15 outubro, 2010

"Aos mestres, com carinho..."













Professor

Carlos Drummond de Andrade



O professor disserta

Sobre ponto difícil do programa.

Um aluno dorme,

Cansado das canseiras desta vida.

O professor vai sacudi-lo?

Vai repreendê-lo?

Não.

O professor baixa a voz

Com medo de acordá-lo.

11 comentários:

Tania disse...

Recebi, de presente, por e-mail. Poema lindo e verdadeiro!

Jayme Ferreira Bueno disse...

Isso é o que o professor ideal faria. Respeitaria o aluno. O que teria acontecido antes com essa criança. Terá onde dormir? Terá o aconchego de uma família estável, ou é simplesmente vítima de um mundo cão?
O poema de Drummond me fez lembrar de uma letra de música, um poema, da Banda britânica Pink Floy (The wall-O muro):

Professor, deixe as crianças em paz/
Ei, professor! Deixe as crianças em paz!/
Ao todo, isto é apenas mais um tijolo no muro/
Ao todo, você é apenas mais um tijolo no muro.

Um abraço atodos,
Jayme

Jayme Ferreira Bueno disse...

ERRATA
O nome correto da Banda britânica de rock é Pink Floyd. Era liderada pelo liderada pelo cantor e compositor Syd Barrett.
Jayme

Mirze Souza disse...

Taninha!

É verdadeiramente você a imagem do poema. Doce e passiva com as crianças.

Parabéns pelo dia do mestre!

Beijos

Mirze

Tania disse...

Eu concordo com o sr., prof. Jayme.

Muitas vezes no estresse do cotidiano da sala de aula, podemos nos esquecer desses "pequenos detalhes". Mas precisamos ficar sensíveis ao universo que é cada aluno. Sabendo compreender certas atitudes - procurando ouvir, sempre.

A garotada precisa de muita, mas muita conversa...

Sei o quando isto pode ser inviável, mas bastante viável também. Depende das circunstâncias emocionais de ambos: aluno e professor.

Numa sala lotada, o "diferente" costuma ser imitado. Quando isto não é permitido, vem a questão: "se ele pode, porque eu não posso?". É complicado... Mas não é impossível.

Uma certeza eu tenho, por experiência própria: quando o aluno se sente querido, importante, capaz e motivado... Tudo muda. Conosco - adultos - é assim; quanto mais com crianças e adolescentes.

Obrigada por comentar.
Parabéns, professor!

Tania disse...

Ah, vou procurar no YouTube a canção! Obrigada!

Tania disse...

Oi, Mirse!!

Muito obrigada!!

Beijo grande!

KA disse...

Tâninha,
"The Wall", Pink Floyd é linda.

Esse poema me lembrou uma cena em classe. Certa vez, lá pela 6ª série,tinhamos uma professora alemã, Norma Kroll, que o pessoal tinha verdadeiro pavor, pois distribuia 0(zeros) e mandava para fora da classe por qualquer motivo que perturbasse sua aula ou desviasse a atenção.
Uma vez um aluno, o Carneiro, foi flagrado dormindo na sua aula. Silêncio total. Suspense. Ela chega perto dele e com todo rigor e cerimônia, que lhe era caracteristico, pergunta: "senhor?, senhor?, senhor?", várias vezes.
Ele acorda, esfrega os olhos, se assusta. E ela lhe pergunta: "o senhor trabalha?". Ele respondeu que era engraxate.
E aquela professora rígida, exigente, deixou que ele continuasse como estava, para surpesa e espanto da classe que já antevia uma suspensão para o aluno.

Hoje compreendemos a atitude da professora.

Tania disse...

A humanização, em qualquer carreira, se faz necessário. Gente é gente...

Muito bom recordar a época de aluno, não? Há professores que marcam [para o bem e para o mal].

Bjs!

Jayme Ferreira Bueno disse...

Tania,
a sua busca e a postagem do vídeo (embora bastante forte) foi útil para ilustrar dramaticamente o que acontece com certos professores que humilham seus alunos. Esse tema de o aluno "poeta" ser ridicularizado em sala de aula mém bastante comum na literatura. Lembrei-me de um conto da literatura portuguesa, de Luís Sobral, intitulado "Eh, Caloiro...". Quase ao final do conto, dá-se o desfecho: "...Oh caloiro! Que quer então que eu lhe faça? Você desconhece as coisas mais elementares... Oh caloiro, vá-se embora, desapareça da minha vista. Corra, senão é o diabo. Corra antes que eu tire a tesoura do bolso. Fuja, caloiro. E não se esqueça, logo às horas que eu lhe disse na República. Se chegar um segundo mais cedo ou um segundo mais tarde... está quilhado. Em cima da hora. E agora desande, que já estou enjoado... E para a outra vez, tome um banho que lhe faz bem. Você deita um fedor que tresanda!

Então, o caloiro foi embora para casa. Para casa... Pois... E toda a gente ficou sem perceber nada de nada. Espantada, estranha (nem duas palavras a explicar...).
Entre as coisas dele encontraram, depois, uma porção de cadernos cheios de poemas, poemas que ele fazia há já bastantes anos. Coisa que nem sequer os pais, alucinados, inconsoláveis - filho único! - sabiam, que ele fora poeta.
(SOBRAL, Luís. Histórias malvadas. Fragmento do conto “Eh, caloiro...”).
Um abraço a todos,
Jayme

Tania disse...

Prof. Jayme,

graças a Deus e a evolução na área da Educação, muitos professores já estimulam a criatividade de seus alunos, embasados em estudos que comprovam que a Arte estimula a inteligência. Muitos faziam por bom senso e sensibilidade. Outros, tinham e, alguns ainda, têm verdadeira aversão!

Na relação aluno/professor há que se ter respeito de ambas as partes, não é mesmo? Mas não cabe mais impor respeito através da agressão.

Muito tem se falado sobre o "bullyng"; algo que deve ser inadmissível mesmo! Trabalhar a questão do "respeito" na escola é muito importante e muito trabalhoso, pois é abragente demais. Mas começando pelo "básico": respeito ao próximo - já é um enorme passo.


Grande abraço,

Taninha