internet talentos a olhos vistos que são desconsiderados por pessoas que têm poder na mídia de trazerem tais artistas ao mundo aqui fora. Porém, não o fazem... Enfim... Passemos à belíssima e poética crônica de Alexandre Spinelli.
O Palhaço Nu




O palhaço perdeu o nariz e se sentiu nu. Estava ali, sozinho, no centro do palco, luzes nele, quando se viu assim: nu, sem o nariz. Nunca a platéia fora tão grande, nunca tantos olhares se dirigiram para ele. E ele ali, nu, e a platéia e as luzes e o palco enorme à sua volta. E ele, centro da vergonha. E riam e todos riam e riam muito. E ele não achava graça alguma. Só vergonha e constrangimento. E riam às gargalhadas dele. Quanto maior seu constrangimento, quando maior sua vergonha, mais riam. Ele só fazia esconder seu nariz com as mãos, como Adão. E se sentia tão nu, ali no centro, mãos cruzadas sobre o nariz, que se viu trançando as pernas, encolhido: algo além do sexo estava exposto. Estava ali, totalmente desnudo e, em troca, recebia risos, os risos que ele nunca quisera. Já sem saber como sair daquela situação, viu uma criança escapar da platéia, correr ao seu encontro e lhe pular nos braços. E foi obrigado a tirar as mãos do rosto, para que a menina não caísse e, assim, lhe pegou no colo. Ela o olhou bem dentro dos olhos e sorriu: - Sr. Palhaço, o senhor não precisa ter vergonha. Nós te amamos além do nariz. Não é ele que te faz palhaço. Ele sorriu, meio desapontado, constrangido, sorriu. Ela subiu as mãozinhas até seu nariz, para lhe tapar. Suas mãos formaram uma conchinha sobre ele. Bem redondinha. Depois lhe olhou novamente e sorriu. Suas mãos eras vermelhas, brilhantes, seus olhos também. - Palhaço, vai, ria, faça com que riam contigo, da tua arte e nunca mais de ti, da tua vergonha. E, enquanto falava, ela foi sumindo. Restaram suas mãozinhas vermelhas, restaram seus olhinhos, sempre à sua frente. Sempre que hesitava, os olhinhos da menina anjo estavam ali, sorrindo, incentivando, lembrando que ele devia seguir adiante. E o palhaço sorriu e riu e gargalhou. E foi tanta alegria, que toda platéia chorou.
http://escritosporescrever.blogspot.com/ Alexandre Spinelli visite o site

[1] Texto que consta em seu perfil do Orkut.
[2]Material que consta no site do escritor.
Agradeço a Alexandre a autorização da postagem em meu blog. E, convido-os a visitarem o site do escritor.

20 fevereiro, 2009

Leitura e Pobreza



Sou leitora assídua do cronista Antonio Caetano. Antonio mantém seu blog há 10 anos, o Café Impresso. Hoje li este texto e achei interessante postá-lo aqui, pois - de fato - trata-se de uma verdade... Porém, observações podem e devem ser feitas.


Leitura e pobreza


Antonio Caetano


Uma das maiores tolices sobre o baixo índice de leitura dos brasileiros ouvi agora na TV, num documentário da TVE sobre a biblioteca de José Mindlin, foi dita por Antonio Candido. Segundo ele, o brasileiro lê pouco porque o país é economicamente injusto.
Depois até gostaria de pensar mais longamente sobre as causas da aversão à leitura dos brasileiros, mas a falta de dinheiro é a menor delas. Cito a mim como exemplo: há anos que só compro livros em sebo. Raramente gasto mais do que 20 reais em um livro, preço pago por uma edição em capa dura de Os Lusíadas, publicada como parte das comemorações do sesquicentenário da Independência. Mas [...]



Você poderá continuar a leitura no blog "Cafe Impresso" do cronista Antonio Caetano:



http://cafeimpresso.blogspot.com/2009/02/leitura-e-pobreza.html

13 fevereiro, 2009

HF nas "Cordas de Correspondência (releitura)"


Hercília Fernandes
.



