26 setembro, 2009

Falando em poesia...

A poesia como ponto de partida.


Por Lau Siqueira


Nos últimos anos tenho acompanhado razoavelmente o debate acerca da importância da poesia, enquanto gênero literário. Em 2005, recebi uma provocação do Festival Recifense de Literatura. Fui “intimado” pelo poeta Pedro Américo, para falar sobre poesia e mercado. Na época, um período bastante atribulado da minha vida profissional, somente pude dar atenção ao assunto uns cinco dias antes da palestra. Fiquei um tanto atônito porque não existiam referências, praticamente. Encontrei apenas um texto de Geir Campos, de décadas e décadas passadas. Pois não é que em “Carta aos Livreiros”, o poeta relatava exatamente o mesmo drama vivido pelos poetas do século XXI, em relação mercado editorial? Acabei escrevendo um texto para orientar a minha palestra, que acabei publicando na revista Discutindo Literatura e em alguns sites.



Existe aí uma questão que tem me instigado bastante. Apesar de ser um gênero considerado não comercial, os fatos nos mostram que a poesia é um dos gêneros mais lidos. Do ponto de vista do mercado editorial, os poetas desafiam os best Sellers através do tempo. Por exemplo, ninguém lembra quem eram os Best Sellers da época em que Baudelaire circulava pelas ruas de Paris. No entanto, o poeta francês continua vendendo nas livrarias do mundo inteiro. A coleção “Melhores Poemas”, da Global Editora, apresenta índices invejáveis de vendas. Somente o poeta Mário Quintana vendeu bem mais de 100 mil exemplares. Na margem do mercado, os cordelistas da Paraíba, num dos últimos festejos juninos da capital, chegaram a vender 800 exemplares em único final de semana.



A recente pesquisa, já citada por mim no blog Pele Sem Pele algumas vezes, “Retratos da leitura no Brasil”, editada pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, traz dados atualíssimos (de 2007) e impressionantes. A pesquisa foi coordenada por Galeno Amorim, ex-secretário de cultura de Ribeirão Preto-SP e editada também sob sua orientação, com textos de dez especialistas. Entre eles, nomes de conhecidos como Moacir Sclyar. Esta pesquisa aponta a poesia entre os cinco gêneros preferidos dos leitores. Considerando-se entre esses gêneros o romance, os livros didáticos, os livros religiosos e a literatura infantil. Também segundo a pesquisa, seis poetas aparecem entre os 25 autores brasileiros mais lidos no país. Vinícius de Morais é o quinto autor na preferência dos brasileiros, somente para se ter uma idéia de uma lista que traz nomes como Monteiro Lobato (o primeiro de todos), Machado de Assis, Ariano Suassuna, Paulo Coelho, Bispo Edir Macedo, Clarice Lispector, etc. Não contabilizo aí o paraibano Ariano Suassuna como poeta, apesar de escrever poemas e ter na sua obra, segundo ele próprio, uma forte vertente poética.



Em recente entrevista ao programa Letra Lúdica, da TV UFPB, falei sobre o livro Retratos da Pesquisa. No entanto, notei que o editor do programa o poeta paraibano José Antônio Assunção, forçava a barra para que eu falasse mais e mais dos números impactantes da poesia na pesquisa. Então, desenvolvemos muito mais uma boa prosa sobre o tema que sobre os desvendamentos da pesquisa enquanto diagnóstico da leitura no país. Observamos, por exemplo, que o jovem é o grande leitor brasileiro. De um modo geral, observa-se também que há uma empatia da juventude para com a poesia. Basta ver o imenso sucesso editorial do Livro da Tribo entre os jovens brasileiros, publicado anualmente pela Editora da Tribo(SP). Poetas como Paulo Leminski, Alice Ruiz e até mesmo Augusto dos Anjos, aparecem nitidamente na preferência da juventude.



Onde quero chegar?
Se algo podemos comemorar nos últimos anos é exatamente a multiplicação de certa “militância” favorável às políticas de leitura. Militância esta que tem sido encontrada tanto no setor público, quanto em iniciativas particulares. Podemos citar entre estas, a de um catador de papel em São Paulo que montou uma biblioteca com mais de 16 mil títulos, num prédio abandonado. Detalhe: os livros foram todos apanhados em lixos residenciais. O projeto Dulcinéia Catadora, também em São Paulo, trabalha oficinas de artes plásticas, leitura e edição, a partir da poesia, principalmente. São inúmeros os exemplos brasileiros que nos levam a acreditar que a poesia é um dos principais vetores para uma política nacional de incentivo à leitura. Uma ação transformadora que não deveria se limitar ao repasse de verbas, mas fundamentalmente, às possibilidades de articulação intersetorial e transversal, principalmente das áreas de educação e cultura.



Isso significa, logicamente, uma ousada transgressão ao que existe hoje em termos de política educacional. Roland Barthes já dizia que a Literatura contém muitos saberes. No entanto, segundo Afrânio Coutinho no Livro Notas de Teoria Literária, “o ensino da Literatura deve emancipar-se da história e da filologia, campos verdadeiramente distintos (...)”. Ele diz também que, “a Literatura vem sendo ensinada por professores, na maioria de português, de mentalidade predominantemente filológica, a Literatura é tornada um subsídio da língua, confundindo-se análise gramatical com análise literária, análise sintática com análise estilística.” O que estamos propondo é uma inversão nessa lógica para que a Literatura desfrute de um espaço próprio, trabalhando muito mais intensamente o que realmente nos interessa: o prazer da leitura. O caráter estruturante das políticas de leitura, seguramente, elevará os níveis de ensino. Afinal, um bom leitor dificilmente será um mau aluno.



