10 dezembro, 2008

Sobre o Hino Nacional Brasileiro [Prof. Jayme]

Hino Nacional Brasileiro

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da Liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da Pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó Liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve! Salve!

Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde-louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado.

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil !

Pois é, Taninha.

O Hino Nacional Brasileiro, ao contrário do que muitos afirmam, é um hino forte, épico, retumbante, como diz a própria letra do Hino. Há nele algumas expressões que realmente comovem, dentre essas, aquelas que você citou. Mas vejamos outras:
1. No início, os dois primeiros versos já introduzem um tom de epicismo:
Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
Essa imagem de um rio como metáfora de um país todo que ouve o retumbar de um brado que emocionava todo um povo heróico, para mim, é uma imagem forte, sugestiva e também ela heróica como o próprio povo brasileiro.
2. No terceiro verso, a imagem do sol da Liberdade brilhando no céu do Brasil, conjugada com a firmação corajosa também de que a Liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte! ilustra bem um sentimento muito próprio do brasileiro, que é ser livre e que deseja praticar a liberdade. Conhecendo outros países e convivendo com outros povos, pode-se perceber o quanto o brasileiro é um povo livre e amante da liberdade.
3. Na 5.ª estrofe impávido colosso, como um país de enorme grandeza e destemido, reafirma essa epicidade própria do nosso Hino.
4. Na 4.ª estrofe da segunda parte do Hino, aparecem algumas outras afirmações, como as idéias de amor eterno e de paz, que são características realmente do nosso povo. Amar e viver em paz sempre foi um bonito lema para o nosso Brasil.
5. A 5.ª estrofe toda Mas, se ergues da justiça a clava forte, / Verás que um filho teu não foge à luta, / Nem teme, quem te adora, a própria morte. Aqui, a afirmação de heroísmo e de vontade de defender a pátria até mesmo com o sacrifício da própria vida é exemplo para nós, que, às vezes, não fazemos nem aquele mínimo que está ao nosso alcance para o bem do nosso país e do nosso povo.
6. É claro que nosso Hino possui passagens românticas, de que se valem muitos críticos para execrarem um Hino que mereceria mais respeito e maior admiração. Há que se levar em conta todo o contexto histórico e literário da época em que foi escrito. Reinava o Romantismo nas artes e a visão de uma Independência que chegara não poderia ser cantada de forma tão bem acabada como está na letra de Joaquim Osório Duque Estrada. Um Hino, porém, complementa-se com a música. E a música e toda a sua musicalidade encontrou em Francisco Manuel da Silva o seu autor perfeito.
7. Por fim, a letra que alterna o épico e o lírico e a música que confere toda a sonoridade a um belo poema se completam e tornam grande o nosso Hino, quer queiram, quer não os seus detratores.


Contribuição de Jayme Ferreira Bueno, que é professor universitário e estudioso de Literatura, com trabalhos publicados na Literatura Brasileira e na Literatura Portuguesa e também em Teoria da Literatura.
Agradeço a preciosa contribuição do Prof. Jayme e indico seu blogger, que trata especificamente de assuntos relacionados à Literatura: http://jaymebueno.blogspot.com/

Um comentário:

Mirse disse...

Brilhante a interpretação do Professor Jayme.
Poucos em qualquer nível, sabem interpretar, melhor dizendo sequer sabem toda a letra.
OPbrigada Taninha, por nos dar essa oportunidade através do Prof. Jayme.
Parabéns a ambos!

Abraços

Mirze