Autora de versos, imagens e canções. Professora no curso de Pedagogia (CERES / UFRN); Mestra em Educação (PPGED / UFRN) e Especialista em Ed. Infantil (UFRN).
É, resumindo, uma grande educadora e poetisa desse Brasilzão de meu Deus. De Caicó – RN . Cidade onde nasceu e passou sua infância, adolescência e mocidade; lugar onde vive.
Hercília é uma dessas gratas surpresas que a internet nos reserva. Somos amigas. Aprendo muito com ela sobre Literatura, Poesia e Educação. Nunca nos encontramos pessoalmente, mas nutrimos um carinho enorme, uma pela outra, como se fôssemos duas irmãs. Carinho e respeito.
Sou fã de carteirinha de HF e tenho todos os seus livros já publicados e ainda um CD com seus poemas traduzidos em canções. Lindo demais! Poemas em canções que falam com delicadeza e beleza das coisas do nosso lindo Nordeste.
Esta breve Biografia é para falar de sua postagem “Cordas de Correspondência (releitura); que se encontra em seu blog HF diante do espelho.
Em conversa informal, Hercília fala que o poema discute "paradigmas e liberdade de expressão na criação", através de uma abordagem histórica e da adoção de uma linguagem poética, cujo objetivo é levar o leitor à reflexão dos consensos e preconceitos existentes nos valores dos escritores. Já a linguagem, no poema, busca unir formalidade e ruptura a qual - exatamente - pretende acentuar que ambas não são divergentes, porém os valores sobre como se pensam os padrões de criação é que precisam e devem ser repensados; como, por exemplo, no tocante à formalidade da linguagem e à métrica, no uso de rimas e à valorização da oralidade. A ruptura, por sua vez, acontece na irregularidade dos versos, na ausência de vírgulas, letras maiúsculas, etc... Sobretudo na apresentação de um flexível olhar sob o processo criativo aliado a antigas fórmulas de composição, como o uso de aliterações que causa movimento, ritmo e leveza lúdica ao poema.
Na exposição poética do tema, o canal de comunicação é o próprio fazer metalinguístico, já que os versos pontuam, historicamente, os valores inerentes à criação literária, estabelecendo analogias com algumas características existentes nas correntes literárias brasileiras.
Convém ressaltar que essas cordas de correspondência é uma síntese de diálogos travados com Fernando Cisco Zappa - no blog Novidades & Velharias. Zappa é formado em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais, reside em Belo Horizonte, e difunde sua prosa e poesia no blog Cisco Zappa. Passemos ao poema:

Cordas de Correspondência (releitura)
(Para todos os leitores e poetas que por essas águas repousam os olhos).
nessas cordas de correspondência
fervilha formalidade em padrões de literariedade
seja de ruptura ou de tradição
desde que não se reprimam possibilidades
e se afirmem ditaduras com normas obscuras
de uma entulhada convenção


o que se busca é a existência da palavra
com letras alvas / obtusas ou à bastão
na voz do lírico / do filósofo / do telúrico /
do profeta ou do pagão


pois que venham os aluísios / os machados / os fabrícios
e os freis da santa rita durão

os simbolistas com chumaços de fumaça / de sumos /
de uma amálgama ou dulcíssima digestão

os modernistas / os regionalistas / com seus travos e desagravos
nas espingardas / nas alpargatas da Revolução

e os neoconcretistas com ausência de verso / de metro
e anuência de berro de significação


pois que nessas cordas de correspondência...
só se nega a linearidade
da opressão!

(Hercília Fernandes)








Bem, eu enquanto educadora, fiquei maravilhada com essa "prosa" entre os dois poetas e, comentei o seguinte:

"Oi, amiga Hercília. Diante de um texto assim, só me resta aplaudir e, de pé... Você simplesmente conseguiu reunir num só poema tantos e tantos temas e conceitos acerca da LINGUAGEM que, um bom seminário, em um só dia, não daria conta. É um hipertexto sem links. Uma associação de idéias e analogias em versos. Transmitir conhecimento usando a poesia é espetacular. O texto é riquíssimo. Brilhante, amiga. Dá orgulho ser Educadora e saber que no Brasil há profissionais assim. Parabéns! Grande abraço, Taninha."


Não posso deixar de parabenizar também o poeta Fernando Cisco Zappa pela visão de linguagem e ludicidade de seus poemas.


Abraços fraternos a ambos,
Taninha Nascimento.

11 fevereiro, 2009

Senhor das letras

Dedico este texto aos , também mestres, Hercília Fernandes e Jayme Bueno e ao amigo Sidney por terem me incentivado a continuar com os meus blogs.