Logicamente que temos aqui uma série de vontades íntimas. A maior delas é nos transformarmos em um continente de leitores. Não tenho a menor dúvida que a poesia cumpre, nesse aspecto, um papel introdutório de toda uma política pública para o Livro e a leitura. A boa poesia seduz o leitor para qualquer gênero literário. É muito mais fácil, por exemplo, um leitor de poesia entender obras como Lavoura Arcaica, de Raduan Nassar, ou mesmo Ponto de Mutação, do Fritjot Capra. Pelo imenso grau de popularização da poesia, não estaríamos inventando a roda, mas fazendo-a andar mais rápido, como se diz por aí. Aliás, não podemos esquecer que a roda já está andando. Por exemplo, devemos reconhecer que há uma geração de professores nos cursos de Letras do país inteiro, trabalhando a literatura contemporânea em sala de aula (não apenas poesia). Ainda que predomine o conservadorismo acadêmico. Recentemente ouvi de um amigo que um professor iria fazer sua tese de doutorado sobre a sua poesia e foi desaconselhado por ser o meu amigo, um poeta desconhecido. Portanto, há muito que se avançar ainda em termos de “mudança de hábito”. Mas, as cartas estão na mesa e, não se enganem os incautos, o jogo já começou.



Visite os blogs do autor!




POESIA SIM - http://www.poesia-sim-poesia.blogspot.com/



PELE SEM PELE - http://www.lau-siqueira.blogspot.com/

23 setembro, 2009

A ORGANIZAÇÃO SOCIAL E POLÍTICA NA ILHA DA UTOPIA


Holbein, Sir Thomas More (1527),
Frick Collection, New York







Por Jayme Bueno

1. O autor




Tomas More (1478-1535), mais conhecido pelo nome latino Thomas Morus, nasceu em Londres, quando já predominava o Renascimento nos países desenvolvidos da Europa. Com o retorno da cultura clássica, as ideias de Platão e Aristóteles passaram a dominar. Na Idade Média, os religiosos, principalmente Santo Agostinho (mais platônico) e São Tomás de Aquino (mais aristotélico) já haviam fundido o pensamento desses dois filósofos numa espécie de síntese filosófica e pedagógica, a Escolástica. Assim, o caminho se encontrava aplainado para que o pensamento dos dois filósofos pagãos fosse absorvido pela Igreja Católica.
Thomas More estudou latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática e teologia. Frequentou as principais escolas da Inglaterra, inclusive Oxford, que era a mais avançada das universidades da época. De espírito religioso, vivia em orações e, inclusive pensou ingressar no sacerdócio. Frequentou algumas ordens religiosas, mas, ao final, decidiu-se por continuar a serviço da Igreja como leigo.
Recebeu o título de Sir e exerceu cargos na Corte de Henrique VIII. Conviveu com grandes pensadores, principalmente com Erasmo de Roterdam, autor de Elogio da Loucura. More, Maquiavel e Erasmo têm sido considerados os pioneiros da Filosofia Política.
Entrou em desgraça por não haver concordado com o divórcio de Henrique III. Foi preso e torturado. Morreu como mártir da Igreja e, mais tarde, em 1935, foi canonizado. É o santo padroeiro dos políticos e governantes, festejado no dia 22 de junho.



2. A obra



Thomas Morus escreveu prosa e poesia, em inglês e em latim. É autor de uma série de poemas - os English Poems; de obras históricas - História do rei Ricardo III; de textos religiosos - Diálogo do conforto na tribulação. Fez traduções, inclusive uma com Erasmo, Diálogos de Luciano. Foi, porém, no campo da Filosofia que produziu a sua obra-prima, a Utopia. Planejada em 1511, aos 32 anos de idade, só foi iniciada no ano de 1514, quando Morus esteve ausente de Londres. No ano seguinte, 1515, já em Londres, é que concluiu a obra que viria torná-lo famoso como filósofo, humanista e literato. Foi publicada em 1516.



