07 novembro, 2009

Algumas falas...













"O Rio de Janeiro não é violento"
[Depois, lamentou-se...]

José Mariano Beltrame secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro




“Que bom companheiro Arruda que a gente tenha uma polícia ganhando um salário razoável, que a gente tenha uma polícia ganhando aquilo que merece e uma polícia do ponto de vista da sua formação profissional muito mais qualificada. Para que a gente tenha a certeza que a única hipótese de a gente não ter um policial levando propina da bandidagem é o policial ganhar o suficiente para cuidar da sua família”



Luiz Inácio Lula da Silva - Presidente.









Imagem disponível no Google

8 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Tania,


A responsabilidade pela formação e salários das polícias é ESTADUAL, daí uma disparidade ENORME entre as capacitações e remunerações desses efetivos. O Rio está na rabeira...




Na média dos raciocínios, vale esse ditado, improvisado agora: aos sérios, medalhas, ou menções honrosas; aos "espertos", propina ("adicional").




É isso.









Beijos,









Marcelo.

Marcelo Novaes disse...

Isso no tocante à fala do presidente Lula.

No tocante à fala hedonística do secretário do Rio-visto-quase-como-Paraíso, com Dezesseis Milhões de homens pacíficos e meia dúzia de baderneiros, que ele os prenda e desarme em uma semana, no máximo. A julgar por seu escasso número.





Só.

Taninha disse...

Novaes,
este post é quase sem comentários mesmo...


Você disse tudo.

Bjs,
Tania

Taninha disse...

Quem precisa andar pela cidade do RJ- seja de ônibus, trem, carro [não blindado] ou mesmo a pé- sabe bem.

Marcelo Novaes disse...

Taninha,




Essa meia "dúzia de gatos pingados" será pega pelo Secretário...




Detalhe: em Brasília a formação do policial é de curso superior (aqueles cursos mais rápidos de hoje de dois anos, após o segundo grau completo). E o salário inicial é de 4000 reais para o "soldado". No Rio, a formação técnica é de seis meses, com menores exigências quanto á escolaridade. Salário inicial: 843 reais. Defasagem no salário de quase 500%. Defasagem na formação: incomensurável.



A fala do Lula apontava para as especificidades da polícia de Brasília. Seria interessante uma pesquisa inter-estadual das variáveis de formação-salário. É algo gritante, mesmo. Outra linha de pesquisa é dos grupos especiais: Bope, Gate, Ger, Das (Departamento Anti-Sequestro, que funciona bem pra caramba), Denarc, Garra. Deveria haver intercâmbios interestaduais maiores, uma vez que há intercâmbios internacionais intensos dessas polícias.


Peguemos, por exemplo, o perfil dos policiais do GOE, que é um grupo da Polícia Civil, bastante qualificado. Peguemos a sinopse do Goe (Grupo de Operações especiais) na Wikipedia:




"O Grupo de Operações Especiais, GOE, é uma unidade de recursos especiais do Departamento de Polícia Judiciária da Capital - DECAP da Polícia Civil do Estado de São Paulo.

Foi criado em 1991, tendo por atribuições básicas: atividade de policiamento preventivo especializado, apoio a outras unidades policiais, auxílio à autoridades diversas, escolta de presos de elevada periculosidade, ocorrências com reféns, gerenciamento de crises prisionais, incursões em áreas de alto risco, cumprimento de mandados, e outras ações que necessitem ações táticas operacionais.

Sua Base Operacional fica localizada no bairro do Campo Belo, zona sul, onde há toda infra-estrutura necessária para o Grupo (academia de ginástica e artes marciais, parede para escalada e uso de rapel, local para CQB, salas de aula, alojamento e estacionamento).

Nas artes marciais pratica-se o AIKIDO e JIU-JITSU. Usam também o método de treinamento de combate com facas.

A maioria de seus policiais possui extensa bagagem operacional, com participação em operações, intercâmbios e cursos em diversas e renomadas instituições nacionais, como: TEES, CTT/CBC, CORE/PCERJ, Brigada Pára-quedista do EB, e estrangeiras GEO da Espanha, SWAT of Miami/FL/USA, Orange County Bomb Squad FL/USA, Sure-fire Institute, International Tactical Police Association - ITPA, SWAT of Beaumunt Police Departament/Texas/USA. Logo, vários estão habilitados em defesa pessoal, combate em ambientes confinados, patrulhamento policial de alto risco, negociação, especialização em explosivos, rapel tático, tiro de comprometimento. Muitos já trabalharam em outras unidades operacionais, agregando experiência ao Grupo.

Decorrente do profissionalismo, da capacitação de seus componentes e de suas ações de êxito, tem elevada reputação perante a sociedade, inspirando a criação de unidades similares pelo interior do Estado de São Paulo, possuindo, inclusive, reconhecimento internacional."




Bom..., se considerarmos os intercâmbios internacionais do Goe, só se entende a distância entre ele e outras polícias especiais no Brasil, por muitas delas serem MILITARES (como o Bope, no Rio de Janeiro). Ainda assim, não se entenderia a falta de intercâmbio entre o Bope (militar, do Rio) e o Garra (também militar, de São Paulo). O currículo do Garra é tremendo.




Falta de logística inter-estadual. Em outros termos: de política FEDERAL para o assunto.



O PCC leva know-how para o Comando Vermelho no Rio. E armas...

E as polícias?!






Abraços,








Marcelo.

Taninha disse...

Marcelo,

só o que queremos e temos direito e à liberdade sem tanto medo.

O medo da violência chega a adoecer a gente - somado a tantos outros estresses...

É isso.

Marcelo Novaes disse...

Taninha,



Eu sei o que vc e os cariocas querem. assim como todos nós. Meu detalhamento referiu-se às duas falas: a do Lula e a do Secretário. Se fosse verdade que a violência no Rio fosse "focal" ou "pontual" (sic), e que aí haveria "ilhas de excelência no tocante à segurança pública, com índices equiparáveis às seguras cidades européias" (sic), restaria ao secretário, além de nomear tais ilhas (não é a Ilha do Governador, eu garanto...), esclarecer se elas se mantém "excelentes" mediante segurança privada ou pública, e do porque do contingente de agentes de segurança da cidade do Rio de Janeiro não dar conta desses focos tão "pontuais e escassos".



Daí eu fazer um breve levantamento de formação, salários, intercâmbios (ou falta de) inter-polícias especializadas, associações de grupos do crime organizado (PCC e CV já trabalham juntos aí, inclusive na aquisição de armas: o PCC vende pacote arma-crack para o CV). Diante desse quadro, eu assinalo umas poucas questões que gostaria de ouvir algum jornalista fazer ao Secretário.




Tão somente.




Eu sei que queres segurança, e não "debates". Mas nós, pessoas de bem, que não empunhamos armas, devemos colocar a lógica do Secretário contra a parede, para que ele pare de "brincar de forte apache", quando a situação é muito mais pulverizada e grave do que quisera seu instinto lúdico-infantil.









Beijos,









Marcelo.

Taninha disse...

Perfeito, amigo.

Bjs.