É o primeiro texto que posto desde o falecimento de meu pai. Fato que me deixou profundamente abatida e sem ânimo para fazer este trabalho - que apesar de amador - despende tempo e dedicação.
Não me considero nem poetisa nem escritora, mas tudo que escrevi até hoje foi com amor e sinceridade. Meus amigos me mostraram que é isso que importa. Então, estou recomeçando pelo blog No Rastro da Educação que, na verdade, tem mais textos escritos por amigos colaboradores e, textos que leio e acho que serão do interesse dos da área [e simpatizantes, rs].

Não tenho muitos amigos, mas os que tenho me são caros e raros. Obrigada a estes citados e aos demais que , de alguma forma, tentaram me consolar dessa dor terrível que é a da perda de um ente tão amado e querido.

Taninha
Senhor das letras
Evanildo Bechara tinha 11 anos quando cometeu seu primeiro erro de tradução. Viajando de Pernambuco para o Rio de Janeiro, de navio, o garoto que se tornaria um dos gramáticos mais famosos do Brasil fez uma parada em Salvador.
Entrou num restaurante e pediu um vatapá. O garçom perguntou como ele queria o prato. Bechara respondeu: "bem quentinho", como era costume fazer-se em sua terra para determinar a temperatura da comida. Acabou tendo de engolir um bocado com muita pimenta. Foi então que as lágrimas brotaram de seus olhos.
"Aprendi na pele que "bem quentinho", na Bahia, era "bem apimentado". Por conta desse episódio e de outros que vivi quando minha família me mandou para o Rio para estudar, passei a me interessar pelas diferenças que a língua portuguesa tem em diferentes lugares. Aí virei professor, viajei, dei aulas no exterior, lancei meus livros e cheguei aqui", resume.
Bechara, 80, hoje ocupa a cadeira 33 da Academia Brasileira de Letras, para a qual foi eleito em 2000, e tem uma dura tarefa pela frente. A partir de 1º de janeiro, quando as regras do Novo Acordo Ortográfico entrarem em vigor em oito nações da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, será ele a autoridade máxima no Brasil para decidir as possíveis querelas e pendências com relação ao modo como os brasileiros terão de passar a escrever.
"Não me sinto confortável nessa posição. É muito incômodo. E é claro que a interpretação que fiz está sujeita a erros. Só não erra quem não faz", disse em entrevista à Folha, na sede da instituição, no Rio.As regras têm como objetivo unificar as diferentes grafias que o português tem nos países em que é língua oficial.
Elas começarão a ser aplicadas em janeiro de 2009, mas as atuais continuarão sendo aceitas até dezembro de 2012.
No caso brasileiro, as principais mudanças serão a eliminação de alguns acentos e do trema e a adoção de outras regras para a hifenização (leia ao lado). "Tem gente fazendo tempestade em copo d’água. Já passamos por cinco reformas e nunca houve um grande trauma. E mais, o Brasil sempre foi quem mais cedeu até hoje. Nesta reforma, está acontecendo o contrário, os outros países, Portugal principalmente, é que estão cedendo mais", diz.
De todas as mudanças, as que regulam o uso do hífen têm causado mais polêmica. Bechara explica que a idéia, de um modo geral, foi a de "suavizar" sua utilização. "Como um homem comum, que não é um gramático nem tem formação técnica sobre a língua, pode saber, por exemplo, que uma expressão é um substantivo que em outros casos pode ter outra função? Ao tirarmos os hífens, estamos facilitando a sua vida."
Contexto
O gramático explica que o espírito das novas regras é deixar que o contexto explique aquilo que a ortografia não alcança.
É o caso, por exemplo, da contestada retirada de acento de "pára", do verbo "parar".Como diferenciá-lo da preposição "para"? "Bem, quando se diz "manifestação para avenida", fica bastante claro que se trata do verbo, porque os outros elementos na frase levam a essa dedução", diz.
O caso dos ditongos que perdem o acento, como "idéia", também causaram estranhamento. "Não é possível termos duas grafias diferentes para o mesmo tipo de formação. Por que "aldeia" não tem e "idéia", sim?" Bechara acha que a retirada do acento não vai confundir, por exemplo, crianças em processo de alfabetização. "O primeiro aprendizado de uma pessoa é sempre imitativo. Depois vem a reflexão. Quando ela for aprender a escrever, já saberá a diferença de pronúncia das duas palavras sem que seja necessário usar um sinal gráfico."
Para Bechara, a reforma ortográfica é necessária para defender a língua portuguesa. Trata-se do único idioma falado por um grupo majoritário -mais de 230 milhões de pessoas- no mundo a ter duas grafias diferentes. "É essencial que o português se apresente internacionalmente com uma única vestimenta gráfica. Para manter o prestígio e para que seja melhor ensinado e compreendido por todos", conclui.