3. A Utopia



O nome completo em latim é De optimo statu reipublicae deque nova insula Utopia (Sobre o melhor estado de uma república e sobre a nova ilha Utopia). Nela, Thomas Morus descreve uma ilha imaginária com base em histórias sobre os novos mundos que vinham sendo descobertos. A fonte principal foi o relato que lhe fez um viajante português, Rafael Hitlodeu. Nessa época, pelas muitas navegações empreendidas, eram comuns as narrativas de viagem, geralmente cheias de aventuras fantasiosas.
Thomas Morus, pelo contrário, procurou deixar bem claro que o que escreve é imaginário. Para tanto, emprega o recurso conhecido por ouvre à clef, obra em que as palavras são como chave para o entendimento do texto. Assim, o nome do narrador é Hitlodeu, algo como língua solta. A palavra utopia tem origem no grego (ou, não; topos, lugar, portanto, o não-lugar). Amaurota, o nome da capital, provém do latim Amaurotum, miragem. O rio que a banha é Anidra, o sem água. Os cidadãos da Ilha são chamados alopolitas, cidadãos sem cidade. Um dos príncipes é Ademos, aquele sem povo. Há, ainda, outras palavras que indicam esse caráter de não-existência.
Estruturalmente, Morus empregou o recurso do diálogo, muito comum na época do Renascimento. Dividiu a obra em duas partes, às quais denominou Livro I e Livro II. No primeiro, narra como, em Antuérpia, encontrou Pedro Gil, morador da cidade, pessoa muito afável. Foi ele que um dia lhe apresentou um velho viajante português da esquadra de Américo Vespúcio, que havia permanecido no Novo Mundo. Ali, conhecera muitos lugares e muitos povos. Dentre esses lugares, estava a ilha de Utopia. No segundo. o autor passa a narrativa para o próprio Rafael Hitlodeu. Transferindo a um outro a responsabilidade da narrativa, Morus, como pensador, fica livre para emitir opiniões sobre o relato, principalmente quando discorda de algumas coisas narradas.




4. A ilha da Utopia - cidades e população



Ao iniciar a sua narrativa, Hitlodeu descreve a dimensão e o formato da ilha. Avisa que a entrada do porto é muito perigosa, porque há abrolhos e bancos de areia. No meio da ilha, há um grande rochedo que pode ser avistado de longe. Por tal descrição, muitos aproximam a Utopia à ilha principal do arquipélago de Fernando de Noronha. Era por aí que os navegadores portugueses e espanhóis passavam ao se dirigirem para o Novo Mundo.
A Ilha foi descoberta e conquistada por Utopos, que humanizou os silvícolas e deu-lhes uma educação capaz de torná-la o lugar mais civilizado de todos. Os indígenas, devidamente motivados, tinham orgulho de participar da obra de construção de um novo país.
A ilha de Utopia tem cinquenta e quatro cidades. Cada uma delas está dividida em 4 quarteirões, uma espécie dos quartiers parisienses. Cada quarteirão tem um representante junto à administração central da cidade.
Nos arredores de cada cidade, localizam-se quatro hospitais, um para cada quarteirão. Encontram-se afastados para que seja mais fácil o atendimento a todos. São limpos, bem organizados e espaçosos o suficiente para o atendimento de todos que possam necessitar de cuidados médicos ou mesmo de isolamento.
A capital é Amaurota, não por ser a mais importante, mas porque se situa ao centro da Ilha e, portanto, mais fácil ao acesso para os representantes das demais cidades. São espaçosas e muito bem construídas com praças e jardins bem localizados. As casas são edifícios elegantes de três andares, com paredes externas de pedra ou de tijolo, e as internas de estuque. As janelas estão vedadas por vidros e por cortinas de fina seda. As casas estão sempre muito bem conservadas por quem habita nelas. Na Utopia, os moradores são apenas usuários e não proprietários.
Todas as cidades possuem os mesmos edifícios públicos, construídos de forma a melhor se adaptar ao local. Têm mais ou menos a mesma população, porque há um sistema de migração que supre aquelas, que, por qualquer motivo, estejam perdendo habitantes. As cidadessão médias, com 6.000 famílias cada.



