27 julho, 2011

EDUCAÇÃO - Como melhorar o ensino

EDUCAÇÃO - Como melhorar o ensino

Pesquisadores de quatro universidades brasileiras analisaram 165 estudos nacionais e internacionais sobre aprendizado escolar e concluíram que o fator mais importante em sala de aula é a qualidade do professor.

Uma das análises revelou que um bom docente aumenta em até 68% a proficiência do aluno. O levantamento faz parte de uma iniciativa do movimento Todos pela Educação e do Instituto Ayrton Senna, cujo objetivo é apontar caminhos para a melhoria do ensino no Brasil.

Hoje, os estudantes brasileiros alcançam resultados negativos tanto em avaliações nacionais como internacionais. Alunos da 4.a e 8.a séries do ensino fundamental e do 3.º ano do ensino médio não atingem metas mínimas. Na média nacional, nenhuma série consegue ter ao menos 35% da turma com o aprendizado correto para a idade.

O tamanho e a composição da turma ocupam o segundo e terceiro lugar, respectivamente, no ranking dos fatores que mais influenciam a capacidade de aprendizado. Classes menores permitem atendimento individualizado e turmas homogêneas - com alunos da mesma idade e desempenho semelhante - facilitam o preparo da aula e a exposição do conteúdo. Em seguida vem o calendário escolar - com fatores como o número de dias letivos e de faltas dos docentes – e a experiência do professor em sala de aula.

Conselheiro do Todos pela Educação, Mozart Neves Ramos explica que é da qualidade do docente que parte toda a aprendizagem. "O professor é o elemento central, é dele que depende a capacidade não apenas de ensinar, mas de provocar e estimular."

Outro ponto ressaltado durante o levantamento é a importância do engajamento da comunidade escolar e da família, o que mostra que não são somente fatores objetivos que influenciam este processo. Ramos lembra que, após os resultados do Ideb de 2007, o Unicef fez um levantamento e comprovou que os melhores colégios eram aqueles com alto poder de mobilização.

A infraestrutura e os recursos pedagógicos são fundamentais para o aprendizado, mas o levantamento realizado pelos pesquisadores demonstra que ainda faltam estudos para avaliar os impactos negativos de uma escola sem acesso à rede de esgoto ou quadra poliesportiva, por exemplo.

Consultor da Unesco e professor da Universidade de Brasília (UNE), Célio da Cunha argumenta que a escola precisa de infraestrurura básica para garantir a aprendizagem. "Para incentivar a leitura é preciso uma biblioteca e o estudante precisa também ter acesso a novas tecnologias. Por outro lado, como estudar em uma sala que não tem ventilação adequada?", questiona.

Pedagoga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Evelise Portilho afirma que a aprendizagem não ocorre somente no ambiente formal. Por isso, o de ver e outras atividades podem ser decisivos. “isso auxilia o estudante a buscar outras estratégias e caminhos que vão além da sala de aula”.

3 comentários:

Tania disse...

Olá, Prof. Jayme!

Muito bom retornarmos ao blog com uma postagem tão oportuna para o momento.

O texto é bem claro e direto no que diz respeito a como melhorar o ensino e enfatiza a figura do bom professor como o detonador, digamos assim, de todo o processo. Concordo! Pois no contexto há toda uma abordagem acerca do que este bom professor necessita para que, de fato, o seu objetivo – que é o sucesso do aluno – seja alcançado.

Sabemos que no ranking mundial de Educação não estamos bem. Ficamos na 53ª colocação entre 65 países do Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Alunos - em 2010. Atrás da Bulgária, Romênia, México, Chile e Uruguai. Enfim...

Destaco o que a Pedagoga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Evelise Portilho afirma; “a aprendizagem não ocorre somente no ambiente formal”.
A importância desta afirmação para mim é enorme, pois é exatamente no ambiente informal e a partir dos diferentes saberes (desta troca) que o conhecimento e a cultura são gerados, vividos, absorvidos e transformados em real aprendizado. E, por outro lado também, o mundo precisa caber na sala de aula. O bom professor não pode ignorar esta necessidade.

Sobre o Instituto Ayrton Senna, já tive a oportunidade de trabalhar com o Projeto de Aceleração da Aprendizagem que, resumindo, consistia em oferecer ao aluno um aprendizado abrangente num intervalo menor de tempo. Uns conseguiam aproveitar bem, outros não, em virtude – principalmente - de grave defasagem na alfabetização: o “nó”, a “raiz de amargura” do problema. Enfim... O tema sempre dá para “um Seminário”, [risos].

Muito bom; excelente texto!

Grande abraço, Prof. Jayme.
Taninha

Jayme Ferreira Bueno disse...

Taninha,
aqui estamos nós dois apenas. Falamos de educação, porque sempre nos sentimos educadores.
Vamos aguardar adesões ao nosso ideal.
Um abraço,
Jayme

Tania disse...

Abraço grande, Professor.