Folha de S. Paulo (SP) 29/12/2008

31 janeiro, 2009

A crise na janela - José Sarney

Baía de São Marcos em São Luís
Independentemente de qualquer outra questão, admiro quem sabe escrever... Entretanto, sei que quem sabe escrever está longe..., muito longe de saber tudo e de ter sempre razão. O SER LETRADO sempre estará abaixo do SER... SEMPRE! Deixo aqui, portanto, uma homenagem a minha avó - que feneceu aos noventa e seis anos "analfabeta e pouco letrada". Uma das mulheres mais inteligentes, sábias e honradas que conheci. Minha fascinação por ela se dá por um único e especial motivo: ela me ensinou - sem dizer nada - a, de fato, fazer o bem sem olhar a quem [não digo que aprendi, longe disso!!! Preciso - sempre - voltar às "lições de casa". Esforçada, eu sou!...

Bem, se o leitor amigo acha que isso nada tem a ver com política, se engana!! É tudo o que falta!! Falta fazer o bem [comum] sem olhar a quem [não apenas aos amigos e parentes; tampouco a si próprio!].
Ah... eu amo e odeio política!!! Amo e odeio o discurso!! Amo e odeio a palavra [humana] escrita ou falada!! Posto ser arma perigosa - pode levar ao óbito por assassinato ou suicídio...
Ah, Sêneca... Ah, Senado... Ah, Sarney...

O post abaixo é uma reedição.
Taninha Nascimento [21.07.09]

Oi, amigos... Crise é uma assunto "velho" e o artigo do início do ano, mas achei que Sarney se colocou de maneira poética e trouxe informações interessantes que passam desapercebidas. Por isso , a postagem. Beijos e, aproveito para agradecer aos amigos as palavras de conforto e carinho. Eu estou "bem"...
Muito obrigada.
Taninha
*****

Ano novo, dores de cabeça novas. Vim passar o Natal e o fim de ano em São Luís. Minha casa tem uma vista para o mar, de frente para a baía de São Marcos, onde ficam fundeados os navios que vão para o porto da Madeira, da Vale do Rio Doce, ou Itaqui, terminal de carga geral.
Um dos meus hábitos, ao levantar, sempre foi contar os navios fundeados. Chegaram a mais de 30, e nos davam euforia pelo desenvolvimento do Estado. São Luís é hoje o segundo porto do Brasil, pois, com sua posição estratégica e profundidade, pode receber navios de qualquer tonelagem. Agora, abro a janela e vejo, em vez dos 30 navios, apenas um solitário barco envolto na bruma de sal que levantam do mar os ventos alísios ainda presentes neste dezembro sem chuvas.
Meu neto, vendo-me com os cotovelos na janela, olhar distante, me perguntou o que observava. Respondi: “Uma coisa de que muito se fala, mas nunca tinha visto: a crise.”
Ela fez o porto parar e os navios desaparecerem. Pelo Maranhão, exportamos mais de 110 milhões de toneladas de minério de ferro in natura e em pelotas, alumina e alumínio, além de soja, milho, óleos vegetais refinados, arroz e babaçu. É o terceiro saldo de exportação da região, a contribuir para os bons números de nossa balança comercial.
Para que esse volume seja movimentado, há um apoio logístico de estradas de ferro, dezenas de comboios imensos de 200 vagões rodando dia e noite, milhares de operários, lavra, energia e estradas.O Estado do Maranhão tem hoje a melhor infraestrutura da Região Nordeste, com a maior fábrica de alumínio do mundo, da Alcoa, e três importantes estradas de ferro: a de São Luís a Teresina, no Piauí, de 450km; a que vai a Carajás, no Pará, de 860km; e a Norte-Sul, que atravessa todo o Maranhão e passa para o Estado do Tocantins, até Araguaína.
Foi preciso vir aqui para ver pela janela aquilo que os economistas viram: a crise. Devemos vigiá-los e fiscalizar os remédios que eles prescrevem. Se falharem, eles que treinem o corpo para ter agilidade parecida com a do Bush, a esquivar-se dos sapatos no Iraque.Melhor Cinderela com seu sapatinho encantado. O príncipe, todos acham que se chama Barack Obama.
Ah! Meus navios, quando voltarão?