5. A organização social da Ilha



Socialmente, a Ilha é muito bem organizada. A população é especialmente ordeira e trabalhadora. Como são estimuladas todas as profissões, os utopianos praticam aquela para a qual demonstram mais aptidão. Há, porém, prioridade para a agricultura, por ser ela a fonte de alimentação de um povo. Assim, todos os habitantes da Ilha têm de exercer essa atividade por algum tempo.
A agricultura da ilha é a mais desenvolvida de todas as regiões conhecidas. Os habitantes plantam de tudo, cereais, frutas. Criam as aves e os animais domésticos. Transformam os cereais em alimento; as frutas, em bebidas; tecem a lã e tiram o maior proveito possível da produção de ovos e de pintos. Eles chocam os ovos por um meio de calefação artificial. Quando os pintainhos rompem a casca são os homens que cuidam deles. Assim, as galinhas se tornam mais produtivas.
Os habitantes só são agricultores eventualmente, embora toda a população receba lições de agricultura. De tempo em tempo, os agricultores temporários são substituídos por outros que virão das cidades. Só permanecem aqueles que pedirem, por que gostaram da profissão e preferem viver no campo.
Aqueles que são intelectualmente afeito aos estudos, não são enviados para o campo. Ficarão estudando nas cidades, a não ser que queiram também participar, simultaneamente, das duas atividades. E aqueles do campo que se destacarem nos estudos poderão ser levados de volta à cidade, para aí continuarem os estudos.
Pelo fato de que todos trabalham, produzem sempre o necessário para todos os habitantes. Eles, porém, continuam a produzir bens para repassar aos que necessitem, ou mesmo a outros povos. Como não há moeda, o comércio é feito à base de trocas.
Os utopianos dividem muito bem o tempo de trabalho. As 24 horas do dia se repartem em seis horas para o trabalho utilitário, três horas antes e três depois do almoço; duas horas para descanso depois do almoço; e à noite, depois do jantar, ocupam o tempo com conversas sobre temas importantes e educativos. Reservam nove horas para um sono reparador. É assegurada a todas as pessoas uma justa distribuição de trabalho, para que o esforço não se torne estafante. Se tal acontecesse, seria uma forma de escravidão. Assim como deve haver tempo para os trabalhos materiais, deve haver também para as ocupações do espírito.
Os habitantes não se apegam aos bens materiais. O ouro e a prata se tornam materiais para ferramentas e outros objetos úteis, como argolas para prender os prisioneiros. As pedras preciosas não possuem valor, porque, argumentam eles, se é necessário consultar um especialista para saber se uma pedra é verdadeira ou falsa, tanto faz ser um diamante, como um pedaço de vidro. Esses materiais, porém, são guardados como tesouro para reserva em caso de necessidade. Em tempo de guerra, são empregados para contratar mercenários, ou então para subornar o inimigo.
A religião é livre na Ilha, mas grande parte aderiu ao Cristianismo. Buscam o batismo e os outros sacramentos. Ninguém, porém, pode ser castigado ou discriminado por motivo de credo religioso. Os padres da Utopia são de uma perfeita santidade. Em caso de guerra, sete deles acompanham os exércitos. Para substituí-los são nomeados outros sete. Os padres se casam e, para tanto, escolhem suas esposas entre as moças mais prendadas da população. As mulheres também podem exercer o sacerdócio, desde que viúvas e idosas.
Sobre a educação, ela é pública e totalmente gratuita. Os cursos começam a funcionar antes de o sol nascer, e é grande o número dos  que frequentam, mesmo sendo obrigatórios apenas àqueles que se dedicam às letras. As aulas são dadas na língua do próprio povo, que é muito rica, harmoniosa e elegante. É bastante parecida com o grego, mas também com o persa.
Os habitantes da Ilha estão dentre os mais cultos. Mesmo sem conhecer os grandes filósofos gregos, chegaram aos mesmos resultados. São inventivos e criam máquinas capazes de facilitar a vida e defendê-los do inimigo. Ironicamente, o narrador comenta que, quanto ao conceito de homem geral e universal, um dos temas preferidos da gíria metafísica, ninguém na Utopia pôde ainda perceber.
Como a Utopia tem seus fundamentos em filósofos adotados pela Igreja Católica - Platão principalmente -, o sexo só é permitido após o casamento. O adultério é punido com a servidão e se houver reincidência, a punição é a morte.
Os utopianos quando necessitam viajar, justificam os motivos e solicitam uma licença ao príncipe, que emite um documento no qual se estipula o tempo da viagem e o dia de regresso. Antecipavam-se assim aos atuais passaportes.



6 . A organização política da Ilha



A organização política da Utopia é mais simples e racional possível. As leis são poucas e muito claras. Tanto assim que não existem advogados. São os próprios interessados que se apresentam diante do juiz e sem rodeios apresentam sua defesa. Dessa forma, tornam-se críveis e honestos, o que facilita a decisão judicial.
Para reger politicamente a Ilha, todos os anos, cada cidade nomeia três velhos experientes e capazes – honestos todos são - como seus deputados. Eles se deslocarão para Amaurota, onde irão tratar dos assuntos de interesse de suas cidades e de todo o país.
Para os habitantes do campo também há uma forma de representação. As famílias agrícolas, que se compõem de pelo menos 40 pessoas, homens, mulheres e dois escravos, são governadas por um dos pais, geralmente o mais idoso. Trinta famílias formam uma unidade, que é dirigida por um filarca (grego filos, aquele que ama). Esses filarcas, também chamados sifograntes, são os magistrados. Dez sifograntes e as trezentas famílias por ele representadas obedecem a um protofilarca.
São os 1.200 sifograntes que, após um juramento no qual se comprometem a dar o voto ao mais capaz e mais virtuoso, escolhem por voto secreto o príncipe. A indicação inicial parte da própria população, que envia à corte uma lista com quatro nomes. O principado é vitalício, a não ser que o príncipe tente tornar-se um tirano.
Os príncipes sempre procuram pautar-se pela mais completa honestidade. Cada vez mais se preparam para melhor exercer a mais alta e a mais digna das funções do estado. Procuram seguir o que Platão disse: “A humanidade será feliz um dia, quando os filósofos forem reis, ou quando os reis forem filósofos” (p. 191).
Os protofilarcas são eleitos todos os anos, mas, a não ser que haja motivo justo, eles são reconduzidos. Dificilmente há mudança. São eles que se reúnem três dias por semana com o príncipe para tratarem dos assuntos de estado e para despacharem com a maior brevidade os pleitos apresentados. Os processos são raros, considerando-se que todos vivem em paz e harmonia.
Os sifograntes, como alguns outros, são isentos por lei do trabalho pesado. Porém, para darem o exemplo, eles preferem engajar-se em toda forma de serviço executado pelos demais trabalhadores. São dispensados do trabalho também aqueles estudantes aptos às atividades intelectuais e que estão dedicados apenas ao estudo por indicação de padres e dos sifograntes. Se algum deles, porém, não fizer bom uso do tempo e iludir a esperança do povo e de quem o indicou, será imediatamente transferido para a classe dos operários.
Os governantes são todos bem intencionados a ponto de preferirem ser como aquele general romano, Fabrício, que morreu tão pobre, que o estado teve de providenciar o seu funeral. Dizia ele: “prefiro governar ricos a eu mesmo ser rico” (p. 198). Considerando também que os habitantes da Ilha são todos politicamente educados, a Utopia pode desenvolver-se sempre em paz.



