17 agosto, 2009

Andanças, Fazanças e Recordanças...


Por Viviane de Souza








Sei não, sei não... Mas mesmo não sabendo direito por onde iniciar esse “conversê” vou contrariar as duas frasinhas antes das reticências pra tentar “arengar” com voces, pois com essa missão de “futucar” em blog, só mesmo tirando a paciência de quem é curioso. Agora quero me apresentar. Sabem, desde que quis cursar jornalismo, me identifiquei com o pior de mim mesma: a bisbilhotice. E, evidentemente, tem sido o que mais gosto de exercer: fofoqueirismo! mas profissional. Apesar de nenhuma novidade nessa declaração, visto que o jornalismo brasileiro é de fazer vergonha até ao menos tímido avestruz, tenho que enaltecer algumas características da colega que vos enche o saco. Sou de ética e não de estética, embora seja fã dos que a desenvolve em sua identidade literária ou artística. Meu povo, sabe o que é? É que não foi inteiramente na faculdade que apreendi... Sim, apreendi o valor da palavra ética. Afinal, quando faço algo que preste, não me baseio apenas nos raríssimos colegas de trabalho e professores aclamados que me orientaram a partir dos próprios exemplos. O que ocorre pra mim é a palavra educação. Sim, a “batidinha” palavra que nem todos receberam ao longa da vida em casa. A casa... ô recinto importante da gota serena!







Vez por outra, ao analisar o meu balaio de ideias, avisto minha família. É o que dela recebi e ainda recebo, que me mantém procurando optar pelo o que é prudente. E olhem que ainda assim, confesso, titubeio, e opto pelo errado na minha profissão. Jornalismo é para a maioria dos que o utilizam como meio profissional, maneira de aparecer e sentir-se glamourizado vinte e quatro horas por dia. Mas quem não ficaria todo “ancho” e satisfeito caso pudesse conversar e saber mais de pessoas admiráveis. Um homem inspirador como o educador Paulo Freire, o inusitado escritor Ariano Suassuna, e as sensibilíssimas e espetaculares Clarice Lispector e Cora Coralina paralisaram de emoção muito jornalista experiente. No caso de Ariano continua paralisando. É compreensível, mas existe muita gente anônima por aí que vale quilates de diamantes, ou não têm preço algum, já que suas estórias de vida são históricas e provocadoras de mudanças e atitudes em nós. E então, me veio agora a lembrança de dois livros encantadores: O Segredo de Joe Gold, escrito pelo jornalista americano Joseph Mitchell. E As Boas Mulheres da china, fruto de uma pesquisa realizada pela radialista Xinran Xue. No primeiro, fatos reais analisados em um mendigo inteligente e cativante. No outro, narrativas contundentes da vida feminina na China, sob um regime socialista.







Bom, mudando de alhos para bugalhos, mas seguindo a mesma linha, queria lembrar-lhes que de pouco tempo para cá vi meu diploma valer menos que o “dinheiro” utilizado num programa apresentado por Angélica na Rede Globo. Nele, os participantes do jogo compram seus prêmios através das MERRECAS. Pode? Pooode! E todo mundo me pergunta como me sinto. Olhem mesmo que frase linda: “Eu me sinto com a obrigação de continuar estudando”. Clichê total, não? E aí, para explicar a voces a minha consternação, faço um ctrl C, e um ctrl V de uma carta escrita pela jornalista pernambucana Silvia Bessa. Esta jovem, com um caminho muito bem percorrido e premiado, diz através do jornal Diário de Pernambuco em reportagem publicada em 19/06/2009:






“Sou jornalista formada pela Universidade Católica de Pernambuco há 12 anos. Em todo esse tempo não fui outra coisa a não ser repórter - aquele que tem a tarefa diária de caçar notícias. Já fiz milhares de entrevistas e sei o quanto as técnicas de abordagem, de redação e as noções de ética me valeram. Por esse motivo, me indignei com a decisão do STF de dispensar o diploma para o exercício da minha profissão. Usei cada lição aprendida e tento aprimorar uma a uma ao longo dos anos. Procuro isso em conversas com presidentes, governadores, deputados no Recife e em Brasília ou com anônimos dos confins do Nordeste. Do presidente Lula da Silva à dona de casa Lucimar da Silva, que passa fome no Ceará, foi assim. Com o pé na estrada, descobri que a prática do ofício de um jornalista não se limita à discussão em torno da liberdade de expressão.






Opinião todo mundo tem, pode e deve expressar, mas o jornalismo está alicerçado em informação de qualidade. E, para chegar até ela, é necessário mais que uma opinião. Tive a certeza disso nessa quarta-feira, quando soube da votação do STF e lembrei do quanto difícil foi produzir reportagens sobre uso da internet nos grotões nordestinos, sobre o impacto do aquecimento global ou mesmo sobre a malversação de subvenções sociais por deputados. Fiquei imaginando se, mesmo com a capacidade que devem ter para chegar ao Supremo, os ministros teriam condições de fazer qualquer uma delas. Talvez pudessem comentar os temas; testemunhar ou revelar uma realidade vista de vários ângulos, tenho cá minhas dúvidas. E é para isso que jornalistas são formados.