Jornal do Brasil (RJ) 02/01/2009

30 janeiro, 2009

Está explicado...

Fundef e Fundeb
Ex-prefeito do PI é preso pela PF por fraude na educação
Publicada em 29/01/2009 às 17h27

Efrém Ribeiro



TERESINA - A Polícia Federal (PF) do Piauí deflagrou nesta quinta-feira a Operação Harpia, em Cocal (268 km de Teresina), na região norte do Piauí, e prendeu políticos locais. O superintendente regional da PF do Piauí, Nelson Estevam de Andrade, informou que a operação consistiu em buscas em sete endereços diferentes de Cocal, além das prisões preventivas do ex-prefeito do município José Maria Monção e de seu ex-assessor Francisco Tadeu.
Segundo Andrade, as diligências estão relacionadas a uma apuração criminal sobre desvio de verbas públicas nas áreas de educação, sobre a a qual foi decretado segredo de justiça.
A investigação, solicitada pela Procuradoria da República no Piauí, apura desvio de cerca de R$ 2,6 milhões do Fundeb (Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica) e Fundef (Fundo de Desenvolvimento de Educação Fundamental e Valorização do Magistério) quando era prefeito de Cocal, cargo do qual foi afastado pela Justiça Federal no ano passado por determinação da Justiça Federal, antes do fim de seu mandato.
As buscas domiciliares e as prisões preventivas e temporárias de José Maria Monção e Francisco Tadeu foram autorizadas pelo desembargador Mário César Ribeiro do Tribunal Regional Federal da 1 ª Região, em Brasília.
Os presos foram conduzidos para a Superintendência Regional da Polícia Federal, em Teresina, e serão transferidos para presídios comuns.
Mais de 262 funcionários da Prefeitura de Cocal foram ouvidos pela Polícia Federal. Os depoimentos fazem parte do inquérito policial que investiga o desvio de R$ 2,6 milhões do Fundeb e Fundef.
Continue a leitura em:http://oglobo.globo.com/pais/mat/2009/01/29/ex-prefeito-do-pi-preso-pela-pf-por-fraude-na-educacao-754195847.asp

23 janeiro, 2009

Machado em Roma

Os Acadêmicos Marcos Vinícios Vilaça, Ivan Junqueira e Moacyr Scliar estão em Roma, onde falam, no Palazzo Doria Pamphili - sede da embaixada do Brasil - sobre a obra de Machado de Assis. À mesa também estarão os italianos Giulia Lanciani e Vicenzo Arsillo, entre outros.
O encontro é coordenado pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, e pelo embaixador do Brasil na Itália, Adhemar Bahadian.
15/01/2009



Fonte: ABL

Uma nova educação média


Arnaldo Niskier


No caso, não se pode acusar o MEC de inércia. Está propondo uma série de modificações substanciais para a implantação de um novo modelo de ensino médio. O sistema cansou de tentativas inúteis, como as que marcaram o período FHC. Nunca foi tão oportuna a lembrança do comentário do educador Anísio Teixeira: "No Brasil, o ensino médio é órfão".
Hoje, as idéias são mais claras. Deseja-se uma espécie de ensino médio nacional – e para isso o governo criou a Lei nº 11.892, de 29 de dezembro do ano passado. Instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, com os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (são 38 deles, com 311 campi no país).
Atuarão no ensino médio integrado ao técnico (50% das vagas), licenciaturas (20%) e cursos superiores de tecnologia ou bacharelados tecnológicos (30%), podendo ainda disponibilizar especializações, mestrados e doutorados profissionais. A ascensão ao nível superior tornou-se mais natural.
À primeira vista, o observador fica meio confuso, sem saber exatamente o que é ensino médio ou o que pertencerá ao 3º grau, mas entendemos que se trata de uma questão de tempo, para a adaptação devida. Há dois aspectos a se considerar, de imediato: em primeiro lugar, a autonomia estadual dos currículos de EM, que é um dispositivo de lei; em segundo lugar, o que é mais complicado, como se fará a distribuição de recursos. O próprio ministro Fernando Haddad calculou que o modelo só funcionaria com a média de gasto por aluno superior a R$ 2 mil (hoje, a média é de R$ 1,4 mil). De onde sairia a diferença?
Deseja-se mudar o modelo federativo, o que exigiria mexidas constitucionais, mas estariam os estados dispostos a assumir mais esses encargos? O MEC teria condições de suprir os estados de acordo com as suas necessidades financeiras? É bonito pensar em regime de cooperação, mas isso não pode representar uma utopia inexeqüível. Seria mais um sonho frustrante.
É admirável o intuito de quebrar a barreira entre o ensino geral e o ensino técnico, para aproximá-los do mercado de trabalho. Mas isso requer tempo e recursos. De toda forma, fazer com que os Institutos Federais de Educação Tecnológica (Ifets), centros de excelência profissionalizantes, sejam o modelo a ser expandido é uma boa idéia, para começar a ser implementada ainda em 2009. Sendo instituições de Educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializadas na oferta de Educação profissional e tecnológica, nas diferentes modalidades de ensino, equiparadas por lei às 58 universidades federais, poderão representar uma revolução na condução dos destinos da Educação brasileira. Esse hipotético "ensino médio nacional" deverá se basear numa grande mudança curricular, para o que seria essencial que o MEC e os governos estaduais operassem em perfeita harmonia, sem a mesquinharia da interferência político-partidária. O modelo, que se encaixará no Plano Nacional de Educação, deverá representar uma considerável expansão de matrículas (o que é muito necessário, hoje), além de tornar a Educação média mais atraente e de qualidade para os jovens brasileiros. Há 2 milhões deles fora do ciclo Escolar, muitos talvez por absoluta desmotivação.