7. O destino da obra



A obra, produto do pensamento renascentista e, portanto, com fundo altamente humanístico, retrata o pensamento expresso por grandes pensadores que influenciaram a época. De modo geral, a filosofia é a de Platão, mas há também muito de Epicuro e de outros neo-platônicos. O pensamento religioso de Santo Agostinho (A Cidade de Deus) também se faz presente. Por outro lado, as idéias de como se deve governar têm muito do pensamento do contemporâneo Maquiavel.
Quando a obra de Morus surgiu, imediatamente alcançou enorme sucesso. Foi traduzida para as várias línguas culturais de então. Foi lida e comentada por todos. Ao lado de O Elogio da Loucura, de Erasmo, e de O Príncipe, de Maquiavel, a Utopia desfila entre as grandes obras do Renascimento europeu.
Teve, dentre outros, o mérito de exercer influência em várias obras, principalmente A Cidade do Sol de Dominico Campanella, publicada em 1602. Influenciou também muitas das doutrinas socialistas dos séculos seguintes.
Pode-se concluir, que, seja uma obra de crítica aos costumes de países desenvolvidos, principalmente Itália, Inglaterra e França. Pode também ser vista como uma obra de pensamento elevado. O certo é que Utopia não é uma simples obra, mas, uma tomada de posição diante dos acontecimentos políticos e sociais da época.
A obra trouxe um repensar sobre temas, como trabalho, honestidade, pureza de espírito, o que sem dúvida passou a exercer influência sobre os costumes e sobre organização social e política dos diferentes povos. Esse tem sido o destino de Utopia, de Thomas Morus.

09 setembro, 2009

Eleições e mídia, tudo a ver

A disputa eleitoral começa bem antes das pessoas comuns perceberem. Ela é feita à surdina, mansamente. Infelizmente a maior parte dos veículos de comunicões não são isentos e trabalham para defender os privilégios adquiridos com o correr do tempo. Ou se vendem mesmo, como acontece na grande imprensa. Isso a população não fica sabendo, apenas absorve as informações. Questionar não é o forte do pais que tenta se indignar, mas no ranço dos preconceitos apenas participa do jogo atual das classes dominantes. Para que seja revertida essa situação, depende dos empresários de comunicação e também de jornalistas éticos, que não aceitem vender sua consciência. Abaixo matéria opnativa de Emiliano José, de Salvador, que descreve cenário pré-eleitoral brasileiro, publicado na revista Carta Capital.


