29 novembro, 2008

Arte e Poesia.



A arte da poesia e a poesia da arte.

[por Taninha Nascimento]

Sempre que trato desse assunto me pergunto: mas... O que vem a ser arte?

Podemos voltar ao início da civilização e pensarmos sobre nossos antepassados mais remotos e, tentarmos focar nosso olhar em toda a ação humana sobre aquele mundo; aquela realidade. E... Pronto! Eis a arte! Esta, caminhando junto aos primeiros passos da linguagem e do conhecimento, formou e continua a formar o que vem a ser o nosso acervo cultural. Acervo este, para sempre inacabado. Resultado de nossas mais simples e complexas necessidades de seres pensantes e vivos - resultantes e envoltos nas mais diversas circunstâncias sociais, físicas e emocionais.

Para mim, o que pode distinguir um ser racional de um irracional é a arte – que está diretamente ligada à inteligência e à sensibilidade. Arte, inteligência e sensibilidade, “os três pilares da humanidade”. Penso até, que um não dependa totalmente do outro, entretanto, a ausência de um deles, empobrece qualquer ação humana.

Experimente tirar de um Van Gogh, a arte ou a inteligência, ou ainda, a sensibilidade... Impossível, não? Tente agora, com Shakespeare; com Bach; com Einstein; com Freud; com Nietzsche; Machado de Assis; Aleijadinho; Niemayer; Chico Buarque; Ronaldinho [gaúcho ou carioca]; Airton Sena... E, por aí vai... Você acha possível? Simplesmente, não seriam eles... Óbvio e claro.

Tente agora, acrescentar a arte, a sensibilidade e a inteligência a Hitler... Pois é... Você dirá: “Inteligente, ele foi...”. Porém, será que lhe faltou a arte aliada à sensibilidade? Pois artista, ele também o foi e , conversando com um amigo, ele me acrescentou que Hitler amava a arte "clássica e neoclássica", mas sem as emoções trazidas pelo expressionismo, por exemplo... [ o que , com certeza, um bom psicólogo saberia explicar...] . Arraigada estava nele, a arte criminosa aliada à inteligência...

Pois é... Por isso, eu digo que são os três pilares, posto que na ausência de um, modifica-se todo o perfil desse alguém. Mas nada disso [sobre estes "três pilares"] pesquisei, hein! É uma “tese” apenas. Nem isso. É algo intuitivo. É um “pensar alto”...

Bem, voltando ao assunto, vamos falar especificamente da poesia. Afinal, o que vem a ser poesia e onde ela se encontra?Alguns podem responder precipitada e equivocadamente: “Ora, a poesia encontra-se nos versos e prosas”... “Nas rimas”... Sim, claro! Mas, não apenas nestes. A poesia está nas mais simples ações cotidianas, as quais nem precisam, em minha opinião, de palavras para expressa-las... Quem não vê poesia na natureza? Nas telas, esculturas, nas sinfonias, nos aviões?E numa simples pipa no céu?...Enfim... E nos Homens e nas suas ações ?[crianças, jovens, moços e velhos]... Ah... A poesia está em nosso dia-a dia. Que, muitas vezes é cruel... Triste... Amargo... Sofrido... Sim! Há poesia na morte, na loucura, na doença, na dor, na raiva, no ódio e na repulsa... Qualquer um que diga que não, a meu ver, está equivocado. Pois é por conta dessa poesia toda - que há no mundo e submundo - que os artistas, não se agüentam e precisam expressa-la. Alguns o fazem através dos versos e prosas para serem sentidos, lidos declamados, dramatizados... Toda doçura, azedume, alegria, tristeza, beleza e feiúra, amor e desamor, se farão presentes. Claro!! Outros mostram sua arte poética através das canções. Temos as mais variadas, entre estas, Hip hop, Rap, Funk... Aí, possível leitor, você me dirá : “Isso não é poesia!”. Ora... Claro que é...

Então, podemos resumir a poesia assim: “um jogo”, cujas peças são as palavras que se movimentam nas mãos hábeis e olhos atentos. O objetivo do “jogo” é despertar formas e formas de interpretar o mundo, de senti-lo [pincipalmente], de lê-lo – ousando, ou não - tentar entende-lo... Ganha o “jogo” quem o fizer melhor –“construindo as regras, ou jogando”.

Sim, “jogando”, pois na fruição ou, contemplação, movemos as peças e podemos “recriar as regras do jogo enquanto se joga”. O que tento dizer é que participamos, também, do ato de criação do autor , quando nos envolvemos, contemplando, fruindo... Tornando-nos co-autores numa atitude ativa e, não meramente passiva – como possa parecer. Onde tudo em nós se move e se envolve para dar sentido àquela arte que - em nós - "recriamos".

Texto inspirado no material: Ensino Fundamental de Nove Anos - MEC

Arte de Monet

4 comentários:

KA disse...

Taninha,

Seu artigo sobre poesia nos fornece elementos essenciais para compreendermos esse processo de comunicação. A arte é uma linguagem, uma linguagem específica. Ha prazeres que só ela proporciona e corresponde a um processo de recriação.

Parabéns pelo novo blog

Abraços

Taninha Nascimento. disse...

Olá, KA!

Sim, o prazer que sentimos ao perceber a arte - literária, plástica, dramatica, etc... - é um profundo ato de recriação. É a nossa subjetividade.

Bjs! Obrigada pela visita.

Hercília Fernandes disse...

Olá Taninha.

Seu blog "No rastro da educação" está lindo e, pela qualidade das matérias iniciais, promete se constituir um espaço prazeroso de aprendizagens múltiplas - portanto de poéticas - a dispor dos internautas.

A arte é necessária à vida humana, tanto é o alimento, a vestimenta, as muitas condições de vida. É uma "inutilidade útil” ao desenvolvimento evolutivo dos homens, para que haja humanização.

Não consigo imaginar a vida sem arte, sem a pintura de uma imagem, sem a expressão sincera da dor, tristeza e/ou indignação de um artista. Enfim, a arte nos faz mais humanos, nos leva a compreensão de nós mesmos e do outro.

Em todos os lugares há poesia – como você bem nos diz - e, embora muitas vezes não percebamos, somos produtos das mãos habilidosas de um poeta: o Criador.

Parabéns por seu texto e por sua "sensível sensibilidade" para com a educação e as artes, especialmente à causa da poesia.

Abraço caloroso,

Hercília Fernandes.

Taninha Nascimento. disse...

Olá, amiga.

Sim... Obrigada.

O objetivo, principal, deste blog que vai tratar - especificamente - de temas racionados à educação, é propor um olhar à arte que , de fato, humaniza a criatura humana.

O ensino precisa dessa humanização que a cultura apregoa.

Ensino e Cultura podem , sim, trazer qualidade e beleza à prática educativa. Não há dissociação.

Beijos, minha querida!

Taninha