Jornal do Brasil (RJ) 18/01/2009

22 janeiro, 2009

A PRODUÇÃO DE TEXTO NA ESCOLA
















Prof. Jayme Ferreira Bueno



Como docente em cursos de Letras, tive a oportunidade de acompanhar em sala de aula a produção de texto, desde os mais simples aos mais complexos. O que se observa é a extrema dificuldade que todos nós, alunos e professores, temos quando nos propomos a redigir um texto.
Esta dificuldade, ao menos em parte, deve-se principalmente à ausência de tradição no ensino do país de práticas docentes que levem a essa produção de textos. Só atualmente, por iniciativa de alguns professores isoladamente ou na proposta de alguns cursos específicos procura-se romper essa situação e suprir tal deficiência.
A escola não tendo oferecido aos estudantes dos níveis anteriores ao ensino superior as técnicas e a oportunidade de produzir textos, não proporciona as condições necessárias de conhecimento e de incentivo para uma prática que deveria ser comum na vida universitária, a produção de um texto de relativa qualidade. Entende-se por texto com razoável qualidade aquele que se apresenta com as características de legibilidade fluente e atrativa e de entendimento claro. A coesão e a coerência são fundamentais para a organização de um bom texto.
Uma proposta de trabalho pode ser analisar textos produzidos inicialmente sem orientação do professor Numa segunda fase, esses textos seriam refeitos pelo aluno após a intervenção docente. Assim, poderia conseguir-se um texto que apresentasse evolução qualitativa quanto à estruturação.
Proposta como a apresentada poderá mostrar que o aluno que redige com conhecimento teórico dos principais elementos da lingüística textual e que recebe o acompanhamento de um docente especializado na teoria e na prática da produção de textos, poderá produzir um texto com melhor qualidade, aquele que se torna de leitura fluente e compreensível.
O texto que se busca com ações docentes como a relatada deve ser um texto que se diferencie daquele texto desestruturado que o estudante geralmente apresenta antes de ingressar no ensino superior. Geralmente os alunos redigem um texto ilegível e ilógico por completa falta de coesão e de coerência, como se lê em muitas redações dos vestibulares. Esse texto, por não apresentar coesão e coerência, não consegue sustentar-se como estrutura lingüística capaz de transmitir alguma informação ao leitor.
Textos assim estruturados geralmente reproduzem chavões, fórmulas feitas, um discurso preestabelecido. Nesse caso, pelo fato de o aluno não dominar as técnicas de produção de texto e de não ter informação sobre o que está redigindo, o texto soa falso e desligado da realidade.
Escrever é uma prática que depende de outra, que é ler. A leitura e a escrita se complementam numa relação de interdependência. Uma necessita da outra, apóia-se na outra. Na prática textual escolar, a partir, ao menos do ensino médio, o exercício de produção de texto devia sempre vir antecedido da leitura de bons textos. Só se pode comunicar aquilo que, primeiro, sabemos ou que passamos a saber por fontes de informação, como, por exemplo, com a leitura de bons textos.
Conclui-se, portanto, que a leitura e a escrita deveriam constituir práticas privilegiadas na escola do ensino médio e continuar a ser no ensino universitário, em especial nos cursos da área humanística. Portanto, a busca por bons textos na escola deve ser tarefa permanente.