Eleições e mídia, tudo a ver

08/09/2009 12:27:28

Emiliano José
  • Eu estava na ante-sala de uma médica, em Salvador. Sábado, dia 29 de agosto. E apenas por essa contingência, dei-me de cara com uma chamada de primeira página – uma manchetinha – da revista Época, já antiga, de março deste ano de 2009: A moda de pegar rico – as prisões da dona da Daslu e dos diretores da Camargo Corrêa.Alguém já imaginou uma manchete diferente, e verdadeira como por exemplo, A moda de prender pobres? Ou A moda de prender negros? Não, mas aí não. A revolta é porque se prende rico. Rico, mesmo que cometendo crimes, não deveria ser preso.
  • Lembro isso apenas para acentuar aquilo que poderíamos denominar de espírito de classe da maioria da imprensa brasileira. Ela não se acomoda – isso é preciso registrar. Não se acomoda na sua militância a favor de privilégios para os mais ricos. E não cansa de defender o seu projeto de Brasil sempre a favor dos privilegiados e a favor da volta das políticas neoliberais. Tenho dito com certa insistência que a imprensa brasileira tem partido, tem lado, tem programa para o País.
  • E, como todos sabem, não é o partido do povo brasileiro. Ela não toma partido a favor de quaisquer projetos que beneficiem as maiorias, as multidões. Seus olhos estão permanentemente voltados para os privilegiados. Não trai o seu espírito de classe.
  • Isso vem a propósito do esforço sobre-humano que a parcela dominante de nossa mídia vem fazendo recentemente para criar escândalos políticos. E essa pretensão, esse esforço não vem ao acaso. Não decorre de fatos jornalísticos que o justifiquem.
  • Descobriram Sarney agora. Deu trabalho, uma trabalheira danada. A mídia brasileira não o conhecia após umas cinco décadas de presença dele na vida política do país. Só passou a conhecê-lo quando se fazia necessário conturbar a vida do presidente da República. O ódio da parcela dominante de nossa mídia por Lula é impressionante. Já que não era possível atacá-lo de frente, já que a popularidade e credibilidade dele são uma couraça, faça-se uma manobra de flanco de modo a atingi-lo. Assim, quem sabe, terminemos com a aliança do PMDB com o PT.
  • Não, não se queira inocência na mídia brasileira. Ninguém pode aceitar que a mídia brasileira descobriu Sarney agora. Já o conhecia de sobra, de cor e salteado. Não houve furo jornalístico, grandes descobertas, nada disso. Tratava-se de cumprir uma tarefa política. Não se diga, porque impossível de provar, ter havido alguma articulação entre a oposição e parte da mídia para essa empreitada. Talvez a mídia tenha simplesmente cumprido o seu tradicional papel golpista.
  • Houvesse a pretensão de melhorar o Senado, de coibir a confusão entre o público e o privado que ali ocorre, então as coisas não deviam se dirigir apenas ao político maranhense, mas à maior parte da instituição. Só de raspão chegou-se a outros senadores. Nisso, e me limito a apenas isso, o senador Sarney tem razão: foi atacado agora porque é aliado de Lula. Com isso, não se apagam os eventuais erros ou problemas de Sarney. Explica-se, no entanto, a natureza da empreitada da mídia.
  • A mídia podia se debruçar com mais cuidado sobre a biografia dos acusadores. Se fizesse isso, se houvesse interesse nisso, seguramente encontraria coisas do arco da velha. Mas, nada disso. Não há fatos para a mídia. Há escolhas, há propósitos claros, tomadas de posição. Que ninguém se iluda quanto a isso.
  • Do Sarney a Lina Vieira. Impressionante como a mídia não se respeita. E como pretende pautar uma oposição sem rumo. É inacreditável que possamos nós estarmos envolvidos num autêntico disse-me-disse quase novelesco, o país voltado para saber se houve ou não houve uma ida ao Palácio do Planalto. Não estamos diante de qualquer escândalo. Afinal, até a senhora Lina Vieira disse que, no seu hipotético encontro com Dilma, não houve qualquer pressão para arquivar qualquer processo da família Sarney – e esta seria a manchete correta do dia seguinte à ida dela ao Senado. Mas não foi, naturalmente.
  • Querem, e apenas isso, tachar a ministra Dilma de mentirosa. Este é objetivo. Sabem que não a pegam em qualquer deslize. Sabem da integridade da ministra. É preciso colocar algum defeito nela. Não importa que tenham falsificado currículos policiais dela, vergonhosamente. Tudo isso é aceitável pela mídia. Os fins, para ela, justificam os meios.
  • Será que a mídia vai atrás da notícia de que Alexandre Firmino de Melo Filho é marido de Lina? Será? Eu nem acredito. E será, ainda, que ele foi mesmo ministro interino de Integração Nacional de Fernando Henrique Cardoso, entre agosto de 1999 e julho de 2000? Era ele que cochichava aos ouvidos dela quando do depoimento no Senado? Se tudo isso for verdade, não fica tudo muito claro sobre o porquê de toda a movimentação política de dona Lina? Sei não, debaixo desse angu tem carne...
  • Mas, há, ainda, a CPI da Petrobras que, como se imaginava, está quase morrendo de inanição. Os tucanos não se conformam, E nem a mídia. Como é que a empresa tornou-se uma das gigantes do petróleo no mundo, especialmente agora sob o governo Lula e sob a direção de um baiano, o economista José Sérgio Gabrielli de Azevedo? Nós, os tucanos, pensam eles, fizemos das tripas coração para privatizá-la e torná-la mais eficiente, e os petistas mostram eficiência e ainda por cima descobrem o pré-sal. É demais para os tucanos e para a mídia, que contracenou alegremente com a farra das privatizações do tucanato.
  • Acompanho o ditado popular “jabuti não sobe em árvore”. A CPI da Petrobras não surge apenas como elemento voltado para conturbar o processo das eleições. Inegavelmente isso conta. Mas o principal são os interesses profundos em torno do pré-sal. Foi isso ser anunciado com mais clareza e especialmente anunciada a pretensão do governo de construir um novo marco regulatório para gerir essa gigantesca reserva de petróleo, e veio então a idéia da CPI, entusiasticamente abraçada pela nossa mídia. Não importa que não houvesse qualquer fato determinado. Importava era colocá-la em marcha.
  • Curioso observar que a crise gestada pela mídia com a tríade Sarney-Lina-Petrobras, surge precisamente no mesmo período daquela que explodiu em 2005. Eleições e mídia, tudo a ver. Por tudo isso é que digo que a mídia constitui-se num partido. Nos últimos anos, ela tem se comportado como a pauteira da oposição, que decididamente anda perdida. A mídia sempre alerta a oposição, dá palavras-de-ordem, tenta corrigir rumos.
  • De raspão, passo por Marina Silva. Ela sempre foi duramente atacada pela mídia enquanto estava no governo Lula. Sempre considerada um entrave ao desenvolvimento, ao progresso quando defendia e conseguia levar adiante suas políticas de desenvolvimento sustentável. De repente, os colunistas mais conservadores, as revistas mais reacionárias, passam a endeusá-la pelo simples fato de que ela saiu do PT. É a mídia e sua intervenção política. Marina, no entanto, para deixar claro, não tem nada com isso. Creio em suas intenções de intervenção política séria, fora do PT. Neste, teve uma excelente escola, que ela não nega.
  • Por tudo isso, considero essencial a realização da I Conferência Nacional de Comunicação. Por tudo isso, tenho defendido com insistência a necessidade de uma nova Lei de Imprensa. Por tudo isso, em defesa da sociedade, tenho defendido que volte a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Por tudo isso, tenho dito que a democratização profunda da sociedade brasileira depende da democratização da mídia, de sua regulamentação, de seu controle social. Ela não pode continuar como um cavalo desembestado, sem qualquer compromisso com os fatos, sem qualquer compromisso com os interesses das maiorias no Brasil.