Para ser jornalista é preciso talento com as letras, habilidade para coleta de múltiplas informações, disposição para pesquisa, abertura para ouvir o engravatado, o professor e o descamisado e equilíbrio para narrar os fatos. Reunir essas e outras características independem do diploma, mas o aprendizado acadêmico pode ser decisivo na conquista. A escola é o ponto de partida para o bom jornalismo. Eu não vejo médicos, advogados, professores e outros profissionais com didática suficiente para enviar mais de cem e-mails para conseguir mapear os municípios do Nordeste que possuem lan houses com discagem rápida, para buscar e cruzar dados para entender fenômenos sociais e para entrevistar dezenas de adolescentes e entender o que eles buscam na rede - algumas das tarefas que cumpri para realizar a reportagem sobre o fenômeno das lan houses no interior do Nordeste. Não vejo. Só consigo ver estudantes recém-saídos das faculdades tentando acertar esse caminho e dispostos a seguir o preceito da informação democrática. O resto, para mim, é vaidade de muitos que não conseguem perceber que o fim do diploma para jornalistas compromete o futuro de uma geração nova de profissionais da imprensa. E tem a ver com a confiabilidade do que será escrito por eles.”







Pois é gente, eu sou uma jornalista apaixonadamente pernambucana, com sangue brasileiríssimo, e que a partir de agora colabora com esse blog super nutritivo da professora e poetisa Taninha Nascimento – que confiou num bom bate-papo entre nós. Na próxima postagem prometo deixar de tanto blábláblá, e a gente se aproxima mais da educação, da política e da cultura, tá certo?


Um forte abraço, e até breve!

6 comentários:

Taninha disse...

Oi, Vivi!

Com o tempo você aprende a futucar no blog. É fácil!!

Feliz estréia, querida!

Gostei do post que toca em questões importantes como a educação na casa... O diploma de Jornalismo e sobre a profissão em si...
Enfim, você trás a baila assuntos importantes!
Gostei muito! Obrigada, querida!

Relerei com calma e ampliarei o comentário.

Um beijo e abraço!

Taninha

Taninha disse...

Oi, Viviane.

O nosso amigo de equipe, o KA, fez um post sobre a questão por você levantada acerca do diploma de jornalismo. Acho que vc argumentou muito bem. Eu já me manifestei no post dele e me manifesto no seu também. Acho que o diploma não é selo de qualidade, mas há "profissionais e profissionais...". Certamente, qualquer cidadão é em potencial um formador de opinião e, a ética e a educação por exemplo podem existir - ou não - com diploma ou sem diploma. Mas, como vc bem colocou, existem conhecimentos outros que só através de um estudo mais focado à formação se tem...

Os maus jornalistas que só buscam aparecer a todo custo - inclusive a custo de mentiras e armações deveriam ter seus diplomas caçados! E, os dedicados - jamais esquecidos...

O jornalismo é uma profissão muito bonita e vital para a sociedade, sem dúvida!
Acho que todos lembram do reporter que foi incendiado - dentro de pneus - aqui num morro do RJ por denunciar o tráfico de drogas...

Pois é...


Beijo, querida.
Parabéns pelo post!

Argonauta Viviane de Souza disse...

Taninha, eu é que agadeço os comentários. E que bom e salutar é, as opiniões contrárias, e complemetares. Isso sim, é uma das melhores manifestações de democracia, e que deve ser exposta sempre. O objetivo, claro, é podermos aceitar mais tranquilamente as diversas opiniões e celebrar a convivência pacífica.

Taninha disse...

É isso aí, Vivi!!

Que blog bacana vc tem hein!


bjs!

Marcelo Novaes disse...

Viviane,



O seu texto é bom e mostra que vc é boa leitora e expressa suas idéias bem. Há bons jornalistas, claro. A minha profissão é mais invadida por tarólogos, neo-xamãs urbanos e "terapeutas holísticos" da pior espécie. Alguns dizem reprogramar DNA e fazem o Caminho de Santiago para depois cobrar fortunas por vivências (Anna Sharp é uma delas). Então, há os embromadores. No caso de quem transmite idéias, acho que alguns bons profissionais de humanas teriam algo a dizer nos jornais: sociólogos, filósofos, historiadores. O mais, é a força do marketing pessoal. Alguns ( e seu número é legião) acham "a arte de saber vender-se" mais importante do que saber, de fato, qualquer coisa...










Beijos, e seja bem vinda!













Marcelo.

KA disse...

Viviane,

Desculpa a demora. Li sua matéria e gostei, mesmo porque penso como você. Quando trabalhei em jornal, no interior, tive colegas éticos e outros que tudo faziam para aparecer, sair em fotos e posar junto a políticos, esperando dividendos.

Isso sempre me enojou. De certa forma me senti recompensado, quando fui sondado certa vez para receber e fazer matérias favoráveis para um certo candidato de uma associação. Ao fazer a matéria disseram que tinham uma verba para aplicar na imprensa...Eu ouvi e disse que estaria comunicando ao departamento comercial, pois a minha parte era apenas redação. Calei a todos e a matéria saiu isenta. Alguns anos mais tarde a mesma pessoa encarregada de fazer essa "oferta", me cumprimentou, elogiou e reconheceu o meu modo de trabalhar. Aconteceram outras vezes e jamais me deixei envolver.
Não quero ficar aqui falando de mim, mas digo isso porque se não ganhei dinheiro no jornalismo, fico muito satisfeito de não ter vendido minha consciência e minha alma. Hoje sei que fiz o certo e faria exatamente a mesma coisa outra vez.

Gostei de seu brado pela ética, pois a maioria preza mesmo é a estética, por isso tenho certeza que seremos bons companheiros de blog.

Parabéns pelo seu artigo

Abração