04 janeiro, 2009

PRECARIZAÇÃO NO ENSINO :

Enquanto isso no Piauí...
*****



Educação no estado do Piauí tem déficit de 6 mil professores

As declarações do governador Wellington Dias (PT) e da secretária de administração Regina Sousa de que o Estado não realizará concursos públicos em 2009 vai de encontro a um sério problema na Secretaria de Educação.

Segundo Antônio José Medeiros, secretário daquela pasta, o Piauí tem um déficit de 6.350 professores, e estes cargos em vacância são ocupados por substitutos.

Essa precarização no ensino não poderá ser resolvida de imediato por conta das determinações de suspender quaisquer contratações no ano que chega.

Segundo informações, os Estados da Paraíba, Sergipe e Pernambuco estão em processo de seleção de professores para a rede estadual de ensino, mesmo com a previsão de uma crise financeira.

No Piauí, a determinação é exatamente outra: conter a folha de pagamento ao máximo possível.

"Por conta da crise internacional, vamos esperar até o final do próximo ano para realizar concurso público. Temos muita carência em professores de Física, Química, Matemática e educação artística, principalmente no interior do Estado", explica Antonio José Medeiros.

O secretário de educação afirma que para minimizar esse problema o Estado irá convocar aqueles profissionais que estão à disposição de outros órgãos e secretarias para voltarem às atividades de trabalho na Educação. "Não podemos aumentar a folha de pagamento sem saber os impactos da crise, e é uma determinação do governador", afirma.

Mas, segundo o secretário, a realização de concurso público parece inevitável naquela pasta, uma vez que são muitos os professores substitutos, e dentre as metas daquela pasta no próximo ano está a ampliação da rede de ensino técnico e profissionalizante.

Antônio José adianta que em 2009, cerca de R$ 30 milhões serão aplicados no ensino profissionalizante do Piauí através do programa federal "Brasil Profissionalizado". Serão 22 milhões para salas de aula e unidades de ensino e R$ 8 milhões em laboratórios.

"Vamos passar de 29 para 35 escolas profissionalizantes e melhorar os laboratórios que já temos e construir outros.

No que se refere às escolas de ensino médio vamos reformar 150 delas, e já estamos regularizando os terrenos para a construção de outras, é uma da metas de 2009", acrescenta Antônio José Medeiros.
DP
Leia mais sobre:Piauí
Fonte: TV Canal 13, Brasil

:: Pais terá 38 novos institutos federais de educação este ano

Que boa notícia!!

*****




Em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado está abrindo 35 novos cursos profissionalizantes nas escolas estaduais em diversos municípios

Ao sancionar lei que cria 38 institutos federais de Educação, Ciência e Tecnologia, o presidente Lula disse que o desafio do país é fazer de 2009 o melhor ano da educação. Na educação profissional, o objetivo é chegar a 2010 com 354 escolas técnicas em funcionamento, 214 delas construídas em seu governo.
Em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado está abrindo 35 novos cursos profissionalizantes nas escolas estaduais em diversos municípios. Serão abertas mais de mil vagas em 2009. Em alguns locais, as inscrições estão abertas. Para as inscrições, é necessário acessar o site www.sed.ms.gov.br .
Com os institutos federais e os cursos profissionalizantes do governo do Estado, o país consolida ações para a educação profissional e amplia as oportunidades de educação a milhares de jovens e adultos em todos as unidades da Federação, disse o presidente. De acordo com Lula, o Brasil vive um momento importante na área de ciência e tecnologia e a educação profissional, qualificando mão-de-obra, dá lastro para o desenvolvimento econômico e social.
Os institutos, que se apóiam na infra-estrutura da rede de educação profissional existente, promovem mudanças não só pela ampliação dos campi, mas, principalmente, por aumentar as oportunidades de formação aos jovens. Até 2010, quando a expansão da educação profissional se completa, o país abrirá 500 mil vagas nas diferentes modalidades de ensino, da educação média integrada à formação superior em tecnologia.
Abrangência – Presentes nos 26 estados da Federação e no Distrito Federal, os institutos iniciam as atividades com 168 campi. Em 2010, quando plenamente implantados, esse número chegará a 311. Nesse mesmo prazo, as vagas serão ampliadas de 215 mil para 500 mil.
A rede vai destinar metade das vagas para o ensino médio integrado à educação profissional; na educação superior destinará 30% das vagas aos cursos de engenharias e bacharelados tecnológicos; 20% das vagas para as licenciaturas em ciências da natureza (física, química, biologia e matemática); incentivará as licenciaturas com conteúdos específicos da educação profissional e tecnológica (mecânica, eletricidade e informática); na pesquisa e extensão vai estimular a busca de soluções técnicas e tecnológicas.
Os 38 institutos federais de educação, ciência e tecnologia foram criados a partir da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, que é formada pelos centros federais de educação tecnológica (Cefets), escolas agrotécnicas federais e escolas técnicas vinculadas às universidades.