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=4967

04 setembro, 2009

POLÍTICA E POLÍTICOS - Prof. Jayme Bueno

POLÍTICA E POLÍTICOS


1- Política, política e políticas
Para iniciar, há que diferençar os termos Política, política, políticas e políticos. A Política prende-se à palavra grega pólis, cidade. Político, portanto, era o habitante da cidade, o cidadão. Como forma de atividade humana, relaciona-se com o exercício do poder em estados organizados e se aproxima, conceitualmente, a termos como urbanismo, civilidade, cidadania, bem público; a política, por sua vez, deveria ser a boa prática dessa atividade humana; as políticas são as ações de governo, que deveriam ser voltadas ao bem público; e, finalmente, políticos, aqueles que deveriam exercer a Política, mas que geralmente praticam a política.
A Política como como comportamento acompanha o homem desde que se tornou ser racional, pensante. Segundo Ernst Cassirer, o homem racional não se define como o homo erectus, aquele bípede capaz de andar com seus próprios pés, mas como homo simbolicum, aquele capaz de criar símbolos: primeiramente, a linguagem, os mitos, a religião e, depois, evoluir para a criação da ciência, das artes e de outras manifestações humanas, como as culturais.
Os dicionários, de modo geral, aproximam a Política à Civilidade. Assim fazem, dentre os consultados, o Aurélio e o Dicionário Cultural da Língua Portuguesa. O clássico Cândido de Figueiredo vai mais longe, aproxima a Política à Polidez.


2 - A Política em Platão
Platão (428-328 a.C.), sempre o início para enfocar qualquer assunto no mundo ocidental, tratou dos seres humanos, considerando aqueles, que ele considera tenham aparecido após a época do Paraíso. Era um homem já diferente, vivendo em outro meio e com outras necessidades. Nesse pós-Paraíso, os homens perceberam que os tempos haviam mudado e que já não existia mais a harmonia entre os próprios homens e entre eles e os animais. Apenas eles, os homens, falavam. Os animais haviam perdido a fala e se transformados em inimigos, contra os quais o homem tinha de lutar para sobreviver. Surgiu, então, a necessidade de os homens se organizarem em grupos. Inicialmente, foram os grupos familiares, depois, os tribais, até surgirem os agrupamentos mais complexos, como a sociedade e, por fim, o estado.
A reunião em agrupamentos, além de transformar o modo de vida, passou a exigir normas que organizassem o relacionamento entre os seres. O homem passou a viver em grupos fechados, em regimes organizacionais de vários tipos, que Platão considera Artes. Assim dividiu-as em três: a de ordem técnica, profissional, que englobava, por exemplo, artesãos, pastores; a de ordem de produção, como os lavradores, os comerciantes; e, enfim, a arte mais nobre de todas, a de conduzir os homens, ou seja, a Política.
Platão trata do tema, principalmente, em três obras: nos 10 volumes de República, em Político e em Leis, obra inacabada. A principal, porém, é o conjunto dos livros de República. Ele considerava, e talvez com razão, que : “o primeiro e fundamental problema da política é que todos os homens acreditam-se capacitados para exercê-la”. Isso lhe parece um grande equívoco, por tratar-se de uma arte especial. Como filósofo, sustentava que: “o estado deve ser governado não pelos mais ricos, pelos mais ambiciosos, ou pelos mais astutos, mas pelos mais sábios”. Para ele, guerreiros e trabalhados deveriam apenas exercer o que fosse determinado pelos filósofos.
Por sua estirpe nobre, Platão era levado a não acreditar na democracia, forma de governo em que o estado seria conduzido pelo próprio povo. Para ele, a Política, como a boa condução dos homens em sociedade, era um arte dominada por poucos. O melhor seria que esses poucos fossem os sábios, porque só eles seriam capazes de entender de tudo, inclusive da arte de conduzir os outros numa sociedade organizada.
Finalizando esta parte, mais um dos fundamentos da Política vista por Platão: o homem era o cidadão, o habitante da polis. Assim, a Política deve tratar do cidadão, porque é ele que vive, que participa e que deve influir na sociedade organizada. Toda forma de Política que pretenda ser autêntica deve ter em vista o bem do cidadão.

