15 outubro, 2010

Professores: eternos injustiçados


O jornalista e escritor Gilberto Dimestein afirmou ontem que "o bom professor é aquele que gosta de viver", afirmação atribuida ao mestre Paulo Freire, feita na casa do jornalista, em Nova York, poucas semanas antes de Freire morrer. Ele falou para mais de 400 professores em palestra que fez parte das comemorações e semana de estudos dos professores de Mogi Guaçu-SP, na noite da última quarta-feira, 14.

Ninguém entende o papel do professor, ele é um eterno injustiçado, prosseguiu o jornalista. Ele lembrou que a educação passa por três níveis: família, escola e comunidade, sendo que a parte da escola e do professor, representa apenas 30% desse conjunto. Entretanto as pessoas acreditam que os professores tem poder e condições para resolver e desenvolver toda a educação dos jovens.

"Não é possível melhorar a escola sem melhorar a saúde, e esse não é um problema do professor", disse. Ele lembrou que a questão das drogas não é um problema, mas sim o que está por detrás dele, porque um jovem que segue esse caminho, invariavelmente tem baixa estima, falta de perspectivas, acreditando que o futuro não será melhor que o presente, que geralmente é muito violento.

Dimestein disse que nada é mais importante que o conhecimento, revelando que a leitura sempre lhe trouxe enormes benefícios, sendo que isso é comum na sua religião, a judaica, pois desde criança, são obrigados a lêr, defendendo a educação e informação. Para o jornalista deve haver envolvimento entre a comunidade e a escola, falando de um projeto desenvolvido no bairro onde mora em São Paulo, Vila Madalena. Ele mostrou que uma escola estava para ser fechada, pois o local tido como boêmio, é também considerado violento. Através do envolvimento com diversos setores da comunidade a escola foi restaurada, elevando a auto-estima de alunos e professores, sendo que hoje é uma nova escola, sendo muito procurada, afirmando que deve ser sempre procurado esse envolvimento, finalizou.

5 comentários:

Tania disse...

Muito bom o artigo, KA!

O professor precisa de ajuda. A Escola precisa de ajuda. E, a ajuda necessária não é outra senão a parceria: entre os elementos da mesma - pois nenhum deles, sozinho, vai longe. Sozinho, ele adoece... Se entristece... Perde a motivação por não ver continuidade ao seu trabalho - e entre o poder público, comunidade e a família.

Tania disse...

A Escola é: o lugar onde se faz amigos, não se trata só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo, gente que trabalha, que estuda, que se alegra, se conhece, se estima: Coordenador é gente,o professor é gente, o aluno é gente,cada funcionário é gente. E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de "ilha cercada de gente por todos os lados". Nada de conviver com pessoas e depois descobrir que não tem amizade a ninguém, nada de ser como tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar, é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem, é conviver, é se amarrar nela. Ora, é lógico... Numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, ser feliz.


Paulo Freire
Educador Brasileiro

Mirze Souza disse...

Benditas escolas e professores, que mesmo sofrendo injustiças salariais e outras, dão à todos a liberdade e o prazer da expressão.

Não existe prazer ou viagem maior que a leitura. E sem o professor, seria impossível.

Muito BOM!

Beijos

Mirze

Tania disse...

É verdade... E só sabe bem, quem passa... [risos - o trocadilho ficou até engraçado].

Bjs, Mirse!

KA disse...

Taninha, Mirze,

Educação é fundamental. Portanto, qualquer que seja o governo eleito tem que aumentar verbas para a educação, dando prioridade para o setor. Li certa vez uma matéria sobre a educação na Coréia do Sul, com o nome: A Coréia conseguiu, porque o Brasil não consegue?
Porque será?

Abraços