Fonte :
agencia brasil
Data :
2009-01-03

30 dezembro, 2008

Projeto propõe educação para ressocialização

29/12/08 - 12:20 > LEGISLATIVO
Projeto propõe educação para ressocialização
Agência Senado BRASÍLIA - O senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) pretende que a educação seja considerada o eixo primordial para a ressocialização de presos e internados. Nesse sentido, apresentou projeto de lei (PLS 230/08) que modifica a Lei de Execução Penal para, entre outras normas, determinar que seja abatido um dia de pena a cada 20 horas-aula efetivamente cumpridas no programa educacional do estabelecimento penal, atestada a aprovação do condenado ao final do curso.
O ensino fundamental, segundo a proposta, será de oferta e matrícula obrigatória, integrando-se aos sistemas escolares dos estados, do DF e dos municípios, e o ensino médio, quando oferecido pela rede do DF e dos estados, será compulsório para os que tenham concluído o ensino fundamental. Já a educação profissional será desenvolvida por meio de cursos e programas de formação inicial e continuada de trabalhadores e educação técnica de nível médio. De acordo com o texto em vigor, que Jarbas Vasconcelos pretende substituir, o ensino de 1º grau será obrigatório, integrando-se no sistema escolar da unidade federativa, e o ensino profissional será ministrado em nível de iniciação ou de aperfeiçoamento técnico.
O projeto propõe a alteração do capítulo que trata do trabalho a fim de que essa parte da Lei de Execução Penal cuide dos direitos do condenado à educação escolar e ao trabalho, que devem ser efetivados em regime de colaboração pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal e pelos municípios.
Além da matrícula na etapa e modalidade própria do ensino fundamental e médio, a educação escolar compreenderá a inclusão do condenado em programa de educação individualizado, adequado e apropriado à sua condição, com atividades culturais em época de férias e recesso escolares. Esse programa individualizado observará a proposta pedagógica do Departamento Penitenciário local.
Os estabelecimentos penais terão de ter ambientes físicos e equipamentos didáticos compatíveis com as necessidades de aprendizagem, entre os quais biblioteca que tenha livros instrutivos e recreativos, já prevista na lei em vigor, com a devida ventilação, iluminação e mobiliário apropriado para uso de todas as categorias de presos.
O projeto também institui a remissão automática para o preso provisório, sempre que a prisão cautelar exceder 90 dias, até que seja intimado pessoalmente da sentença condenatória.
O senador sugere ainda que seja respeitado o salário mínimo na fixação da remuneração do trabalho realizado pelo preso. De acordo com o texto atual, a remuneração não poderá ser inferior a três quartos do salário mínimo.
Oportunidade
Jarbas Vasconcelos acredita que essa proposta dá maior oportunidade aos condenados por crimes os mais diversos que, muitas vezes, "são as maiores vítimas da exclusão sociocultural brasileira".
- Acreditamos que tornar a educação o eixo primordial da ressocialização de presos e internados significará um grande avanço para o sistema prisional brasileiro. Haverá, assim, real possibilidade de retornar à sociedade cidadãos mais preparados, após a educação formal e profissional do preso. Por isso mesmo, a expectativa é que diminuam os índices de reincidência criminal - afirmou o senador na justificação do projeto.
A proposta será examinada pelas Comissões de Educação, Cultura e Esporte (CE) e de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) - nesta última, receberá decisão terminativa. Antes de ser analisada nesses dois colegiados, deverá ser votado requerimento para que ela tramite junto com outras propostas que tratam do mesmo assunto - o PLS 265/06, de autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), e o PLS 164/07, apresentado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP).
Texto na íntegra.
Fonte DCI, Brasil :