3 - A Política em Aristóteles
Aristóteles (384-322 a .C.), o mais famoso dos discípulos de Platão, tinha pensamentos muitas vezes contrários aos do Mestre. Homem de princípios práticos, abandonou as construções utópicas de Platão para construir o pensamento sobre coisas reais, aquelas que existem no mundo dos homens. Por isso, tornou-se guia para o homem verdadeiro, aquele que vive, trabalha e exercita sua arte na sociedade, como os juristas, os políticos, os cientistas. Se Platão é um idealista, um subjetivo, um sonhador; Aristóteles, pelo contrário, é um realista, objetivo e realizador.
Como realista, considerava que o homem que deveria ser o melhor dos seres pela capacidade de pensar e por sua inteligência, pode-se tornar o pior deles, quando se afasta da justiça e das leis. Destituído de valores morais, o homem pode-se transformar no mais violento e perigoso animal, porque possui os meios para exercer a sua maldade.
Platão havia fundado a Academia e o seu sucessor deveria ser o aluno mais brilhante. Ao ser preterido para suceder o Mestre, Aristóteles afastou-se da Academia e fundou a Escola Paripatética, também conhecida por Liceu.
Sobre Política, Aristóteles escreveu duas grandes obras: Politica, em que faz crítica às ideias de Platão e trata, principalmente, da organização da cidade, da família, dos bens materiais; e Constituição de Atenas, em que analisa a organização de outras cidades, faz comparação com a de Atenas e descreve os regimes políticos dessas cidades.
Aristóteles colocava a Política entre as ciências práticas, aquelas que buscam o conhecido, para poder agir e assim proporcionar o bem para o cidadão. O objeto da ciência política, para ele, é a felicidade humana. Assim, o autor divide a obra Política em duas partes: Ética, que trata da felicidade individual, e Política propriamente, que se preocupa com o bem coletivo da pólis.
O pensamento político de Aristóteles se baseia na Moral, porque o fim do estado deve ser a virtude. Portanto, o estado é sempre superior ao indivíduo e deve complementar a atividade moral do cidadão. Assim, a Política se distingue da Moral. Esta trata do individual, e aquela do coletivo.
No pensamento aristotélico, há três formas de governo: a monarquia, governo de um só, que tem a vantagem da unidade, mas que apresenta o perigo de cair na tirania; a aristocracia, governo de poucos, que pode primar pela qualidade, mas que pode tornar-se uma oligarquia; e a democracia, o governo de muitos, que se baseia na liberdade, mas que pode degenerar-se em demagogia.
Para o filósofo, porém, a melhor forma de governo é aquela que seja bem constituída e na qual o estado vise ao bem comum e não às vantagens daqueles que governam.

4 – Algumas frases de Políticos e de políticos

1. Não, ninguém poderá indi¬car uma única dádiva que haja recompensado minhas ações ou minhas palavras no governo. A isto se deve que as determinações importantes, que são a consequência natural do estado de nossos assuntos, apareçam sem¬pre à minha vista sem nuvens que as ocultem ou desfigurem. Mas quando, por um lado ou por outro, o orador, semelhante a uma balança, recebe dinheiro, este peso precipita e arrasta toda a sua lógica em um sentido, e desde então desaparece a veracidade de seus cálculos e a justiça de seus argumentos.
(Demóstenes. Filípicas, discurso pronunciado em 341 a.C.- http://greciantiga.org. Acesso 22.08.09)

2. Oh tempos, oh costumes! O Senado tem conhecimento destes factos, o cônsul tem-nos diante dos olhos; todavia, este homem continua vivo! Vivo?! Mais ainda, até no Senado ele aparece, toma parte no conselho de Estado, aponta-nos e marca-nos, com o olhar, um a um, para a chacina. E nós, homens valorosos, cuidamos cumprir o nosso dever para com o Estado, se evitamos os dardos da sua loucura. à morte, Catilina, é que tu deverias, há muito, ter sido arrastado por ordem do cônsul; contra ti é que se deveria lançar a ruína que tu, desde há muito tempo, tramas contra todos nós.
(Cícero- Catilinárias, discurso pronunciado em 63 a.C. - www.historianet.com.br. Acesso 21.08.09)

3. Assim se tiram da Índia quinhentos mil cruzados, de Angola duzen¬tos, do Brasil trezentos, e até do pobre Maranhão, mais do que vale todo ele. E que se há-de fazer desta fazenda? Aplicá-la o rei à sua alma e às dos que a roubaram, para que umas e outras se salvem.
(Pe. Antônio Vieira, pregador português e embaixador de Portugal em países europeus - Sermão do Bom Ladrão - 1655)

4. De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.
(Rui Barbosa, político brasileiro, 1849-1923 - www.paralerepensar.com.br/rbarbosa.Acesso 22.08.09>

5. Direi à Câmara o mesmo, que disse aos que entraram para este Governo: «Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor.
(Winston Churchill – Discurso na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, em 13 de maio de 1940- )

6. Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo e renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.
(Getúlio Vargas, presidente do Brasil, 24 de agosto de 1954 - www2.uol.com.br/historiaviva/artigos. Acesso 21.08.09)

7. Não pergunte o que seu pa
ís pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país.
(John Kennedy, presidente dos EUA, discurso de posse, em 20.01.1961- http://veja.abril.com.br. Acesso 22.08.09)

8. Seria tão mais simples e fácil [provar] o que a secretária diz, que encontrou com a Dilma. Não precisaria nem gastar dinheiro, comprar passagem, ir ao Congresso. Era só pegar as duas agendas [da ministra e da ex-secretária] e ver o que aconteceu.
(Lula, presidente do Brasil,17/08/2009 - http://intertvonline.globo.com/rn/noticias)


9. A gente não afirma, a gente prova, então, as agendas são oficiais. (...) Havia uma agenda que tava na mala. Estranho que as agendas, elas estão geralmente nos meios normais, eletrônicos. E agora não tem agenda nenhuma. Não tá na mala. A agenda, ela não existiu, ela é sigilosa.
(Dilma Rousseff, em Mossoró (RN), em 11 de agosto de 2009)

10. Eu não mudo a verdade no grito, nem preciso de agenda para dizer a verdade. A mentira não faz parte da minha biografia. A Receita é uma instituição de estado. Não estamos ali para atender governo A, B ou C..
(Lina Vieira, ex-secretária da Receita Federal – jornal Gazeta do Povo. Curitiba, 19.08.09, p. 15)